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Agronegócio


Acostumado a 'péssima qualidade', brasileiro consome pouco café nobre

José Bonato

Do UOL, em Ribeirão Preto (SP)

24/10/2013 06h00Atualizada em 21/07/2015 18h29

O Brasil é o maior produtor e exportador de café, e o segundo maior consumidor do produto no mundo. Porém, das 47 milhões de sacas previstas para a safra de café em 2013, por exemplo, somente 5 milhões são considerados especiais ou gourmet, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). 

Para receber essa classificação nobre, os grãos são colhidos e selecionados de acordo com cor, tamanho e sabor. Também é levado em conta o local de produção, e até mesmo preocupações de ordem ambiental e social, como as condições de trabalho.

"Os brasileiros estão acostumados a consumir café de péssima qualidade", afirma o agrônomo e consultor José Mario Jorge, 55, que presta consulta técnica a produtores de café há 30 anos no interior paulista.

Para ele, a produção brasileira, tradicionalmente, se pauta pela quantidade, comercializada como commodities, e não pela qualidade.

Mercado de cafés especiais esbarra no baixo consumo

Das estimadas 20 milhões de sacas de café consumidas no mercado interno, apenas 1,5 milhão é de cafés especiais, calcula Fernando Augusto Vicentini, 43, sócio da Três Irmãos Armazéns Gerais, empresa de Altinópolis (SP).

"Estamos muito abaixo do padrão europeu, no qual os cafés especiais representam 60% da bebida consumida", afirma.

Essa limitação do consumo dos grãos especiais no Brasil está relacionada ao baixo poder aquisitivo da maioria da população e à falta de oportunidade para as pessoas provarem café de qualidade. "Quem aprecia está geralmente nas classes de maior poder aquisitivo."

Acesso a informação pode alavancar vendas

Para Durval Fukuda, 28, produtor de café de Patos de Minas (415 km de Belo Horizonte), a demanda pelo café de qualidade ainda é baixa, mas tem crescido graças ao aumento do poder aquisitivo da população.

Para ele, falta informação para alavancar ainda mais o consumo de cafés nobres.

"É preciso explicar por que o café na xícara vale R$ 7. Quem paga por isso precisa saber como esse café foi produzido", afirma.

Produzir café especial requer investimentos

A fazenda Baú, da qual Fukuda é diretor executivo, produz, em média, 35 mil sacas do grão por ano. Quase toda a produção (97%) é exportada para o Japão. O restante é comercializado principalmente em São Paulo.

A produção de grãos nobres traz uma rentabilidade entre 100% e 150% maior para o produtor. Porém, exige cuidados especiais. "Requer uma dedicação intensa e muitos investimentos", diz Fukuda.

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