Poupança, Tesouro Direto, ações? Onde investir em 2017?

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

2017 deve ser um ano de grandes incertezas na economia e isso deve impactar diretamente as decisões de investimentos.

Dos cinco especialistas consultados pelo UOL para saber onde investir em 2017, três deles indicam manter as aplicações em um porto seguro, como o Tesouro Selic ou outras aplicações de renda fixa.

São eles: o professor de Economia da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Clemens Nunes, o economista-chefe da Nova Futura Corretora Pedro Paulo Silveira e o estrategista da Rafter Investimentos, José Mauro Delella.

Para Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, e Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital, porém, a previsão de queda na taxa de juros Selic favorece a busca por apostas mais arriscadas, como títulos prefixados, ações e também em fundos imobiliários.

Veja as recomendações:

TESOURO DIRETO
Alan Marques/Folhapress
 

Há três tipos de título: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+.

Nunes, Delella e Silveira aconselham os pós-fixados, que seguem a taxa Selic.

Calil e Figueiredo recomendam o Tesouro Prefixado, que paga uma taxa de juros previamente conhecida. "Com a previsão de queda da taxa, essa aplicação garante uma remuneração maior do que devem ser os juros lá na frente", diz Figueiredo. Delella diz que a taxa paga agora está muito próxima da previsão para a Selic e não vale o risco.

Para longo prazo (como aposentadoria), a recomendação é o Tesouro IPCA+.

Tanto o Prefixado como o IPCA+ devem ser comprados com a intenção de manter o dinheiro até o fim do contrato. Se sacar antes, pode ter prejuízo. 

Para investir no Tesouro, é necessário abrir cadastro e ter conta em uma corretora ou banco. Veja um passo a passo de como investir.

O investimento paga Imposto de Renda, conforme o período de aplicação:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

POUPANÇA
Shutterstock

Apesar não pagar Imposto de Renda e taxas de administração, a poupança é pior que outras aplicações de renda fixa, pois a remuneração é fixa em 0,5% ao mês mais TR.

Com a queda da inflação, deve ter um rendimento real, segundo o professor Clemens Nunes. "Se projetar um rendimento de 7,8% da poupança ante a inflação prevista de 4,8% para 2017, a poupança teria um rendimento acima da inflação. Mas ela rende 69% do CDI, enquanto o Tesouro Selic rende próximo de 100% do CDI", diz.

Pode ser usada só para o dinheiro do dia a dia, e por um período curto de seis meses, mas não deve ser utilizada como investimento. Tem a segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que paga até R$ 250 mil para o investidor se o banco quebrar.

CDB
Thinkstock

Nos grandes bancos, é possível encontrar a aplicação pagando cerca de 90% do CDI, rentabilidade inferior à do Tesouro Selic, que rende aproximadamente 100% do CDI. Bancos menores pagam mais, mas isso significa aceitar um risco maior. Mantenha os investimentos dentro do limite de cobertura de R$ 250 mil do FGC.

O CDB não tem taxa de administração, mas paga IR, conforme o período:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

FUNDOS DE RENDA FIXA
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São uma opção, mas é preciso cuidado com taxas. Clemens Nunes faz as contas: se a taxa for de 1,5% ao ano e a taxa Selic for a 11,5%, a rentabilidade vai ser de 87% do CDI (até CDBs de grandes bancos pagam melhor que isso). Agora se a taxa for de 0,9%, a rentabilidade vai para 92% do CDI. Já o Tesouro Selic rende próximo de 100% do CDI.

Os fundos pagam Imposto de Renda. Quanto menos tempo deixar o dinheiro, mais paga:

  • Até 180 dias = 22,5%
  • De 181 a 360 dias = 20%
  • De 361 a 720 dias = 17,5%
  • Acima de 720 dias = 15%

Os fundos não têm a cobertura do FGC.

LCIs e LCAs
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As letras de crédito imobiliário (LCIs) e as letras de crédito do agronegócio (LCAs) são opções para investir em renda fixa e são atraentes pela isenção do IR e garantia do Fundo Garantidor de Créditos.

A desvantagem é que a aplicação tem prazo mínimo para sacar o dinheiro, que é de 90 dias. Para José Mauro Delella, o investidor deve aceitar papéis que paguem no mínimo 86% do CDI.

AÇÕES
Tony Gentile/Reuters

Se houver recuperação econômica, aumento do emprego e juros menores, a Bolsa pode ir bem, afirma Paulo Figueiredo. Mas as incertezas na economia e na política, dentro e fora do Brasil, podem causar problemas, afirma José Mauro Delella.

O conselho é que quem não conhece o mercado não se arrisque demais. Mauro Calil diz que a Bolsa já subiu muito, e os papéis estão caros. "A melhor estratégia é esperar um ou dois meses de queda forte para comprar ações."

Clemens Nunes diz que outra boa estratégia é fazer aplicações constantes, comprar todo mês um mesmo valor em ações. 

Para Pedro Paulo Silveira, os setores bancário, de mineração, siderurgia e petróleo devem ser boas apostas; varejo e setor imobiliário ainda devem sofrer.

Para quem não tem nenhum conhecimento, é melhor começar a investir em fundos ou procurar ajuda especializada

DÓLAR
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Não é recomendado como investimento. Os especialistas aconselham a comprar a moeda apenas se for viajar. Nesse caso, a compra deve ser feita aos poucos, para diluir as flutuações do preço.

Para quem quer ter algum investimento atrelado ao dólar, há a opção de fundos cambiais e fundos nacionais que aplicam na moeda estrangeira.

FUNDOS IMOBILIÁRIOS
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São condomínios de investidores em imóveis. O patrimônio pode ser composto de imóveis comerciais, residenciais, rurais ou urbanos, construídos ou em construção, que serão vendidos, alugados ou arrendados.

Quanto menores os juros e a inflação, maior o retorno do fundo. Mauro Calil e Paulo Figueiredo acreditam que essa aplicação deverá ter um bom desempenho em 2017.

IMÓVEIS
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Em 2017, imóvel deve ser bom só para quem quer morar, não investir. O aluguel rende em geral 0,5% do valor do imóvel. Na renda fixa, a rentabilidade deve ficar próxima de 0,91%, diz Clemens Nunes.

Compare: o aluguel de um apartamento de R$ 1 milhão daria R$ 5.000. Se aplicasse R$ 1 milhão na renda fixa, o investidor conseguiria quase o dobro, R$ 9.100.

Ainda há os custos enquanto o imóvel estiver desocupado: IPTU, condomínio e manutenção.

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