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Bolsa volta aos 100 mil pontos, e dólar cai quase 2% com eleições nos EUA

Investidores acompanham a apuração dos votos de perto e apostam em vitória de Joe Biden (à esq.) - Angela Weiss e Mandel Ngan/AFP
Investidores acompanham a apuração dos votos de perto e apostam em vitória de Joe Biden (à esq.) Imagem: Angela Weiss e Mandel Ngan/AFP

Do UOL, em São Paulo

05/11/2020 17h18Atualizada em 05/11/2020 18h40

Com investidores de olho nas eleições nos Estados Unidos, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 2,95%, aos 100.751,40 pontos. É a maior variação diária desde 8 de junho (3,18%). O Ibovespa não passava do patamar dos 100 mil pontos desde 26 de outubro, quando atingiu 101.016,96 pontos.

A alta, a terceira consecutiva, leva o Ibovespa a recuperar a perda acumulada na semana passada, de 7,22%. Desde terça-feira (3), o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) já valorizou 7,24%.

Já o dólar emendou hoje sua segunda queda consecutiva, de 1,91%, fechando o dia cotado a R$ 5,545 na venda. Com o recuo, a moeda norte-americana chegou ao menor valor desde 9 de outubro (R$ 5,525).

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Mercado aposta em Biden

A desvalorização do dólar frente ao real seguiu o comportamento da moeda norte-americana no exterior, à medida que os investidores acompanham de perto a evolução da contagem de votos das eleições, com o democrata Joe Biden um pouco mais perto da vitória.

A apuração é marcada por disputas judiciais. O presidente Donald Trump fala em fraude — sem apresentar provas — e entrou com processos para pedir recontagem de votos. Nos estados de Michigan e Geórgia, por exemplo, os tribunais impuseram derrotas ao republicano e a contagem segue normalmente, com Joe Biden apontado como vencedor no primeiro e o segundo ainda sem definição.

À Reuters, o time econômico da Guide Investimentos avaliou que "por mais que ainda exista uma quantidade extensa de votos a serem apurados, o mercado já passa a apostar no cenário mais provável: uma vitória de Biden acompanhada pela manutenção da maioria na Casa dos Representantes pelos democratas, enquanto os republicanos seguirão controlando o Senado".

Além disso, há entre os investidores uma forte percepção de que as políticas de Biden colaborariam para um dólar globalmente mais fraco, principalmente com a expectativa de aprovação de novas medidas de auxílio fiscal na maior economia do mundo, o que pode dar apoio a divisas emergentes.

No Brasil, ficou em segundo plano a notícia de que o Senado seguiu a Câmara dos Deputados e rejeitou ontem o veto presidencial que impedia a prorrogação da desoneração da folha de pagamento a mais de 17 setores da economia. Segundo fonte da Reuters, a rejeição significará um impacto não previsto de R$ 4,9 bilhões de reais, a ser acomodado no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021.

"Ofuscada pela eleição americana, a derrubada do veto é negativa para a economia e demonstra a enorme dificuldade que o País tem de ser austero", disseram analistas da Levante Investimentos em nota a clientes.

Como está a contagem?

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as agências de notícias e veículos de comunicação como AFP, AP e Fox fazem extrapolações estatísticas e apontam os vencedores por estado. A AFP chegou a considerar definida a apuração do Arizona — e Joe Biden somava mais 11 votos até a manhã desta quinta-feira (5). A contagem de votos continua no estado.

Todos os veículos indicam que cinco estados ainda estão em aberto:

  • Pensilvânia (20 delegados)
  • Geórgia (16)
  • Carolina do Norte (15)
  • Nevada (6)
  • Alasca (3)

Há dúvida sobre o Arizona, com 11 delegados. Algumas fontes, como a Fox News, consideram garantida a vitória de Biden no estado. Outros, porém, como o The New York Times e a CNN, apontam que Trump ainda pode virar.

Até as 18h de hoje, segundo a Associated Press, Biden liderava com 253 votos, sem os delegados do Arizona. Já o presidente Donald Trump somava 214 delegados.

Confirmando a vitória no Arizona e Nevada, onde lidera por 0,9 ponto, Biden seria eleito independentemente do resultado nos demais estados.

Na Geórgia, com 16 delegados, Trump lidera por 0,3 ponto percentual. Ele também está vencendo na Carolina do Norte e na Pensilvânia, embora a diferença de 1,7 ponto percentual para Biden neste último já tenha sido de 14 pontos. O republicano é favorito para vencer no Alasca.

Para ser reeleito, o republicano precisa confirmar a vitória nesses quatros estados onde lidera, além de virar em Nevada.

Entenda o sistema

No sistema eleitoral americano, os 538 votos do Colégio Eleitoral — ou 538 "delegados" — determinam quem será o presidente. Esses 538 votos são distribuídos entre os estados, de forma proporcional à população de cada um deles. Ganha quem conquistar pelo menos 270 delegados, a maioria simples.

O candidato que ganhar a eleição popular dentro do estado leva todos os votos dele no Colégio Eleitoral — com exceção do Maine e Nebrasca, que dividem seus votos de acordo com os distritos regionais.

(Com Reuters)

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