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Loja vende só 4 produtos de R$ 100 para bebês e fatura R$ 750 mil por ano

Márcia Rodrigues

Colaboração para o UOL

Logo que ficou grávida, Jackeline Niehues, 28, que é administradora de empresas e sempre atuou na área de comércio exterior, decidiu que faria o enxoval do seu filho nos EUA. Comprou tudo para o seu bebê lá fora e, quando ele nasceu, em 2012, convidou a amiga, a biotecnóloga Elisa Machado, 26, para abrir um negócio na área.

Hoje, a loja virtual Babydeas, de Araquari (SC), fatura R$ 750 mil por ano comercializando apenas quatro produtos que as empresárias consideram inovadores e com preço até R$ 100: Termo Friends, Sea Band, NoseFrida e Girlie Glue. O lucro não foi revelado.

O Termo Friends é um adesivo monitor de temperatura em forma de bichinho que é ativado pelo calor do corpo. Ele ajuda a controlar a temperatura do bebê por até 48 horas seguidas. O Sea Band é uma pulseira que serve tanto para aliviar enjoo gestacional como o causado em viagens.

Outro produto, o NoseFrida, é um aspirador nasal que ajuda a desobstruir as vias aéreas do bebê enquanto ele não sabe assoar o nariz.

Por último, o Girlie Glue é uma cola 100% natural, feita de agave (planta de origem mexicana parecida com um cacto, que fornece um néctar) e pode ser usada tanto para fixar acessórios nos bebês, como para simular o efeito de gel no cabelo.

Empresa vende para redes de farmácia e lojas de bebê

Os produtos não são vendidos diretamente para o consumidor final. O público-alvo são redes de farmácia e lojas especializadas em artigos de bebê. Niehues diz que o preço é até R$ 100.

"Os produtos são importados e, mesmo com a alta do dólar, eu vendo para as empresas por um preço acessível e retransmito para elas que o valor de revenda não deve ultrapassar R$ 100." Ela afirma, no entanto, que o preço é sugerido e não tabelado, mas que as redes costumam seguir esta determinação.

Segundo a empresária, para conseguir manter esse preço com o câmbio desfavorável para a importação, ela precisou negociar com fornecedores e reduzir a sua margem de lucro. "Tínhamos um bom estoque e isso ajudou também."

Ela diz que todos os produtos que traz para o Brasil são submetidos à análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de entrar no mercado. "Temos quatro produtos aguardando a liberação para começarmos a comercializar." Ela não revela, no entanto, quais são.

Ao todo, ela afirma vender atualmente 5.000 unidades por mês em média, somados os quatro produtos. O carro-chefe é o aspirador nasal. Os preços praticados com os revendedores não foram revelados.

Cravar preço de importados pode afundar empresa

Para Paulo Marcelo Tavares Ribeiro, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), a estratégia de estabelecer o teto de R$ 100 para os produtos não é boa. "A empresária pode seguir esta meta, mas não deveria divulgar para os clientes. Muitos fatores envolvem a comercialização de importados, o valor pode precisar de reajuste e os clientes podem não aceitar."

Ele cita como exemplo as lojas que vendiam produtos de até R$ 1,99. "Elas precisaram elevar os preços e foram muito criticadas pelos clientes que não aceitavam pagar mais em uma loja na qual o teto era de R$ 1,99."

Para Ribeiro, outro ponto que merece atenção da empresária é se, de fato, somente a Babydeas comercializa esses produtos. "Se algum site internacional vender esses itens com um preço mais acessível, o negócio pode ficar comprometido."

Onde encontrar:

Babydeas: www.babydeas.com.br

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