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Quer ganhar com a Bolsa sem ter que acompanhar as ações todo dia? Veja como

Téo Takar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Rendimentos altos em aplicações de baixíssimo risco estão ficando no passado. Com os juros em queda, o caminho natural para quem quer ganhar mais é diversificar e aplicar uma parte do patrimônio em investimentos de maior risco, como a Bolsa de Valores, segundo especialistas.

Para quem não tem tempo ou disposição para acompanhar diariamente o comportamento das ações, a sugestão é montar uma "carteira de dividendos". Veja como fazer isso.

O que são dividendos?

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Quando uma empresa que tem ações na Bolsa vai bem e tem lucro, precisa repartir parte desse lucro com seus acionistas. É uma espécie de prêmio pago aos investidores. Isso é chamado de dividendo. Por lei, as empresas com ações na Bolsa são obrigadas a distribuir, no mínimo, 25% do lucro anual, mas várias pagam bem mais que isso --algumas distribuem até 100% do lucro.

Um exemplo: uma empresa lucra R$ 100 milhões no ano. Ela decide distribuir 50% desse lucro aos acionistas (são R$ 50 milhões). Como ela tem 25 milhões de ações no mercado, cada ação receberá R$ 2 em dividendos. Um investidor que tem 100 ações receberá R$ 200.

Com que frequência os dividendos são pagos?

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Os dividendos podem ser pagos uma vez por ano, uma vez por semestre ou até mensalmente. Cada empresa decide a periodicidade e deve informar aos acionistas qual é sua política de distribuição.

O que é uma carteira de dividendos?

Danilo Verpa/Folhapress

"O conceito de uma carteira de dividendos é obter ganhos com ações de empresas que remuneram seus acionistas acima do previsto na legislação, ou seja, dos 25% do lucro", afirma Pedro Galdi, analista da corretora Magliano.

"A ideia é selecionar empresas que ofereçam uma taxa de retorno maior do que a renda fixa, apenas considerando o pagamento de dividendos. Esse retorno não considera a evolução do preço da ação na Bolsa, o que pode possibilitar ganhos ainda maiores."

Como montar uma carteira de dividendos?

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As principais corretoras que atuam na Bolsa de Valores divulgam mensalmente carteiras com sugestões de ações nas quais investir. Entre essas recomendações está a carteira de dividendos. Também é possível montar sua própria seleção, seguindo algumas orientações de especialistas.

O estrategista de investimentos da Guide, Luis Gustavo Pereira, recomenda empresas que apresentem geração de receitas constante e sejam menos sujeitas ao desempenho da economia do país.

"Companhias de concessões em geral --como energia, ferrovia e rodovias-- possuem resultados bastante previsíveis porque as receitas estão previstas em contrato, e grande parte dos investimentos em construção ou ampliação da infraestrutura já foi feita. Desta forma, você tem um fluxo de pagamento de dividendos constante."

Carteira de dividendos tem riscos?

Andrea Comas/Reuters

Sim. Como qualquer investimento em renda variável, as ações podem subir ou cair, inclusive bruscamente, de um dia para o outro. Porém, segundo os analistas, as ações de empresas boas pagadoras de dividendos têm característica defensiva, ou seja, tendem a cair menos quando o mercado todo está negativo, mas também sobem menos quando o cenário é de otimismo.

"Carteira de dividendos não é uma renda fixa. É um investimento arrojado, como qualquer aplicação em Bolsa. Mas ela apresenta uma boa relação entre risco e retorno, principalmente para quem já investe em ações e não quer se expor tanto à volatilidade [oscilações] do mercado", afirma Roberto Indech, analista da corretora Rico.

Quanto dinheiro é preciso para começar?

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Os analistas recomendam reservar pelo menos R$ 30 mil para o pontapé inicial em uma carteira de ações. "O preço das ações na Bolsa normalmente varia entre R$ 10 e R$ 50 cada. Como as compras são feitas normalmente em lote de 100 ações, você vai precisar de cerca de R$ 30 mil para montar uma carteira com cinco ou seis empresas diferentes", afirma Pereira, da Guide.

Segundo ele, um volume menor de recursos pode não compensar os custos de negociação. Apenas a taxa de corretagem gira em torno de R$ 10 por operação. Além disso, ele recomenda que a carteira tenha um número mínimo de cinco empresas para garantir a diversificação do investimento e reduzir os riscos.

Até quanto devo investir em ações?

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Pedro Galdi, da corretora Magliano, recomenda que o investidor direcione, no máximo, 20% do patrimônio para ações.

"Não se pode botar todos os ovos na mesma cesta. A ideia aqui é diversificar investimentos. O ideal é que ele tenha sua reserva de emergência garantida, além de uma boa parte do capital em outras aplicações de renda fixa. A renda variável tem como finalidade obter ganhos extras, especialmente no longo prazo."

Qual deve ser o prazo da aplicação?

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O objetivo da carteira de dividendos é obter retornos consistentes em prazos longos. "Como o conceito se baseia no pagamento de dividendos, o investidor tem que esperar no mínimo um ano para completar um ciclo de pagamentos. Não faz sentido desmontar a carteira antes disso", afirma Pedro Galdi.

"Eu recomendo que a aplicação seja feita por vários anos. Você pode usar os dividendos recebidos para comprar mais ações e aumentar o fluxo de recebimentos ao longo do tempo. Ou pode transformar os dividendos em um complemento de aposentadoria, por exemplo."

O fato de o investimento em dividendos ser de longo prazo não significa que a carteira deva ficar engessada. "Você não deve simplesmente comprar as ações e sentar em cima. É importante acompanhar periodicamente a empresa, especialmente as projeções de resultados e de pagamentos de dividendos para os próximos trimestres. Se houver um imprevisto nos negócios da companhia, o preço da ação pode cair ou ela pode parar de pagar dividendos. Nesse caso, não vale a pena manter o papel na carteira", diz Roberto Indech.

Como comparar dividendo com renda fixa?

Brasil Escola

Primeiramente, é preciso saber qual é a relação entre os dividendos pagos e o preço da ação --isso é chamado de "dividend yield". Por exemplo, se você pagou R$ 100 por uma ação e, após um ano, a empresa distribuiu R$ 10 em dividendos para cada ação, a remuneração foi de 10%.

Para saber o "dividend yield" de uma ação, você pode consultar tabelas de relatórios de corretoras ou de consultorias de mercado. Também é possível fazer a conta manualmente. Você terá que pesquisar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou no site de relações com investidores (RI) da empresa os dividendos pagos nos últimos 12 meses, e dividir o total pelo preço da ação.

O "dividend yield" é um indicador que pode ser comparado com a taxa básica de juros (Selic). No exemplo anterior, se o mesmo valor (R$ 100) fosse aplicado em renda fixa pela taxa Selic atual (8,25% a.a.), o ganho seria de R$ 8,25 após um ano.

Dividendos são isentos de Imposto de Renda. Já as aplicações de renda fixa estão sujeitas à alíquota de IR, que varia de 15% a 22,5%, dependendo do prazo da aplicação. No exemplo dado acima, após um ano, a alíquota seria de 17,5%.

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