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Mercado bilionário de cavalos se aquece com competições e leilões online

André Cabette Fábio

Do UOL, em São Paulo

22/10/2013 06h00

O crescimento do circuito de competições, aliado aos leilões pela internet e pela televisão, tem puxado os números do mercado de cavalos no país. Hoje, o setor no Brasil reúne 5 milhões de animais e movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano.

A avaliação é do pesquisador Roberto Arruda Souza e Lima, da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo). Na conta, estão incluídos a comercialização de animais e gastos que vão de alimentação a remédios.

Equitação alivia estresse

Apesar de 80% dos cavalos no país serem voltados para o trabalho no campo, afirma Lima, são os 20% dedicados a esporte e lazer que têm impulsionado o mercado.

Quarto de milha foi vendido por R$ 930 mil

Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Quarto de Milha, R$ 163,2 milhões foram faturados no ano passado somente com leilões de animais da raça, uma das mais difundidas no Brasil --são cerca de 370 mil cavalos.

Com o mercado aquecido, animais chegam a ser arrematados por preços que beiram a casa dos milhões.

"Neste ano, o maior preço pago por um cavalo [da raça quarto de milha] foi de R$ 930 mil", afirma Wilson Dosso Jr., proprietário da WV Leilões, com sede na cidade de Lucélia, a 570 km de São Paulo. A WV responde por 60% dos leilões de cavalos da raça quarto de milha no país.

Cavalos participam de corridas a disputas de beleza

As competições variam de região para região, e vão de corridas até disputas de beleza. Em provas chamadas de tambor, por exemplo, o cavalo montado tem que fazer um percurso em que dá a volta em três tonéis de um circuito em cerca de 18 segundos.

Já em provas de baliza, o cavalo montado precisa ziguezaguear entre uma sequência de varetas fincadas no chão.

Somente em prêmios para essas duas modalidades foram distribuídos R$ 5 milhões no Brasil em 2012, calcula a WV Leilões.

Criadores vêm das cidades e entram no negócio por paixão

O comprador e competidor hoje tem um perfil urbano; fez riqueza em setores como comércio e indústria, mas mantém um haras --como são chamadas as propriedades no campo destinadas à criação de cavalos-- e tem na criação dos animais um hobby, afirma Dosso Jr., da WV Leilões.

"O agricultor compra geralmente o cavalo para o trabalho, não para competir", afirma.

Fabíola Fagundes é uma das criadoras que ingressaram recentemente no setor. Sua família, dona da Fagundes Construção e Mineração, que aluga máquinas pesadas em seis Estados, começou a transformar o hobby de criação de cavalos num negócio há dois anos e meio.

"O interesse comercial veio de carona com a paixão. Achamos o cavalo quarto de milha bonito, dócil, vimos ele valorizando e resolvemos investir", diz ela.

Cada um dos 14 cavalos que a família comprou para começar a criação custou cerca de R$ 200 mil. Hoje, contando com as crias, já são mais de 30 animais, cuidados por três funcionários, numa área de 50 hectares.

A expectativa é que, em cerca de três anos, o investimento comece a dar retorno.

Desde 2009, preço de quarto de milha subiu 56%

A média do valor da raça quarto de milha em leilões teve, neste ano, um crescimento de 12% sobre o mesmo período de 2012, em que o cavalo era arrematado por cerca de R$ 25 mil, segundo Dosso Jr., da WV Leilões.

Em 2009, o preço médio do quarto de milha era de apenas R$ 16 mil --ou seja, de lá para cá, houve um aumento de 56%.

As vendas também têm aumentado: em 2008, foram 2.520 animais comercializados pela WV e, em 2012, foram 3.000. A expectativa é que o crescimento em 2013 seja de 3% a 5% sobre os resultados do ano passado.

Uma das raças mais importantes do país, o mangalarga marchador, com 575 mil animais registrados, também teve boa evolução em leilões nos últimos anos. Se em 2008 foram vendidos 2.000 cavalos, com faturamento de R$ 43 milhões, em 2012 o número saltou para 3.900 animais, e negócios de R$ 94 milhões.

Com 312 mil animais no país, a raça de cavalos crioulos, muito popular na região Sul, também tem crescido. Segundo José Luiz Laitano, vice-presidente da associação brasileira de criadores dos cavalos crioulos, a raça tem mantido aumento de cerca de 15% ao ano nos últimos cinco anos.

Em 2009, eram cerca de R$ 70 milhões faturados com vendas; no ano passado, foram R$ 112 milhões. 

De acordo com dados da associação, a média de preço foi de R$ 23 mil por animal em 2012 --em 2010, a média era de R$ 15 mil. Alguns exemplares da raça atingem, no entanto, cifras estratosféricas, como o JLS Hermoso, que é avaliado em mais de R$ 10 milhões.

Leilões pela TV e pela internet ajudam vendas

Com a popularização de provas menos conhecidas, têm ganhado espaço mesmo raças não tão expressivas no Brasil, como o cavalo puro-sangue árabe --que tem 29 mil animais no país, 73% deles em São Paulo. Ele é perfeito para provas de enduro equestre, uma espécie de corrida de longa distância, afirma Reinaldo da Rocha Leão, presidente do conselho de juízes da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe. Segundo ele, o valor médio da raça varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

"De três anos para cá, houve um aumento de leilões", afirma Leão, cuja previsão é que 2013 feche com oito eventos do tipo voltados para puro-sangue árabe. Como acontece com outras raças, os leilões são feitos tanto presencialmente quanto pela internet e pela televisão.

A possibilidade de poder comprar os cavalos sem sair de casa também é apontado por Leão como um impulso para as vendas. "Em 2012, uma égua [árabe] foi vendida por US$ 650 mil", conta.