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Avianca Colômbia, 100, tenta sair da crise e se livrar da imagem brasileira

Alexandre Saconi
Imagem: Alexandre Saconi

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, na Colômbia*

05/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Plano de reestruturação inclui cancelamento de 25 rotas e venda de 24 aviões
  • Um dos objetivos é afastar-se da imagem da Avianca Brasil, que é outra empresa
  • Avianca Colômbia completa cem anos neste 5 de dezembro

A Avianca Colômbia completa cem anos nesta quinta-feira (5). A empresa começou transportando cargas e alguns passageiros. Agora passa por um plano de reestruturação para evitar um processo de falência, como o que a Avianca Brasil está trilhando. No final de agosto, o grupo colombiano anunciou o plano Avianca 2021 para tentar escapar da crise.

O plano inclui o cancelamento de 25 rotas não rentáveis e a venda de 24 aviões e de negócios considerados não estratégicos, como as companhias regionais Sansa e La Costeña, que operam voos domésticos na Costa Rica e na Nicarágua.

Outra missão nos planos da Avianca Holdings é afastar-se da imagem negativa deixada no mercado e nos consumidores pela Avianca Brasil (Oceanair, originalmente), que teve autorização para usar o nome e a marca (incluindo as cores) da companhia colombiana entre 2010 e agosto de 2019.

A empresa brasileira pertence ao Synergy Group, do empresário colombiano-brasileiro Germán Efromovich, que também é dono da maior parte da Avianca Holdings, dona da Avianca Colômbia. Isso torna essa missão um desafio maior.

O UOL entrevistou Nissim Jabiles, diretor-geral da Avianca Holdings para Brasil, Equador e Peru. Ele falou sobre como a empresa tenta se afastar do imbróglio da Avianca Brasil e quais os planos para o país nos próximos anos.

UOL: Qual é o futuro da Avianca Colômbia no Brasil?

Nissim Jabiles: Estamos nos concentrando em consolidar e crescer. Nosso futuro é nos posicionar como uma marca e aumentar nossa participação no mercado. Neste ano, estamos investindo e contratando nossa própria equipe comercial no Brasil, divulgando nosso produto, nossos atributos.

Estamos avaliando a possibilidade de, até 2020, aumentar nossa oferta de conectividade entre Bogotá e destinos adicionais àqueles em que já operamos no Brasil. Atualmente, operamos seis voos diários para Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre a partir de Bogotá e Lima, com uma oferta de mais de mil assentos por dia, com ocupação acima de 80%.

Além disso, podemos perceber que o passageiro brasileiro realmente gosta do nosso produto e serviço, o que nos permite projetar bons resultados comerciais no curto prazo. Por exemplo, em outubro de 2019, as vendas foram 21% maiores que no mesmo período do ano passado.

A essa boa gestão de vendas, devemos acrescentar outras ações comerciais muito importantes para o mercado e os passageiros, como os recentes anúncios de operação em codeshare [parceria] com a Azul e a Gol, o que nos permitirá crescer mais.

Como a empresa busca separar sua imagem da homônima brasileira, que deixou de operar neste ano?

A primeira coisa que devo mencionar é que a Oceanair [razão social da Avianca Brasil] nunca fez parte da Avianca Holdings S.A., nem suas finanças nem sua operação. Na época, o que existia era um contrato de autorização de uso da marca, que encerramos em agosto passado.

Após a falência da Oceanair, temos focado para que o mercado entenda que não somos empresas irmãs, e mantivemos nossa operação e presença no Brasil, já que este é um mercado muito importante e onde temos uma operação crescente.

Há alguns meses, Roberto Kriete, ex-CEO da companhia, disse que a Avianca Colômbia estava quebrada, falida, sem pagar funcionários e fornecedores. Qual a atual condição da empresa?

A intenção de Roberto Kriete ao fazer as declarações, em 26 de agosto, era despertar nos funcionários o senso de urgência e sua importância na solução dos desafios enfrentados pela empresa. Os avanços no reequilíbrio da dívida reafirmam a confiança dos detentores de título e credores no plano que delineamos para a empresa.

Os resultados falam por si: foi anunciado o fechamento bem-sucedido da troca de títulos de US$ 550 milhões com vencimento em maio de 2020, alcançando uma participação de mais de 88% dos detentores da dívida. Da mesma forma, os termos entre United Airlines, Kingsland Holdings e Avianca Holdings foram formalizados para um empréstimo de US$ 250 milhões.

Como a Avianca está trabalhando para evitar a falência?

Devo começar dizendo que a Avianca Holdings não está falida. No início deste ano, o foco da companhia aérea mudou, e isso nos levou a implementar um plano de transformação chamado Avianca 2021, que visa migrar de um modelo de crescimento para um de rentabilidade e eficiência operacional. Para conseguir isso, trabalhamos em quatro frentes: a) melhora de indicadores operacionais; b) otimização da rentabilidade operacional; c) ajuste e simplificação da frota e 4) desinvestimento [venda] de ativos não estratégicos.

A aplicação desse plano está nos permitindo ser mais competitivos no setor, superando os desafios do meio ambiente e da região, como desvalorizações do câmbio, preço do petróleo, contextos políticos da região, entre outros. Estamos trabalhando para ter uma empresa mais saudável, e tenho certeza de que a Avianca viverá por mais cem anos.

O acionista Germán Efromovich processou o ex-CEO Roberto Kriete por ele declarar que a empresa estava falida. Qual o impacto disso nas finanças da empresa?

A Avianca Holdings não interfere nas decisões e processos realizados pelos acionistas. A administração é independente e avança com eficiência o Plano Avianca 2021.

O que mudou desde o momento em que Kriete anunciou que a empresa estava quebrada?

As declarações a que você se refere foram descontextualizadas. Todos nós que fazemos parte da Avianca estamos focados em fortalecer nossa companhia aérea pelos próximos cem anos. Somos mais de 21 mil funcionários trabalhando em 26 países para conectar nossos passageiros a mais de 70 destinos operados pela Avianca, e o fazemos buscando rentabilidade, eficiência operacional e, principalmente, com prioridade no cliente.

Quais são os planos para expandir a operação da Avianca no Brasil, além da parceria com as companhias aéreas nacionais?

Queremos ter uma presença cada vez mais forte no mercado. Estamos trabalhando nisso a partir de uma abordagem comercial e operacional, como eu havia mencionado no início dessa entrevista. O Brasil é um mercado prioritário para o crescimento da Avianca.

Até o momento, temos uma equipe comercial sólida, e operamos seis voos diários em aviões modernos. Estamos com uma importante projeção de vendas. Concluímos dois acordos de codeshare com as principais companhias aéreas do mercado brasileiro, Gol e Azul, e, com elas, ampliaremos realmente nossa conectividade para e de dentro do Brasil.

Em suma, estamos nos fortalecendo e temos certeza de que, até 2020, teremos um número melhor e uma presença maior neste mercado, fundamental para nossa conectividade e nossa rede.

* O repórter viajou à Colômbia a convite da Avianca Holdings e da rede de hotéis Wyndham

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