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0,26 Jun.2020
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Liderança e empatia: está na hora de vestir a camiseta da sua equipe

Mathias Pape/UOL
Imagem: Mathias Pape/UOL
Felipe Anghinoni

Facilitador disruptivo, provocador hipermídia, improvisador artista e maluco beleza dos pampas, Felipe Anghinoni é um dos criadores sui generis da Perestroika, escola de metodologias criativas, inédita no Brasil, criada em 2007. Mais do que tratar da criatividade, fazem parte do DNA da Perestroika o estímulo à capacidade de desenvolver novas habilidades de maneira divertida, subversiva, com generosidade, sensibilidade e criação de vínculos entre os grupos. A escola é famosa pelos quatro tipos de cursos que oferece (presenciais, online, in company e consultoria em aprendizagem) e já impactou diretamente mais de 100.000 pessoas, no Brasil e no exterior, desde a sua fundação.

22/07/2020 04h01

Ainda que a flexibilização do isolamento social não seja um consenso entre as empresas, uma dúvida é recorrente entre os líderes: como manter o engajamento da equipe, esteja ela reunida de maneira presencial ou remota.

Independentemente do tipo de relação que os líderes nutriam com suas respectivas equipes antes da pandemia da covid-19, se essa preocupação está relacionada apenas com a produtividade e respectivas entregas dentro do prazo, e se nada foi feito até agora no sentido de criar empatia genuína com cada colaborador, qualquer medida que se tomar a partir de agora já vem com atraso -e comprova o quanto esse tipo de liderança está antiquado.

Há um motivo para esse tipo de atitude continuar acontecendo, apesar de todos os estudos sobre gestão de pessoas apontarem para caminhos mais humanizados: por anos o mundo ocidental enxergou as organizações como máquinas, com áreas departamentalizadas, organizadas em linhas, com cadeia de comando e foco na produtividade.

As engrenagens eram as pessoas -e qualquer peça fora do eixo deveria ser substituída. Neste cenário autômato, não há espaço para zonas de desconforto ou para emoções. O que importa é a entrega, o cumprimento das metas, as batalhas vencidas.

Como resultado imediato, vemos repetições variadas dessa história que ouvi num evento online do qual participei recentemente: uma das palestrantes contou que seu marido recebeu uma ligação do chefe, cobrando um relatório, enquanto ainda estava no velório da mãe.

Um tipo de atitude que já era considerada absurda e arbitrária antes da pandemia e que, agora, é uma violência ainda maior sobretudo porque estamos todos vivendo um momento de crise em todas as esferas, com inúmeras notícias sobre mortes, aumento de desemprego, intempéries de todo tipo e sobrecarga de responsabilidades dentro de casa.

É preciso humanizar a gestão, sob o risco de se perderem talentos.

E algumas medidas são simples, com impactos positivos no clima corporativo e na produtividade. Exemplo: iniciar e fechar a semana com um espaço de escuta para a equipe, sem qualquer intenção de encontrar respostas ou falar de trabalho.

Isso porque esse compartilhamento de sentimentos permite que as pessoas reconheçam seus medos e anseios e traz segurança psicológica baseada na confiança e na empatia. Essa conexão entre as pessoas e o líder trará as pistas dos próximos passos a serem tomados -e eles serão diferentes para cada área e organização.

Quem ainda não estiver ciente de conceitos como inteligência emocional, comunicação não-violenta ou liderança facilitadora, por exemplo, precisará reconhecer essa necessidade e buscar recursos em cursos, mentores e treinamentos que os ajudem neste processo.

Recorrer a modelos de gestão de empresas de vanguarda, como a Zappos, ou baseada em economia criativa, como as startups, também podem trazer inspirações.

O importante é perceber que, no "novo normal", a equipe será o conjunto de pessoas que serão os seus amigos. Vista a camiseta deles, ao invés de obrigá-los a vestirem a da empresa.

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