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Inflação, impostos, corrupção: veja pragas que atrapalham suas aplicações

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Di Vasca

O desejo do investidor é conseguir poupar regularmente uma parte de sua renda e aplicar essa poupança nos produtos que melhor o remunerem.

"Mas existem algumas pragas que dificultam muito o caminho do investidor", afirma o educador financeiro André Massaro. "Quando os deuses das finanças e da Economia mandam essas pragas, todos são atingidos", diz.

Veja quais são as dez pragas que mais prejudicam o investidor na opinião do educador financeiro:


1) Inflação
Getty Images

A alta descontrolada dos preços faz com que o valor do dinheiro diminua rapidamente. Assim, a mesma renda compra cada dia menos produtos. Um investimento que pague um rendimento acima da inflação, como o Tesouro IPCA, é uma forma de proteção. Mas o investidor continua tendo o prejuízo de pagar mais pelo que consumir, reduzindo suas economias para investir.


2) Desemprego
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Antes de investir, é preciso poupar. Se o desempregado não tem renda nem para pagar as contas, não consegue guardar dinheiro para investir. Aqui, a proteção é tentar diversificar ao máximo as fontes de renda, ampliar as qualificações e diminuir os custos fixos (aluguel, condomínio, celular etc.) para que, num momento de crise e desemprego, consiga sobreviver.


3) Alta do dólar
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Se o consumidor tem dívidas em dólar, ele pode tentar se proteger fazendo aplicações em fundos cambiais ou comprando a moeda quando tem necessidade dela. Mas os custos são elevados, com impostos e taxas. Além disso, a alta do câmbio também aumenta a inflação, o que torna a praga ainda pior.

4) Aumento de impostos
Elisa Rodrigues/Futura Press/AE

O governo tem liberdade razoável de aumentar os impostos, e, quando isso acontece com um imposto como o ICMS, que incide sobre o consumo, por exemplo, todos são atingidos. "Sem dúvida, é a pior praga, pois mesmo que haja só alguns pecadores, aqui a punição vai para o povo inteiro", diz Massaro. Também há impostos que atingem apenas uma parcela das pessoas, como impostos sobre investimentos ou transações financeiras. "Uma saída é o planejamento tributário, mas há bem pouca flexibilidade para fugir dos impostos."

5) Quebra de instituições financeiras
Arte/UOL

Por mais que o investidor procure se informar, vez ou outra aparece uma notícia da quebra ou fechamento de uma instituição financeira, como no caso recente da Tov Corretora. A precaução a tomar é manter os investimentos dentro do limite do Fundo Garantidor de Créditos. Outra é diversificar investimentos e ficar atento às notícias.

6) Custo de transações financeiras
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Os custos das transações financeiras podem aumentar por iniciativa das próprias instituições ou por questões regulatórias. Quem investe em ações, por exemplo, paga por movimentações na Bolsa. Se há reajustes num setor, todos os investidores daquele grupo são atingidos. Não há como se proteger. 

7) Corrupção e instabilidade política
Casso/UOL

Afetam a economia como um todo. O lado mais visível é a perda das ações da empresa envolvida em escândalos, por exemplo. Mas quando há instabilidade política e econômica, as empresas recuam nos seus investimentos, e a economia fica parada. O investidor pode optar por não investir em ações diretamente ligadas aos escândalos, mas não pode se proteger dos efeitos negativos na economia.

8) Recomendações erradas
Getty Images

Maus profissionais de finanças podem indicar investimentos fora do perfil do cliente, como previdência de longo prazo para quem já é aposentado, ou títulos de capitalização, ou ainda venda casada de produtos dos quais o investidor não precise. A proteção aqui é o estudar e adquirir conhecimentos que o impeçam de aceitar essas recomendações.

9) Tentações de consumo
Apollofoto/Shuterstock

O investidor está fazendo tudo certinho, economizando para sua aposentadoria ou para a compra da casa própria, e aí aparece a tentação do consumo. "É como o diabo seduzindo você. Está juntando dinheiro para comprar um carro, mas a marca famosa de celular lança o último modelo e você acaba com sua poupança", diz Massaro. A proteção, nesse caso, é a disciplina e foco nos objetivos.

10) Pressão de familiares e amigos
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O investidor fez seu orçamento, está economizando e já conseguiu juntar até algum dinheiro. Mas aí surgem as pressões sociais. Um parente que pede dinheiro  emprestado, os familiares que querem mais conforto imediato em vez do objetivo de longo prazo, os amigos que convidam para sair. "Às vezes as pessoas acabam contrariando suas crenças financeiras para tentar diminuir o estresse no casamento ou nas amizades", diz Massaro.

Como se proteger das pragas?

Para Massaro, a melhor maneira de se proteger para tentar minimizar o efeito dessas pragas é com educação financeira.

"Quem consegue gerenciar seus próprios recursos vive relativamente bem em qualquer economia. Não está imune, mas consegue ficar mais resistente do que outras pessoas e até mesmo preparado para aproveitar eventuais oportunidades que surjam nas crises", diz.

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