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Ibovespa sobe com exterior e blue chips; dólar sai na casa de R$ 3,86

29/06/2018 13h28

(Atualizada às 13h37) A alta generalizada nas bolsas globais dá força ao Ibovespa e impulsiona um movimento de ajuste de posições no último pregão do semestre. Nesse cenário, as blue chips apresentam desempenho positivo e puxam o índice para cima, atingindo patamares já próximos aos 73 mil pontos.

Por volta de 13h25, o Ibovespa avançava 1,26%, aos 72.672 pontos, após atingir os 73.020 pontos na máxima (+1,75%). O giro financeiro, contudo, segue em níveis modestos: em três horas de sessão, soma pouco menos de R$ 3 bilhões, o que implica num volume projetado de R$ 6,7 bilhões ao fim do dia.

"Os mercados de ações sobem no mundo todo, e o Brasil acompanha esse movimento", diz Sergio Goldman, chefe de research da Magliano Corretora. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários operam no campo positivo, com destaque para o Dow Jones, que avança 1%. Na Europa e na Ásia, as bolsas mais relevantes terminaram o dia no azul.

Para Goldman, as condições favoráveis no exterior estimulam um movimento generalizado de compra de bolsa, e os papéis mais líquidos se beneficiam. Tal comportamento pode ser observado nas ações dos bancos: Bradesco PN (+1,74%), Banco do Brasil ON (+1,71%) e Itaú Unibanco PN (+2,17%) caminham para encerrar a semana no campo positivo, embora acumulem perdas de mais de 5% no mês.

Já Petrobras PN (+2,23%) e Petrobras ON (+1,96%) aproveitam o dia de alta no petróleo ? o Brent com vencimento em setembro avança mais de 2% ? para se sustentar no campo positivo, apesar dos temores dos investidores quanto ao cronograma do leilão dos excedentes da cessão onerosa.

Goldman ainda diz que, do ponto de vista político, a notícia de que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi sorteado relator do pedido da defesa do ex-presidente Lula contra o julgamento no plenário do STF pode ter um efeito positivo na sessão de hoje, mas limitado. "O que permeia o lado político é a eleição. Pode ter impacto, mas segunda-feira já não faz mais mercado".

Na ponta positiva, destaque para o setor de varejo: B2W ON (+4,9%) tem a maior alta do Ibovespa e puxa outras empresas do setor, como magazine Luiza ON (+3,7%), Lojas Americanas PN (+3,6%) e Lojas Renner ON (+3,12%).

Entre as quedas, Hypera ON (-2,78%) tem o pior desempenho do índice. Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", o empresário João Alves Queiroz Filho, fundador da empresa, e Claudio Bergamo, ex-presidente da companhia, negociam acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

Dólar

Apesar da instabilidade na sessão desta sexta-feira, o dólar caminha para o maior salto trimestral desde 2015. Foram três meses seguidos de avanço intenso da divisa americana, que levam a uma alta de 16% no período até a cotação atual de R$ 3,86.

O avanço só não foi mais acentuado por causa da intervenção agressiva do Banco Central (BC) com a oferta líquida de swap cambial desde meados de maio. As vendas totalizam US$ 43 bilhões, em operações que têm efeito semelhante à venda de dólares no mercado futuro.

O impacto nas cotações ficou mais evidente a partir de 8 de junho, quando o BC fez um programa de liquidez de US$ 24,5 bilhões num período de pouco mais de uma semana. Depois desse período mais intenso de intervenção, o BC já reduz o ritmo e acumula agora cinco sessões seguidas sem novos leilões de swap.

Por volta das 13h35, o dólar comercial operava a R$ 3,8646, em leve alta de 0,18%, tendo oscilado entre R$ 3,8755 e R$ 3,8298. Com isso, o dólar acumula alta de 16% no trimestre, sendo que houve em junho um avanço mais contido, de "apenas" 3%.

A espiral negativa que tomou conta do mercado, principalmente em abril e maio, deixa algumas marcas. O mercado brasileiro tem o segundo pior desempenho do trimestre numa lista de 33 divisas globais, melhor apenas que o peso mexicano.

A piora nesse período contou com o fluxo menor de capital para emergentes, diante da perspectiva de aperto monetário nas economias desenvolvidas. Por aqui, o movimento foi agravado ? sendo talvez o principal catalisador ? pelo aumento da percepção de risco com a greve dos caminhoneiros.

Investidores estrangeiros e institucionais brasileiros aumentaram a busca por dólares no mercado de derivativos, seja para apostas direcionais ou proteção. Considerando dólar futuro, cupom cambial e swaps, a posição comprada em dólar desses agentes bateu US$ 48 bilhões recentemente, nos maiores níveis desde 2016.

Nesta sexta-feira, entretanto, o dólar opera sem grande direção. A instabilidade é algo esperada para esta época do ano, já que a última cotação do trimestre ? que será fechada na tarde hoje ? serve de referência para liquidação de derivativos. Até por isso, o mercado local mostra um pouco mais de dificuldade para acompanhar a queda generalizada do dólar no exterior hoje.

Operadores apontam, inclusive, que a taxa já seria mais favorável para os investidores que detêm apostas compradas no dólar, isto é, que ganham no avanço da divisa. "A cotação em R$ 3,85 já ajuda o comprado, que tem um esforço menor para segurar esse nível. E, quando sobe um pouco mais, os exportadores aproveitam para vender moeda", diz o gerente da mesa de derivativos de uma corretora.

Juros

Os contratos de juros futuros experimentam volatilidade na sessão desta sexta-feira. Abriram em queda, chegaram a subir, e há pouco caíam novamente na B3. De acordo com operadores, os DIs estão com baixa liquidez e, nesse cenário, negócios pontuais puxam as oscilações dos ativos mais do que o noticiário do dia.

"Por conta de toda volatilidade do último mês, a curva de juros subiu e ganhou um prêmio razoável. Chegou a ser consenso no mercado que o juro básico teria de subir rápido e bastante. A cada dia que o mercado fica mais calmo, tanto o externo quanto o câmbio, volta a cair", afirma o gestor de renda fixa da Franklin Templeton, Rodrigo Borges.

No começo da tarde, o DI janeiro/2020 era negociado a 8,28% (de 8,33% no ajuste anterior); o DI janeiro/2021 tinha taxa de 9,27% (ante 9,35% no ajuste anterior); e o DI janeiro/2025 mostrava 11,60% (de 11,56% no ajuste anterior).