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Com pandemia, PIB do Brasil cai 4,1% em 2020, pior queda em 24 anos

Desempenho da economia em 2020 foi afetado pela crise do coronavírus - Getty Images
Desempenho da economia em 2020 foi afetado pela crise do coronavírus Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

03/03/2021 09h02Atualizada em 03/03/2021 09h56

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro registrou queda de 4,1% em 2020, na comparação com 2019, afetado pela pandemia do coronavírus. É o maior recuo anual da série iniciada em 1996. Essa queda interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB acumulou alta de 4,6%.

No quarto trimestre, o PIB apresentou alta de 3,2% na comparação com trimestre anterior, mas registrou queda de 1,1% em relação ao mesmo período de 2019.

Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em valores correntes, o PIB, que é soma dos bens e serviços finais produzidos no país, totalizou R$ 7,4 trilhões no ano passado. O PIB per capita (por habitante) alcançou R$ 35.172 em 2020, recuo recorde de 4,8% em relação a 2019.

O resultado é efeito da pandemia de covid-19, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Mesmo quando começou a flexibilização do distanciamento social, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir, principalmente os serviços que podem provocar aglomeração
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE

Agropecuária é único setor a crescer

Responsáveis por 95% da economia nacional, os setores de serviços e indústria tiveram quedas importantes em 2020. Por outro lado, a agropecuária cresceu.

Veja abaixo o desempenho por atividade no PIB:

  • Consumo das famílias: -5,5%
  • Consumo do governo: -4,7%
  • Serviços: -4,5%
  • Indústria: -3,5%
  • Investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo): -0,8%
  • Agropecuária: +2%

Pandemia gera perda histórica

O ano de 2020 foi marcado pela crise de coronavírus. Em março, com a primeira onda do vírus, a maioria dos estados e municípios determinaram o fechamento do comércio e dos serviços não essenciais na tentativa de achatar a curva de casos e óbitos.

As medidas causaram pouco impacto no PIB do primeiro trimestre do ano, que teve queda de 1,5%, e afetaram em cheio o indicador no segundo trimestre, com uma queda histórica de 9,7%.

A economia chegou a apresentar sinais de melhora no terceiro trimestre, com alta de 7,7%, impulsionada pelo relaxamento de algumas medidas de restrição, mas desacelerou nos últimos meses com a chegada da segunda onda.

Mercado prevê PIB de 3,29% em 2021

A expectativa do mercado financeiro é de que o PIB brasileiro tenha crescimento de 3,29% em 2021, de acordo com o último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (1º).

A projeção está em linha com a do ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou ontem que prevê que a economia do país avance entre 3% e 3,5% neste ano.

A previsão feita por Guedes, em entrevista à rádio Jovem Pan, é mais moderada do que em declarações anteriores. No final de janeiro, em videoconferência com investidores, o ministro disse que a economia poderia crescer até 5% neste ano se o Executivo e o Legislativo parasse de "jogar pedra um no outro".

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