Todos a Bordo

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Reportagem

Levar presidente, atirar laser, voar no juízo final: Boeing 747 faz 55 anos

Em nove de fevereiro de 1969, o Boeing 747 realizava seu primeiro voo. No dia 31 de janeiro de 2023, o último exemplar do modelo fabricado foi entregue à empresa Atlas Air.

Por décadas, aquele que ficou conhecido como a "Rainha dos Céus" ("Queen of the Skies") ou Jumbo, dominou em seu segmento. Mesmo sem ser mais fabricado, ele continua em operação com várias finalidades além de levar passageiros e cargas.

Veja a seguir o Top 10 de Jumbos modificados:

Força Aérea 1

Avião VC-25, conhecido como Força Aérea Um, que leva o presidente dos EUA
Avião VC-25, conhecido como Força Aérea Um, que leva o presidente dos EUA Imagem: Divulgação/Matt Hecht/Guarda Nacional dos EUA

O avião presidencial dos Estados Unidos, o VC-25, é uma versão militarizada do Boeing 747-200. Ele passou por uma série de adaptações para suas novas finalidades.

Ele tem medidas de contra-ataque e é blindado. Ainda é capaz de resistir a pulsos eletromagnéticos resultantes de explosões nucleares. Veja mais aqui.

Avião do Juízo Final

E-4B Nightwatch na base aérea de Travis, nos EUA
E-4B Nightwatch na base aérea de Travis, nos EUA Imagem: Louis Briscese/11.set.2017/Força Aérea dos Estados Unidos
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O avião do juízo final dos EUA é o E-4B Nightwatch. Versão do 747 adaptado para finalidades militares, ele também é blindado e resiste a pulsos eletromagnéticos.

Ele serve como uma base de comando e posto de comunicação para os chefes das forças armadas. O pode se conectar diretamente com o Força Aérea 1 e coordenar os militares em caso de guerra.

Ele é capaz de ficar voando por vários dias sem precisar pousar. Para isso, pode ser reabastecido em voo.

Atirador de laser - YAL-1

Boeing 747 teve um laser instalado em seu nariz do 747 como parte do sistema de defesa de mísseis
Boeing 747 teve um laser instalado em seu nariz do 747 como parte do sistema de defesa de mísseis Imagem: MDA/Departamento de Defesa dos EUA

Essa versão do 747, batizada de YAL-1, era usada para disparar um laser durante o voo. O objetivo era destruir mísseis quando ainda estivessem em fase de aceleração.

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Apesar de ter realizado um teste com sucesso em 2010, o programa foi cancelado em 2011. Em seguida, o avião foi levado para um cemitério de aeronaves para ser transformado em sucata.

Sofia

Avião Boeing 747SP que leva o telescópio Sofia, que ajudou a descobrir água na Lua
Avião Boeing 747SP que leva o telescópio Sofia, que ajudou a descobrir água na Lua Imagem: Divulgação/Nasa

A Nasa, agência espacial norte-americana, usava um 747SP usado como observatório. Batizado de Sofia (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy, ou Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha), ele é uma das mais famosas adaptação do avião da Boeing.

Ele voa a cerca de 13 km de altitude, acima da maior parte do bloqueio infravermelho da atmosfera terrestre. Em voo, ele abre uma porta traseira e permite que um telescópio com diâmetro de 2,7 metros faça as observações sem tantas interferências.

O exemplar foi aposentado em 2022.

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Transporte do Ônibus Espacial

Ônibus espacial Columbia acoplado a um Boeing 747 adaptado para esse tipo de transporte
Ônibus espacial Columbia acoplado a um Boeing 747 adaptado para esse tipo de transporte Imagem: Divulgação/Nasa

O 747 também já foi o responsável por transportar os ônibus espaciais. Dois aviões modificados levavam as espaçonaves dos locais onde pousavam até o centro espacial Kennedy, no Cabo Canaveral (Flórida), de onde eram feitos os lançamentos.

Nesse caso, o interior do avião foi removido para ficar mais leve. Ele também teve a traseira alterada para melhorar o voo com a carga pesada que ficava presa acima da fuselagem.

Dreamlifter

Avião cargueiro Boeing Dreamlifter
Avião cargueiro Boeing Dreamlifter Imagem: Divulgação/18.abr.2013/Bryan Jones
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Embora tenha versões cargueiras, alguns 747 foram adaptados especialmente para levar partes de outros aviões. Batizados de Dreamlifter, eles são usados para transportar componentes do Boeing 787 dos diversos fornecedores até a linha final de montagem da empresa.

Supertanker

O Boeing 747 "Supertanker": capacidade de lançar mais de 70 mil litros de produtos contra incêndios
O Boeing 747 "Supertanker": capacidade de lançar mais de 70 mil litros de produtos contra incêndios Imagem: Global Supertanker Services

Alguns aviões 747 aposentados foram adaptados para combater incêndios. É o caso do Supertanker, com capacidade para despejar até 72 mil litros de água de uma vez.

Ele possui 14 assentos de primeira classe e dois beliches. O objetivo dessa configuração é poder levar a equipe da empresa dona do Supertanker até os locais onde será necessário atuar.

Lançador de foguetes

Stratolaunch Spirit of Mojave, um 747 adaptado para ser plataforma de lançamento de foguetes
Stratolaunch Spirit of Mojave, um 747 adaptado para ser plataforma de lançamento de foguetes Imagem: Divulgação/Stratolaunch
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Um 747 desativado da aérea Virgin Atlantic foi usado para lançamento de foguetes. Mais precisamente, o LauncherOne, da Virgin Orbit.

O avião, que era conhecido como Cosmic Girl, foi vendido após falência da empresa. Hoje, ele pertence à companhia Stratolaunch e é chamado de Spirit of Mojave.

Plataforma de testes

Dois Boeings 747 da Pratt & Whitney usados como plataforma de testes para motores
Dois Boeings 747 da Pratt & Whitney usados como plataforma de testes para motores Imagem: Divulgação/Pratt & Whitney

Algumas fabricantes usam aviões 747 para realizar testes em novos componentes. É o caso da Pratt & Whitney e da General Eletric, fabricantes de motores.

As duas empresas aproveitaram da estrutura do avião da Boeing para experimentarem novas tecnologias. No geral, o motor em teste é fixado ao lado da fuselagem, na parte superior e próximo à cabine. Ali, ele é operado e analisado por uma equipe que fica dentro do avião acompanhando as informações sobre a performance em tempo real.

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Porta-aviões aéreo

Recorte de como seria o Boeing 747 configurado como porta-aviões voador
Recorte de como seria o Boeing 747 configurado como porta-aviões voador Imagem: Domínio Público

Um porta-aviões aéreo chegou a ser cogitado para ser feito a partir de um Boeing 747. Entretanto, ele não saiu do papel.

O objetivo era coletar caças e lançá-los em pleno voo. A ideia contaria com sistema de reabastecimento e duas baias, uma para lançamento e outra para recuperação dos caças.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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