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Como começar a investir: as melhores opções com apenas R$ 100

Veja quanto rendem R$ 100 por cinco anos em algumas das opções de investimentos para iniciantes - iStock
Veja quanto rendem R$ 100 por cinco anos em algumas das opções de investimentos para iniciantes Imagem: iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

17/02/2022 11h00

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Você até tem o desejo de começar a investir, mas acha que para isso é preciso ter muito dinheiro? Especialistas ouvidos pelo UOL mostram que isso é um tabu: na prática, há opções para todos os bolsos. Veja abaixo os melhores investimentos para iniciantes com R$ 100. Há alternativas para todos os perfis de investidor —do mais conservador ao mais disposto a riscos.

R$ 100 é pouco dinheiro?

Analistas destacam que é possível começar a investir com pouco dinheiro. Para eles, o surgimento de diversas plataformas de investimento, o desenvolvimento da tecnologia e o avanço da educação financeira no país formaram um ambiente que facilita o acesso das pessoas ao universo das aplicações.

As facilidades criadas pelas ferramentas de investimento e inovações, como o Pix —que não tem custos de operação como TED ou DOC—, permitem que as pessoas façam aplicações com valores baixos e economizem. E muitas corretoras já isentam taxas para investimentos em títulos do Tesouro Direto, por exemplo.

É importante desconstruir o mito de que só vale a pena investir se for muito dinheiro. Com disciplina e consistência, é possível acumular um patrimônio considerável, no longo prazo, mesmo investindo um baixo valor por mês.
Luciane Almeida, especialista em investimentos e educação financeira do PagBank

Como começar a investir com pouco dinheiro

Antes de escolher o investimento que mais combina com os R$ 100 disponíveis, a pessoa deve seguir certas etapas para não cometer deslizes.

Um dos erros mais comuns é escolher uma aplicação que não casa com o objetivo pretendido, levando a pessoa a ter que secar o dinheiro antes da hora, muitas vezes com perdas.
Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial Investimentos

Veja esse passo a passo sugerido pelo especialista por Luigi Wis, da Genial Investimentos.

1. Resolver as dívidas: para quem tem dívidas —como aquelas no cartão, cheque especial ou crédito pessoal—, é importante tentar quitar a pendência antes de começar a investir. Veja aqui como quitar dívidas.

2. Formar a reserva de emergência: aqui começa a parte do investimento. A reserva de emergência serve como um colchão que protege a pessoa de gastos imprevistos. Confira como ter a sua reserva de emergência.

3. Montar a carteira de investimentos: quitadas as dívidas caras e montada a reserva de emergência, é hora de começar a colocar o dinheiro em investimentos, com resgate respeitando o perfil de investidor e o objetivo de investimento —que define o prazo.

A melhor aplicação para cada caso

Para quem quer montar a reserva de emergência, as aplicações precisam ter liquidez (capacidade de resgate) e baixíssimo risco.

O objetivo dessa reserva é permitir que a pessoa possa fazer investimento de longo prazo sem ter que interromper o projeto (por exemplo: juntar o equivalente a seis salários) e sacar o dinheiro em um momento desfavorável, antes do projeto ser atingido.

Confira abaixo quatro opções que permitem investimentos iniciais e aportes de menos de R$ 100 para a reserva de emergência, segundo especialistas.

  1. Poupança: isenta de imposto, aceita aplicação a partir de R$ 1 e rende 0,5% ao mês. Mas o rendimento só cai na data do aniversário mensal do depósito.
  2. Tesouro Selic: acompanha a taxa básica de juros Selic. Paga Imposto de Renda de acordo com a tabela progressiva; isto é, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor a alíquota, que varia de 15% (aplicação por mais de 4 anos) a 22,5% (se aplicação for resgatada antes de completar 1 ano).
  3. CDB: recomenda-se investir apenas em CDBs que têm liquidez diária e que rendam pelo menos 100% do CDI. Também pagam imposto, como o Tesouro Selic.
  4. Fundos de renda fixa: optar por fundos com liquidez diária, atrelados ao CDI e com taxa de administração baixa (não mais que 0,25%).

[O ano de] 2022 é para pensar em renda fixa, que está com relação risco-retorno muito positiva, apontando para um juro real, porque a Selic segue alta, indo até 12% ou mais, enquanto a inflação deve ir recuando até a casa de 5% a 6%.
Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos

Tenho reserva de emergência, mas não sei meu perfil de risco

Profissionais de mercado entrevistados pelo UOL dizem que a receita para a reserva de emergência é, em linhas gerais, a mesma para todo tipo de aplicador. Mas quando começa a fase de montar a carteira de investimentos para além da reserva de emergência, o investidor precisa descobrir se ela tem perfil conservador, moderado ou arrojado.

