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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cada vez mais isolado, Guedes está perto de ceder prorrogação do auxílio

2 out. 2020 - Paulo Guedes, ministro da Economia, durante entrevista coletiva em frente ao ministério, em Brasília - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
2 out. 2020 - Paulo Guedes, ministro da Economia, durante entrevista coletiva em frente ao ministério, em Brasília Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

19/10/2021 08h00Atualizada em 19/10/2021 14h40

Desde a revelação de que mantinha investimentos em empresas offshores, o ministro Paulo Guedes tem vivido momentos de fragilidade e está cada vez mais pressionado.

Com o presidente Jair Bolsonaro focado em sua campanha da reeleição, a nova derrota iminente de Guedes é a prorrogação do auxílio emergencial, que é uma possibilidade cada vez maior.

A equipe econômica é contra a renovação do benefício por prever uma alta no endividamento, uma ameaça ao teto de gastos e que não haveria razão para a extensão da medida já que a pandemia está arrefecendo.

Guedes tem pouco tempo para convencer o presidente. Faltam menos de duas semanas para o fim da última rodada de auxílio emergencial e ontem (18) Bolsonaro avisou que queria uma decisão "nesta semana".

A ala política do governo tem defendido que o presidente não poderá abrir mão do benefício, ainda mais porque o governo ainda não estava conseguindo avançar na criação do Auxílio Brasil, programa que substituirá o Bolsa Família, já que dependia da aprovação da PEC dos precatórios e da reforma do IR (Imposto de Renda) para essa versão turbinada do benefício. Hoje cedo, porém, Bolsonaro, anunciou que lançará o programa nesta tarde, mesmo com os detalhes do programa ainda sendo fechados.

A ala política argumenta que há um contingente grande de pessoas que ficarão desassistidas, pois não devem atender aos critérios de elegibilidade do novo programa. Nos cálculos do Ministério da Cidadania, esse número pode chegar a 20 milhões de pessoas.

O time de desafetos de Guedes entre os pares da Esplanada cresceu nos últimos meses. Ao lado de Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), que sempre foi antagonista de Guedes na condução da política econômica, agora estão outros dois ministros políticos: Onyx Lorenzoni (Trabalho) e João Roma (Cidadania).

Na última sexta-feira, os três participaram de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, sem a presença de Guedes. Assim como Bolsonaro, os três estão de olho nos palanques de 2022.

Ontem, em evento público em Minas Gerais, quando falou da possibilidade de renovar o auxílio, Bolsonaro contou de uma reunião que teve com Guedes no sábado e já deu como certo que o auxílio será prorrogado, dizendo até que o valor já estaria definido.

"Até digo para vocês, na questão do auxílio emergencial, foi batido o martelo do seu valor juntamente ao Paulo Guedes [ministro da Economia] e outros ministros no sábado. É é um valor para dar dignidade a esses necessitados. O ideal é que todos tivessem seu ganha-pão, tivessem emprego, mas as consequências da pandemia agravaram essa questão e não somos insensíveis a esses mais necessitados", disse.

Opções em estudo

Fontes do Ministério da Economia e da Cidadania dizem que há algumas propostas em estudo, tanto para uma possível extensão do auxílio, como para outras medidas sociais que unam, por exemplo, o vale-gás a um outro benefício, compondo um valor maior.

Isso porque, além de correr contra o tempo para resolver o futuro do auxílio emergencial, é preciso buscar alternativas para o Auxílio Brasil e para outras matérias importantes que estão em tramitação no Congresso.

Conforme mostrou a coluna, já está em discussão no governo, por exemplo, a possibilidade de que a ampliação da faixa de isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) seja feita via Medida Provisória e não fique dependendo da aprovação da medida no Senado.

Saída de Guedes?

Durante o fim de semana, enquanto Guedes retornava de viagem dos Estados Unidos, houve rumores de que o ministro deixaria o cargo.

Fontes próximas a Guedes negaram qualquer disposição do ministro em deixar o posto.

A avaliação era de que se tratava de uma pressão do Congresso, justamente para que Guedes libere mais créditos extraordinários para novas rodadas do auxílio.

Auxiliares do presidente até reconhecem o desgaste, mas dizem que Bolsonaro ainda apoia o seu ministro. Até agora, o presidente não comentou publicamente o caso das offshores.

Depoimento na Câmara

No último dia 6, a Câmara dos Deputados aprovou a convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar explicações sobre a offshore em paraíso fiscal no plenário da Casa. Foram 310 votos favoráveis contra 142 contrários ao requerimento de convocação.

Cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), marcar a data do depoimento. Lira disse a deputados que esperaria Guedes voltar do exterior para agendar.

Nesta terça-feira (19), a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados marcou para 10 de novembro o depoimento de Guedes, sobre seus investimentos em offshore.

À coluna, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), minimizou o desgaste da participação do Guedes no Plenário da casa. "Ele já foi várias vezes ao Parlamento e se deu bem".

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