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REPORTAGEM

Da cocaína ao transplante: helicóptero e avião do tráfico agora levam órgão

Airbus EC 130 B4 que pertenceu a André do Rap e foi incorporado à frota da Polícia Civil em 2021 Imagem: Divulgação/SSP-SP

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/05/2022 04h00Atualizada em 25/05/2022 16h00

Um helicóptero Airbus EC 130 B4, que pertencia ao traficante André do Rap, foi utilizado nesta segunda-feira (23) para realizar o transporte de um coração de um doador em Araçatuba, no interior de São Paulo, para o InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), na capital paulista.

A aeronave era utilizada pelo tráfico e foi apreendida em setembro de 2019, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Desde maio de 2021, o helicóptero, de matrícula PR-PIT, foi incorporado à frota da Polícia Civil de São Paulo e passou a ser utilizado em missões da instituição.

Aeronaves apreendidas do tráfico vêm sendo utilizadas cada vez mais para esse tipo de missão em São Paulo, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública) do estado.

No dia 5 de maio, um helicóptero Esquilo AS350 B2, que também foi apreendido em uma operação contra o tráfico de drogas, foi utilizado para transportar um coração de Santos para Campinas.

Em situações como essas, é fundamental ser o mais ágil possível para garantir que o transplante ocorra com sucesso, já que os órgãos perecem rapidamente após a morte do doador. Por isso a importância do uso de aviões e helicópteros para que os receptores possam ser operados o quanto antes.

"Estou na polícia há 32 anos e, para mim, é muito gratificante ver algo que era usado no crime servir à sociedade, para o bem do ser humano", disse João Eduardo Felipe, delegado titular do Serviço Aerotático da Polícia Civil paulista.

A incorporação dessas aeronaves às instituições de segurança pública ocorre após a apreensão junto a criminosos, e passam a ser operadas pelas polícias com autorização judicial em vez de ficarem paradas se deteriorando.

Aeronave de R$ 7 milhões

O EC 130 B4 comporta até sete pessoas a bordo, sendo uma delas o piloto, ou até sete passageiros mais o piloto, quando está configurado para voos panorâmicos —um peso máximo de decolagem de 2,5 toneladas.

Sua autonomia de voo é de até cerca de quatro horas no ar, chegando a uma velocidade de 240 km/h e uma distância de até 643 km.

O preço de um modelo novo gira em torno de R$ 7 milhões.

Ele pode ser configurado para o transporte executivo, como o que pertenceu a André do Rap, com interior com bancos de couro e outras pequenas personalizações de acordo com o que o cliente deseja quando compra uma unidade.

Seu comprimento total é de 12,6 metros, e o diâmetro de seu rotor principal (com as pás em movimento) é de 10,7 metros.

A altura é de 3,6 metros e a largura da cabine de passageiros chega a 2 metros.

Além do modelo de transporte executivo, mais luxuoso e mais espaçoso, esse helicóptero ainda pode ser configurado para o transporte aeromédico, levando uma maca e a equipe médica a bordo.

Ele também possui um bagageiro para transporte de malas e outros objetos.

Pulmão foi de avião

Avião Caravan 208B, apreendido no ano de 2018 e que foi incorporado à frota da Polícia Civil de São Paulo Imagem: Divulgação/SSP-SP

Os pulmões do mesmo doador do coração foram transportados para o transplante por meio de um avião Caravan 208B. Ele havia sido apreendido em 2018 pela Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Americana (SP) em outra operação de combate ao tráfico.

Esse avião é considerado um "trator dos ares" devido à sua versatilidade e capacidade de carga. No Brasil, ele é autorizado a transportar até 11 pessoas a bordo geralmente, e é encontrado com frequência em empresas de táxi-aéreo ou companhias aéreas que operam rotas regionais.

Sua velocidade máxima em voo de cruzeiro é de cerca de 340 km/h, movido por uma hélice com três ou quatro pás, dependendo do modelo fabricado.

O Caravan apreendido, de matrícula PT-MEN, foi fabricado em 1994, e tem capacidade de voo noturno por instrumentos. Ele também está sendo usado pela Polícia Civil de São Paulo mediante autorização judicial de processos envolvendo o tráfico de drogas no estado.

Veja como foi a operação:

Veja o documentário produzido pelo UOL sobre a ascensão de André do Rap no comando do PCC:

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