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Ser 'esperto' e enrolado afugenta dinheiro para criar empresa; veja 7 erros

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Imagem: Getty Images

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

26/11/2014 06h00

Conseguir investimento para uma start-up (empresa de tecnologia iniciante) é um processo demorado e complexo. Segundo levantamento do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), os empreendedores passam por um filtro tão severo para conseguir apoio financeiro que só 1% dos projetos é contemplado. 60% já são descartados numa primeira leitura. Apenas 3% chegam à fase de negociação.

Os que passam pelo crivo ainda têm que percorrer uma via sacra de investidor em investidor. É nessa hora que falhar na negociação põe tudo em risco. Bancar o espertalhão, não ter foco ou transparência são alguns dos erros fatais, segundo especialistas ouvidos pelo UOL na 3ª Conferência Nacional de Investimento-Anjo, na segunda-feira (24), na FGV (Fundação Getúlio Vargas), em São Paulo.

De acordo com Cassio Spina, presidente da entidade, até conseguir os recursos, os projetos em geral são mostrados a cerca de 25 investidores. É quando as ideias são postas à prova. A captação, diz ele, demora, em média, de cinco a seis meses para se concretizar.

Ele afirma, no entanto, que há mais dinheiro disponível para investir do que boas ideias no mercado. Segundo levantamento da Anjos do Brasil, o investimento-anjo no país movimentou R$ 688 milhões de junho de 2013 a junho de 2014 e a previsão é que esse número cresça 20% até junho de 2015.

Veja os 7 principais erros de negociação que impedem que muitas start-ups recebam investimento:

1. Não ir direto ao ponto

Segundo Spina, durante a apresentação do projeto, também conhecida entre as start-ups como "pitch", é comum que os empreendedores expliquem demais, mas sem focar no que a outra parte está interessada em ouvir.

“É importante ficar atento à linguagem corporal, para avaliar a receptividade do ouvinte. Fazer perguntas e pedir retorno sobre o que está sendo exposto são maneiras de corrigir eventuais erros e mostrar que você se interessa não só pelo dinheiro, mas pelo conhecimento do investidor.”

2. Não revelar os riscos

Para Alexandre Vilela, da Intel Capital, o maior erro na negociação do investimento é a falta de transparência na apresentação da empresa. “Os investidores querem saber logo no início quais os riscos e desafios. Quanto mais isso demorar a aparecer, pior, pois afeta a confiança.”

3. Bancar o espertalhão

Daniel Izzo, da Vox Capital, diz que querer levar a maior vantagem possível na primeira negociação é um erro que pode criar desconforto entre o empreendedor e o investidor. “A empresa pode passar por outras rodadas de negociação no futuro, e a relação fica abalada. A negociação não é um jogo de um movimento só”, diz.

4. Perder muito tempo definindo o valor da empresa

Segundo Carlos Kokron, da Qualcomm Ventures, é comum empreendedores e investidores perderem tempo discutindo qual será o valor da empresa, número que dá base às fatias societárias e de retirada de lucros. Às vezes, diz Kokron, a conversa emperra nos 5% a mais ou a menos. 

“Os dois têm que olhar para frente, pensar no negócio no longo prazo. Às vezes, perdemos transações por discussões que não avançam por causa disso”, declara.

5. Não saber quanto precisa e como vai gastar o dinheiro

Para Izzo, é fundamental que o empreendedor conheça seu negócio, saiba quanto dinheiro precisa, como vai aplicá-lo e qual o impacto ele terá no desenvolvimento do negócio.

“Conseguir investidor não é glamour, é necessidade, inclusive de conhecimento de mercado. Com um bom modelo de negócio, é possível escolher o investidor”, afirma.

6. Não estar disposto a ouvir

Segundo Izzo, o investidor gosta de participar de construções conjuntas. Chegar numa reunião com um plano de negócio de cem páginas pode ser negativo se o empreendedor se apegar demais a ele e não aceitar sugestões.

Por outro lado, o planejamento é importante para analisar o mercado e a concorrência. “O investidor é um novo sócio que chega para discutir o modelo. O empreendedor tem que estar disposto a adicionar novas ideias”, diz.

7. Não revelar a ideia do negócio

Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (GVCENN), diz que é comum ser procurado por alunos que querem dicas para sua ideia de negócio, mas têm medo de contá-la e alguém copiar. “Assim, eu não consigo ajudá-los.”

Os investidores afirmam que, em alguns casos, assinam termos de confidencialidade com os empreendedores, especialmente quando envolve números da empresa ou estratégias específicas, mas que isso acaba sendo mais para tranquilizá-los.

“A ideia é 10% e a execução, 90%. Eu sou investidor, não empreendedor”, afirma Kokron. Para Izzo, isso acontece por falta de cultura empreendedora. “O empreendedor tem que passar confiança de que será capaz de executar a ideia quando a empresa for para a rua”, diz.

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