Bolsa cai pelo 3º dia com desoneração no radar; dólar fica em R$ 4,931

O Ibovespa emendou hoje sua terceira baixa consecutiva, esta de 0,94%, e chegou aos 127.315,74 pontos — o menor patamar em mais de um mês, desde 12 de dezembro (126.403,03 pontos). Em janeiro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) acumula queda de 5,12%.

Já o dólar fechou a quinta-feira (18) praticamente estável, com leve alta de 0,02%, vendido a R$ 4,931. É o quarto dia seguido de ganhos para a moeda americana, que já subiu 1,61% no mês.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

Mercado ainda faz ajustes em meio a pessimismo para os juros nos EUA. "Nesta semana, os agentes passaram a acreditar um pouco menos na possibilidade de corte de juros nos EUA em março e um pouco mais na possibilidade de estabilidade, embora seja válido ressaltar que a previsão de queda ainda é majoritária", disse à Reuters Leonel Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Juros mais altos nos EUA tendem a favorecer o dólar frente ao real. Isso acontece porque, com juros elevados, os investidores redirecionam recursos para o mercado de renda fixa americano, considerado muito seguro. Por outro lado, sinais de que o Fed vai começar a reduzir os juros em breve podem impulsionar moedas mais arriscadas, porém mais rentáveis, como o real.

Desoneração da folha segue no radar dos investidores. O mercado espera por uma reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Em Brasília, a temperatura indica que Haddad terá de ceder, mesmo que parcialmente. Alongar o tempo de transição para acabar a desoneração nos moldes atuais é uma das opções.

Parece ser um dia de retirada de capital estrangeiro da Bolsa. Cabe lembrar que os investidores estrangeiros aportaram muito no Brasil em novembro e dezembro de 2023, e começaram janeiro com uma onda de retirada - com destaque para o dia 16, quando a soma entre o mercado à vista e futuro foi superior a R$ 2 bilhões, segundo dados da Quantzed baseados nos números da B3.
Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed

(*Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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