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Dólar sobe no dia e mês, mas fecha trimestre com queda de 1,3%, a R$ 2,022

Do UOL, em São Paulo

O dólar encerrou março em torno de R$ 2,02, devolvendo parte da baixa registrada nos primeiros três meses do ano, diante do aumento das tensões na zona do euro, da continuidade do fluxo negativo e das incertezas dos investidores em relação às políticas econômica e monetária do governo.

A saída de dólares do país foi mais uma vez evidenciada nesta sessão, com a divisa descolando do cenário externo e voltando a subir mesmo após uma nova intervenção do Banco Central na véspera sugerir a defesa de uma banda cambial cujo teto seria cerca de R$ 2.

O dólar comercial subiu 0,55% nesta quinta-feira (28), fechando cotada a R$ 2,022 na venda. Segundo dados da clearing de câmbio da BM&F, o volume negociado foi de US$ 5,3 bilhões.

No mês, o dólar acumulou alta de 2,19%. Ainda assim, o dólar encerra o primeiro trimestre com queda de 1,29%.

Segundo dados do BC, o fluxo cambial --que mede a entrada e saída de moeda estrangeira do país-- está negativo em US$ 2,227 bilhões no ano até o dia 22 de março. 

BC não deve deixar dólar subir demais, para conter inflação

Analistas ainda acreditam que o Banco Central não permitirá que o dólar suba muito para evitar pressões inflacionárias causadas por produtos importados mais caros, inclusive insumos e bens de capital essenciais à indústria.

O dólar saiu de um nível próximo a R$ 2,05 no final de 2012 e chegou a tocar R$ 1,95 durante o primeiro trimestre do ano com a expectativa de que o BC favoreceria um real mais forte para ajudar no combate à inflação.

Mesmo devolvendo parte da desvalorização vista durante o primeiro trimestre, o dólar ainda tem queda acumulada de 1,29% no período.

"A questão inflacionária pode pressionar o câmbio um pouco para baixo, mas mantendo a região dos R$ 2 como referência", disse Sasaki, da XP Investimentos, que vê uma banda informal mais provável de R$ 1,95 a R$ 2,05, em vez do teto de R$ 2 apontado por vários analistas.

No final de 2012, autoridades do governo --principalmente no Ministério da Fazenda-- defendiam o dólar acima de R$ 2 para impulsionar as exportações. Neste ano, no entanto, o foco voltou-se às consequentes pressões inflacionárias que o câmbio poderia trazer ao país, sobretudo após o BC explicitar sua preocupação com a alta dos preços.

A prévia da inflação oficial de março, o IPCA-15, mostrou que os preços subiram 6,43% no acumulado em 12 meses, variação muito próxima dos 6,5% que são o teto da meta do governo. No relatório trimestral de inflação divulgado pelo BC nesta quinta-feira, a própria autoridade monetária admitiu que a inflação ultrapassará o teto da meta oficial no segundo trimestre do ano.

"Acho mais provável o dólar colar no R$ 2,05 do que voltar para R$ 1,90, como muita gente tem falado. A grande dúvida para mim é quanto o BC vai ser peitudo na venda (de dólares) pela questão da inflação", afirmou Rezende, da CGD Investimentos, referindo-se à disposição do BC de intervir no mercado para puxar o dólar para baixo.

(Com Reuters)

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