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Prometeu colocar as contas em ordem no Ano-Novo? Veja como cumprir

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Ano Novo é sempre momento de renovar as esperanças. E também de lidar com contas pesadas para pagar logo após o estouro dos fogos. IPVA, IPTU, material escolar. Para quem começou a entrar na linha recentemente, por vontade própria ou por força das circunstâncias, é hora de olhar para trás e corrigir eventuais erros, inclusive na administração do orçamento doméstico.

Especialistas dão dicas para aperfeiçoar seu orçamento ou montar sua planilha agora.

- Reveja as anotações. Se não anotou nada, comece já

Se você já anota suas receitas e despesas, faça um balanço do ano. A conta de luz subiu demais em 2016? Pode ser algum aparelho com defeito ou alguém da família que esteja demorando demais no chuveiro. "É um bom momento para descobrir falhas nas planilhas, perceber alguma despesa que fugiu do controle ou que simplesmente não foi anotada", afirma Roberto Vertamatti, diretor de Economia da Anefac.

- Anote tudo, mas tudo mesmo

Especialistas afirmam que é preciso lembrar de todas as despesas, até do lanche do trabalho, ou da "passadinha rápida" na farmácia, na padaria ou no mercado. Esses valores, embora individualmente pequenos, quando somados fazem toda a diferença no fim do mês.

- Troque o restaurante pela marmita

"Em vez de comprar lanche ou almoçar perto do serviço, que normalmente é mais caro, pode levar comida de casa ou passar no mercado antes do trabalho", afirma o professor Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper. "Outra boa saída é se juntar com os colegas e comprar um micro-ondas, por exemplo. E daí cada um traz comida de casa e prepara no trabalho."

- Lembretes para pagar as contas no dia certo

Pode ser em agenda de papel, computador, porta da geladeira, alarme no celular. Mas não se esqueça de pagar em dia. A despesa pode crescer 10% por causa de apenas um dia. "Mandar uma mensagem para os nossos usuários alertando sobre o dia de pagar o cartão ajudou a reduzir a inadimplência em 11%", conta Thiago Alvarez, presidente do Guia Bolso, aplicativo de orçamento pessoal para celular.

- Reúna a família para economizarem juntos

Falar sobre finanças em família ainda é um tema difícil. O casal não conversa entre si. E também não divide as dificuldades com os filhos. "A família toda tem que ser envolvida. Isso ajuda muito as crianças, no futuro, a controlarem melhor sua vida financeira", afirma Roberto Vertamatti, da Anefac. A conversa em família pode facilitar, por exemplo, a decisão de abrir mão da TV a cabo, de reduzir o plano de internet ou até de vender um carro.

- Conserte, recicle, reaproveite, faça manutenção

Cuide da manutenção do carro, conserte a máquina de lavar, ponha uma capa de proteção no celular para ele durar mais. "Eu realmente preciso comprar um celular de última geração agora? Não vou aproveitar nem 10% do que ele oferece, provavelmente", questiona Vertamatti. "Deixe passar esse momento de aperto, guarde dinheiro aos poucos e lá na frente compre à vista e com desconto."

- Explore as redes sociais, junte os amigos

As redes sociais podem ajudar você a economizar. Você pode montar grupos de pais para comprar material escolar em quantidade, com desconto. Se o esquema der certo, você pode juntar essa mesma turma uma vez por mês para comprar comida e outros produtos em supermercados que vendem por atacado. E a economia será dividida entre todos.

- Estimule seus filhos a ajudar na economia

Seus filhos também podem ajudar, buscando livros usados com colegas mais velhos e oferecendo os livros deles para os mais novos. Esse processo vai conscientizá-los a cuidar mais de cadernos e livros, permitindo reaproveitamento. "Faz bem para o bolso e também para a natureza", declara Vertamatti.

- Renegocie suas dívidas com o banco

Os bancos também sentem a explosão das dívidas atrasadas, e estão mais dispostos a renegociar. Mas é importante que você tome a iniciativa. "Não pode ter vergonha e se acomodar. Quem não tem dinheiro para as despesas do início do ano deve ir ao banco buscar um empréstimo. Não pague apenas parte da fatura do cartão, porque o resto da despesa vai cair no rotativo, cuja taxa é muito maior. Negocie um parcelamento", diz o professor Viriato, do Insper.

- Carro ou casa de praia podem ser a solução

Quem tem dois ou mais carros em casa ou possui outro imóvel e ainda acumula dívidas deve pensar em vender esses bens. "É preciso fazer algum sacrifício" diz Vertamatti. "O sacrifício tem um ótimo efeito para as finanças pessoais. Lá na frente você vai consumir com mais critério."

- Troque o carro por meios de transporte alternativos

A venda de um carro pode gerar muitas economias, sem necessariamente abrir mão de conforto. "Se a pessoa vender o carro e investir o dinheiro, provavelmente os juros daquela aplicação serão suficientes para pagar as despesas de táxi ou do aplicativo de transporte individual (Uber, por exemplo), isso sem contar a economia com gasolina, seguro e impostos", afirma o professor Michael Viriato, do Insper.

- Se o carro é imprescindível, refinancie

Se você usa muito o carro e não pode abrir mão dele, outra alternativa é refinanciá-lo, ou seja, oferecer o veículo como garantia de um empréstimo. "É uma modalidade ainda pouco conhecida. Ao dar um bem como garantia, a taxa de juros do empréstimo cai bastante. Mas se você não pagar, o banco pode ficar com seu carro", explica Viriato.

- Nunca é tarde para mudar

O cheque especial e o rotativo do cartão são as dívidas mais comuns hoje porque não exigem nenhum esforço. Basta gastar além da conta que o banco automaticamente oferece a solução. Mas essa comodidade tem um preço. Ainda dá tempo de mudar: pesquise com seu gerente ou no site do banco as modalidades de empréstimo mais baratas. Se você recebe salário pelo banco, o consignado pode ser uma boa opção.

- Cuidado para não entrar em dívidas sem parar

Pegue o dinheiro de empréstimos mais baratos para pagar as dívidas mais caras. As prestações ao longo dos próximos meses serão bem mais suaves. Mas tome cuidado para não cometer o erro de entrar de novo no cheque especial ou no cartão.

Revise o seu orçamento para descobrir por que a conta continua não fechando. "As pessoas superestimam a própria renda em cerca de 8%. Elas cometem erros bobos, como deixar de descontar os impostos, por exemplo", diz Thiago Alvarez, do Guia Bolso.

Comece a planejar hoje 2018, 2019… e 2048.

Separe uma parte das economias para os imprevistos e, principalmente, para os previstos, como o IPTU, IPVA e material escolar de 2018. "Junte desde já R$ 100 todo mês. Carimbe esse dinheiro e guarde, mesmo que seja na poupança. Você com certeza vai começar 2018 no azul", declara Vertamatti, da Anefac.

Ele sugere ainda separar alguma sobra para despesas que não são prioritárias, mas importantes, como as férias. "É bom também pensar na aposentadoria, agora mais do que nunca, com a reforma que está em discussão no Congresso. Se o jovem guardar R$ 50 todo mês, daqui a 30 ou 40 anos ele vai se aposentar muito mais sossegado."

Lembre que as coisas podem piorar

"Na bonança, as pessoas não se preocupam muito com o dinheiro porque acham que vão ter um emprego melhor amanhã ou vão receber aumento. Elas só se mexem na crise, quando surge o risco do desemprego, e o salário é devorado pela inflação", diz Alvarez, do Guia Bolso.

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