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REPORTAGEM

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Aviação de patrulha tem avião narigudo, caça submarinos e ouve até camarões

P-95BM, também chamado de Bandeirulha, avião de patrulha da Aeronáutica - Sargento Johnson/Força Aérea Brasileira
P-95BM, também chamado de Bandeirulha, avião de patrulha da Aeronáutica Imagem: Sargento Johnson/Força Aérea Brasileira

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/05/2021 04h00

Com sua história ligada à Segunda Guerra Mundial, a aviação de patrulha é cercada de curiosidades e tecnologia. Ela é uma divisão da FAB (Força Aérea Brasileira) e é responsável por vigiar o território marítimo do Brasil. Tem até uma data oficial: o Dia da Aviação de Patrulha é comemorado em 22 de maio.

Seus primeiros voos aconteceram em 1942, quando submarinos alemães afundaram vários navios mercantes brasileiros. O objetivo era acabar com a ameaça que o nazismo representava ao Brasil e evitar tornar o país um verdadeiro palco de guerra. Ao todo, foram 11 submarinos afundados durante a Segunda Guerra Mundial com a realização de várias missões de patrulha.

Os três esquadrões hoje pertencentes à Aeronáutica ficam em Belém (PA), Canoas (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Os aviões empregados nas missões são o P-3AM Orion e o P-95BM Bandeirulha, além do drone RQ-1150 Heron.

Avião "narigudo"

P-95BM Bandeirulha, com nariz adaptado para comportar sistemas de radar de detecção de embarcações - Alexandre Saconi - Alexandre Saconi
Imagem: Alexandre Saconi

Com um nariz bem diferente dos demais aviões, o P-95BM Bandeirulha chama a atenção de quem o vê de perto. Ele é derivado do modelo Bandeirante, da Embraer, adaptado para a patrulha. Daí seu nome de Bandeirulha (Bandeirante de Patrulha).

Radar Seaspray 5000E utilizado pelos P-95BM da FAB - Divulgação/Leonardo - Divulgação/Leonardo
Imagem: Divulgação/Leonardo

O nariz do avião foi adaptado para caber o sistema do radar Seaspray 5000E, capaz de detectar navios de grande porte a até 370 quilômetros de distância. Hoje, esses aviões têm capacidade para acompanhar até 200 alvos ao mesmo tempo, o que é fundamental em caso de guerras.

A aeronave tem capacidade para até cinco passageiros, sendo dois pilotos, um operador de radar e dois observadores, e atinge a velocidade de 385 km/h.

Ouvindo camarões

Colocação da sonoboia no tubo de lançamento do avião de patrulha P-3AM Orion - Tenente Rezende/Força Aérea Brasileira - Tenente Rezende/Força Aérea Brasileira
Colocação da sonoboia no tubo de lançamento do avião de patrulha P-3AM Orion
Imagem: Tenente Rezende/Força Aérea Brasileira

Um dos principais integrantes dos aviões de patrulha é o operador acústico, responsável por escutar embarcações que estejam embaixo d'água. Por meio de sondas que são lançadas no mar, ele consegue identificar a localização e o tipo de submarino ou barco apenas pelo som que ele emite.

Chamados de sonoboias, esses equipamentos são tão sensíveis que permitem, também, que sejam escutadas criaturas da vida marinha, como camarões, golfinhos e baleias. Seu lançamento ao mar é feito diretamente de dentro do avião pelo armeiro, que define a profundidade e o tempo de duração que o equipamento irá funcionar na água.

Esse sistema faz parte da chamada guerra antissubmarino, e está presente no P-3 AM Orion, que é derivado do avião comercial L-188 Electra. Na FAB, o Orion também pode transportar mísseis antinavio Harpoon e torpedos MK-46 caso seja necessário realizar algum ataque.

Voos baixos e visuais

P-3AM Orion utilizado pela FAB para realizar operações de patrulha - Cabo Silva Lopes/Força Aérea Brasileira - Cabo Silva Lopes/Força Aérea Brasileira
P-3AM Orion utilizado pela FAB para realizar operações de patrulha
Imagem: Cabo Silva Lopes/Força Aérea Brasileira

Talvez uma das grandes diferenças dos voos realizados na aviação de patrulha seja a necessidade de voar a baixas altitudes, às vezes, a cerca de 200 metros de altura. Isso se deve, principalmente, às missões de busca e salvamento, que podem ser feitas tanto em terra quanto em mar.

Para o tenente aviador Guilherme de Sousa Mucheli, que pilota o Bandeirulha, essas missões são de grande importância não só para a defesa militar, mas para os interesses econômicos do país também. É ela, junto com a Marinha, que é responsável pela defesa da Zona Econômica Exclusiva, que é uma faixa que vai até cerca de 370 km da costa brasileira, onde o país é soberano para exploração comercial e conservação de recursos naturais.

Também há o papel desempenhado como auxílio à segurança pública, lembra o aviador. "[A aviação de patrulha acaba] contribuindo para fiscalização e combate ao tráfico de drogas, pesca ilegal e presença de embarcações ilícitas em toda a extensão do litoral brasileiro, juntamente com a Marinha do Brasil", diz Mucheli.

Como entrar na carreira de piloto de patrulha

A bordo da aeronave P-3AM, integrantes do esquadrão de patrulha Orungan operam os sensores eletrônicos de detecção de embarcações inimigas - Sargento Batista/Força Aérea Brasileira - Sargento Batista/Força Aérea Brasileira
Integrantes do esquadrão de patrulha Orungan operam os sensores eletrônicos de detecção de embarcações inimigas a bordo da aeronave P-3AM Orion
Imagem: Sargento Batista/Força Aérea Brasileira

O aviador diz quais os passos para quem quer se tornar um piloto de patrulha. Deve-se prestar o concurso para Epcar (Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da Aeronáutica, em Barbacena - MG) e seguir para Academia da Força Aérea (em Pirassununga - SP) ou prestar diretamente o concurso para a academia, ingressando como cadete aviador.

Durante sua graduação inicial, que dura, pelo menos, quatro anos, o piloto deve escolher se irá seguir na aviação de patrulha.

Após esse período, o cadete passará por diversas formações até chegar ao Curso de Especialização Operacional da Aviação de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (CEO-IVR), com duração de nove meses.

Com a conclusão de todos os cursos, os aviadores são designados para os esquadrões de patrulha localizados em Belém (PA) ou Canoas (RS). Após ganhar experiência operacional suficiente, o piloto de patrulha pode escolher ser alocado no esquadrão Orungan, no Rio de Janeiro.

Drone Heron I, denominado RQ-1150 na FAB, utilizado na aviação de patrulha - Sargento Johnson/Força Aérea Brasileira - Sargento Johnson/Força Aérea Brasileira
Drone Heron I, denominado RQ-1150 na FAB, utilizado na aviação de patrulha
Imagem: Sargento Johnson/Força Aérea Brasileira

Errata: o texto foi atualizado
O nome correto do Esquadrão é Orungan. A matéria foi corrigida