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Aceita calças como pagamento? Veja como free-lancers fogem dos caloteiros

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

O desenhista Maurício Brancalion invadiu a sala de um médico e, quando saiu, tinha um cheque no bolso, diferentemente do que acontece com a maior parte das pessoas que vão a uma consulta.

O valor era por uma história em quadrinhos institucional que Brancalion tinha feito para o médico. "Ele não pagava de jeito nenhum. Tentei diversos contatos, esperei no consultório, mas nunca me atendia. Aproveitei entre uma consulta e outra e entrei. Foi bizarro", conta.

"O médico ainda me disse 'você conseguiu, hein?', dando a entender que não foi a primeira vez que tinha feito isso". O cheque, para alegria do desenhista, tinha fundos. 

A maioria dos profissionais que trabalham por conta própria, os free-lancers, tem histórias sobre pagamentos que nunca vieram.

"Já tive alunos que receberam em forma de produtos, como calças, e não dinheiro", conta o publicitário Ricardo Dória, que dá aulas sobre como ser um profissional free-lancer no projeto A Grande Escola, que fundou em Curitiba (PR).

"Outro não recebeu por um site que fez. Quando tirou a página do ar, o pagamento caiu em dez minutos."

Mercado de free-lancers está crescendo

Segundo Sebastián Siseles, diretor regional para a América Latina do site Freelancer.com, o número de autônomos no Brasil está crescendo, e o interesse dos jovens nesse tipo de trabalho, aumentando.

"Os jovens estão procurando um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, e o maior acesso à ferramentas digitais, como Skype e Google, está mudando o mundo do trabalho", afirma.

Atualmente, na plataforma Freelancer.com, utilizada para negócios entre autônomos e clientes, estão registrados mais de 200 mil brasileiros, sendo 185 mil free-lancers. Segundo Siseles, no ano passado, eram 100 mil usuários do país no site.

Experiência ajuda a prever o calote

Com o tempo de carreira, é possível diminuir o número de problemas, cultivando uma boa clientela e aprendendo a reconhecer potenciais caloteiros. "No começo, a gente acaba aceitando qualquer coisa", afirma Brancalion. "Muitos oferecem trabalho em troca de exposição ou permutas".

Se está começando na carreira e a experiência ainda não veio, a melhor forma para evitar problemas na hora de receber é se proteger antes de iniciar um projeto. "A realidade é que free-lancers raramente processam clientes. O trabalho e o custo de uma ação são muito altos", afirma Dória.

Dicas para evitar tomar o calote em um trabalho free-lancer
  • 1
    Boas referências
    "O que mais protege o profissional é conhecer bem seus clientes. Uma indicação e ver com quem se relaciona, por exemplo, são bons sinais", afirma o publicitário Ricardo Dória. Bom senso também ajuda. "Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Se ele oferecer muito, não deve ser boa coisa"
  • 2
    Contrato
    É bom firmar um contrato. "O cliente caloteiro não vai pagar de qualquer jeito, independentemente de contrato, mas isso estabelece uma relação saudável de trabalho entre as duas partes", afirma Dória. "Assim, se houver algum problema, é só lembrar o que foi combinado. O bom cliente vai respeitar isso"
  • 3
    Entrada
    Se o cliente aceita pagar de 30% a 50% do valor com antecedência, mostra sua seriedade e comprometimento. Quanto pedir, pode variar. "Costumo me basear pelo prazo. Se a entrega do trabalho é mais urgente, terei que me dedicar apenas a ele, por isso cobro uma entrada maior nesse caso", diz o desenhista Maurício Brancalion
  • 4
    Formas de pagamento
    Além da entrada, outra possibilidade é combinar com antecedência para receber o pagamento dividido em partes, antes do início de cada etapa do projeto
  • 5
    Envio do arquivo
    No caso de trabalhos que envolvam imagem, não mande o arquivo em alta resolução para ser aprovado pelo cliente. Envie o trabalho final apenas após receber o pagamento integral
  • 6
    Limitar número de modificações
    Combine antes quantas modificações no trabalho o cliente pode pedir após a entrega, cobrando um extra pelo que excede o limite. Segundo Brancalion, o número de vezes costuma ser três, mas isso pode ser negociado
Fonte: Ricardo Dória, publicitário e professor, e Maurício Brancalion, desenhista

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