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Gabriela Chaves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Reunir a família para fazer mercado é dica para poupar e resistir à crise

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Gabriela Chaves

Gabriela Chaves é economista e fundadora da NoFront - Empoderamento Financeiro, plataforma que ensina educação financeira a partir de músicas de RAP. Também é mestranda em Economia Política Mundial pela UFABC e pesquisadora do NEPAFRO - Núcleo de Estudos Afro-Americanos, nas áreas de gênero, raça e trabalho. Em 2020, pela Editora Senac São Paulo, lançou o livro “Economia do Setor Público”.

04/03/2021 04h00

"Confesso que tem sido muito difícil me organizar financeiramente, porque não está sobrando nada para reserva de emergência. No mês passado, consegui guardar um pouco, mas antes do fim do mês eu já tive que gastar para não entrar no cheque especial. O supermercado está muito caro, e eu acabo usando o cartão de crédito, que eu tenho que pagar no mês seguinte, o que me deixa sem sobra para a reserva. Estou bastante triste com isso, porque sinto que não consigo sair desse ciclo."

Recebi esse desabafo de uma aluna do Curso de Educação Financeira da NoFront, plataforma onde desenvolvo cursos de finanças a partir de músicas de rap. A cada estatística sobre a situação econômica do país, percebo que milhões de pessoas se encontram na mesma situação que essa aluna, por isso decidi compartilhar esse relato e algumas dicas para reverter esse cenário.

Em primeiro lugar, é importante compreendermos o quanto a nossa situação financeira individual está conectada com o contexto macroeconômico: estamos vivendo reflexos diretos da recessão econômica no nosso país. Recessão econômica é o termo utilizado para falar do movimento de "encolhimento" de uma determinada economia.

No caso do Brasil, não restam dúvidas, tivemos nesta semana o anúncio da maior queda no PIB (Produto Interno Bruto) desde 1996, totalizando uma retração econômica de 4,1% no ano de 2020.

Isso tudo significa que está cada dia mais difícil para a população viver com dignidade. Estamos imersos numa crise econômica, com péssimos governantes tomando decisões importantes, que afetam diretamente o seu bolso.

Todo esse contexto é extremamente importante para compreendermos a educação financeira como uma estratégia de sobrevivência nesses tempos. Precisamos nos organizar financeiramente para sobreviver a essa crise com saúde física e mental, mas esse processo não pode ser permeado pela culpa.

Por isso, eu deixo aqui algumas dicas para a minha aluna, que eu realmente espero que também ajudem você:

1. Não se culpe. Estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes na história. A prioridade nesse momento é a sobrevivência.

2. Faça um levantamento total das suas dívidas, para evitar novos endividamentos desnecessários e tentar negociar taxas de juros menores.

3. Procure reunir parentes ou famílias próximas e comprar itens essenciais, como papel higiênico, produtos de limpeza e alimentos não perecíveis, em supermercados de atacado. Talvez não pareça, mas essa estratégia pode ajudar a economizar com supermercado.

4. Não perca sua saúde mental nem sua autoestima por causa das dívidas. O endividamento é uma característica do sistema em que vivemos. Você não deve se julgar moralmente por ter pendências financeiras, e sim elaborar um plano de pagamento das suas dívidas.

5. A pandemia ainda não acabou. A prioridade nesse momento deve ser manter a saúde e a vida. De outra forma, não teremos economia nenhuma para debater. Mantenha-se viva (o)!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL