Quais erros evitar para não perder dinheiro investindo no Tesouro Direto

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

O Tesouro Direto está no topo das preferências de recomendação de investimento dos especialistas em finanças pessoais. Possui baixíssimo risco de inadimplência, uma vez que os títulos possuem garantia do governo. Apresenta ótima liquidez, permitindo saques de um dia para o outro. E, principalmente, rende mais do que a poupança, mesmo estando sujeito à retenção de imposto de renda.

Apesar de todas as qualidades e da aparente segurança, é possível, sim, perder dinheiro no Tesouro Direto. Basta investir de forma errada, sem entender como funciona esse tipo de investimento.

Aprenda quais são os principais erros a evitar na hora de sacar seus recursos dos títulos federais.

Sacar o dinheiro quando a rentabilidade está negativa

Ao contrário do que muita gente imagina, alguns papéis do Tesouro Direto podem se desvalorizar de um dia para outro, e o saldo da aplicação pode ficar negativo. Ao ver o saldo no vermelho, muita gente se sente desconfortável e acaba sacando o dinheiro com receio de perder mais.

Essa oscilação negativa pode ser momentânea ou até durar alguns meses. Os títulos com taxas de juros prefixadas (Tesouro Prefixado, antiga LTN) ou atrelados à inflação mais uma taxa prefixada (Tesouro IPCA, antiga NTN-B) estão sujeitos à marcação a mercado. Ou seja, oscilações em índices de preços ou juros da economia afetam o valor diário dos títulos, para cima ou para baixo.

"A recomendação para a pessoa não perder dinheiro com esses papéis é muito simples. Basta manter o investimento até a data de vencimento do título. Ela receberá o juro definido no momento da aplicação, sem nenhuma perda", declara Roberto Indech, analista-chefe da corretora Rico.

Não se planejar e sacar o dinheiro antes da hora

Outro erro comum é a falta de planejamento financeiro. Antes de investir, é preciso definir prioridades, saber qual será a finalidade daquele dinheiro. O ideal é estipular prazos para sua retirada que casem com o vencimento dos títulos oferecidos no Tesouro Direto, além de reservar uma parte da grana para gastos mensais ou fatos inesperados, o que os especialistas chamam de colchão financeiro ou reserva e emergência.

"Se a pessoa não pode esperar até o vencimento do título, vai precisar do dinheiro no curto prazo, dali a alguns meses, ou se está montando um colchão financeiro, o certo é ela aplicar essa parte dos recursos no Tesouro Selic", afirma Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro e especialista em investimentos do Banco Ourinvest.

Ele diz que esses papéis são pós-fixados, acompanhando de perto o rendimento da taxa Selic. Ao contrário dos títulos prefixados ou atrelados ao IPCA, o Tesouro Selic não está sujeito à marcação a mercado, ou seja, não corre o risco de apresentar rendimento negativo de um dia para o outro.

Aplicar sem prestar atenção ao vencimento

É muito comum o investidor aplicar no papel que oferece a maior taxa, sem prestar atenção ao tipo de título (prefixado ou atrelado à inflação) e, principalmente, ao seu vencimento. "Essa situação combina a falta de conhecimento com a falta de planejamento financeiro", diz Roberto Indech, da corretora Rico.

Papéis com vencimento mais distante, como o Tesouro IPCA 2035, geralmente apresentam taxas maiores. Porém, também estão sujeitos a maiores oscilações, positivas ou negativas.

"Mesmo com uma taxa maior, o investidor pode ter perdas se resolver sacar o dinheiro antes do vencimento", afirma Indech. O ideal, explica o especialista, é se planejar financeiramente, combinando o vencimento do título com a necessidade daquele recurso.

Escolher corretora barata, mas esquecer da TED cara

Outro erro comum na hora de aplicar no Tesouro Direto é a escolha do canal de investimento. Você pode aplicar em qualquer título utilizando a plataforma de investimento do banco onde possui conta ou optar por uma corretora independente. A vantagem, nesse caso, é o custo de corretagem, que pode chegar a zero nas corretoras, contra 0,5%, em média, nos grandes bancos.

As aplicações estão sujeitas ao pagamento de duas taxas: a de custódia, equivalente a 0,3% do investimento, e a de corretagem, que varia conforme a corretora ou banco. Você pode conferir aqui as taxas cobradas pelas instituições.

Mas nem sempre aplicar por meio de uma corretora independente é um bom negócio, especialmente se o valor da aplicação for baixo, menor que R$ 2 mil. "Muita gente esquece que existe outro custo, o da TED (transferência entre a sua conta e a da corretora)", afirma Calil.

"Suponha que eu vou aplicar R$ 1.000 por meio de uma corretora. Mas tenho que pagar R$ 10 de tarifa para fazer a TED para essa corretora. Mesmo que a taxa de corretagem seja zero, eu ainda vou gastar 1% do meu investimento só para transferir o dinheiro. Nesse caso, é melhor eu aplicar no Tesouro Direto por meio do meu banco mesmo, onde o custo é só de 0,5%", diz o especialista.

Conheça as opções de investimento do Tesouro Direto

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