Para isso, o aplicador precisa responder a algumas perguntas. As respostas a essas questões vão apontar se ele pode correr mais riscos, por exemplo, de perder parte do dinheiro aplicado.

Algumas dessas questões, por exemplo, são:

  • É uma pessoa com poucas contas para pagar, sem dependentes que dependam da renda?
  • O orçamento é apertado e tem filhos ou pais que precisará socorrer em caso de problemas?
  • É jovem e tem um horizonte longo para aplicar, ou já está na fase madura da vida?

Quanto mais tempo a pessoa tem pela frente, maior a possibilidade de aguardar o melhor momento mais apropriado para resgatar o dinheiro.

Veja aqui como descobrir seu perfil de risco antes de investir.

O mais importante é definir por quanto tempo a pessoa vai investir. Quanto maior o tempo, mais arrojada pode ser a estratégia. As oscilações de curto prazo importam menos. Quanto menor o prazo, mais peso tem as oscilações no curto prazo. Então, nesse caso, a pessoa não pode se expor a risco.
Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico

Já tenho reserva de emergência, mas sou conservador

Para quem formou a reserva de emergência e tem perfil conservados, os entrevistados afirmam que é possível iniciar com investimentos de renda fixa com prazos maiores, incluindo alguns que não têm liquidez diária.

Veja 3 opções:

  1. Tesouro IPCA+: acompanha a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), pagando ao investidor essa variação e mais uma taxa de juros. Esses títulos permitem liquidez diária, porque o investidor pode vender o papel no Tesouro Direto. Mas se fizer isso antes do prazo de vencimento do título pode perder o rendimento ou até receber um valor menor que o aplicado, dependendo das condições de mercado.
  2. Tesouro prefixado: paga uma taxa fixa combinada na hora da aplicação. Assim como o IPCA+, também apresenta risco de perda se o resgate for feito antes do vencimento.
  3. LCIs e LCAs: são títulos de renda fixa ligados ao setor imobiliário e ao setor do agronegócio, respectivamente. São isentos de imposto, como a poupança. Mas apresentam uma carência de 30 dias antes da liquidez diária começar.

Quanto rendem R$ 100 por mês após 5 anos?

Descubra abaixo quanto o investidor pode ter de retorno líquido (descontado Imposto de Renda quando houver) se ele aplicar R$ 100, todos os meses, até fevereiro de 2027, conforme simulação feita na plataforma do Tesouro Direto.

  • Tesouro Selic 2027: R$ 7.293,03
  • LCI/LCA (100% do CDI): R$ 7.466,31
  • Poupança: R$ 7.033,62
  • Fundo DI (100% do CDI e taxa 0,25%):R$ 7.195,55
  • CDB (100% do CDI): R$ 7.255,33

Tenho reserva de emergência, mas sou moderado ou arrojado

Para quem já formou a reserva de emergência e tem perfil moderado ou arrojado, a recomendação dos analistas é experimentar investimentos que apresentam variações de preços maiores que os produtos de renda fixa conservadores. Veja três opções disponíveis no mercado que pedem aplicação inicial ou aportes de até R$ 100.

  1. Fundos de Renda Fixa de crédito privado: são fundos de renda fixa que aplicam em títulos emitidos de empresas, como debêntures. Esses fundos podem apresentar carência de resgate de um mês, por exemplo. Mas pagam taxas de retorno maiores que os títulos públicos.
  2. Ações ou fundos de ações: com menos de R$ 100 por mês o investidor tem acesso a ações e fundos de ações do mercado brasileiro. Comprando aos poucos e sem necessidade de resgatar antes de três anos, o aplicador pode ir formando uma carteira.
  3. ETFs: são fundos de investimento que têm cotas negociadas em Bolsas de Valores. Costumam seguir índices de mercado, como o Ibovespa (da Bolsa brasileira) ou o S&P 500 (da Bolsa de Nova York).

Investidor mais jovem pode assumir mais riscos, sem responsabilidades financeiras; pode aproveitar faixas mais elevadas de títulos prefixados. Já para aplicações como ações e fundos de ações, é importante que a pessoa tenha um horizonte de pelo menos 3 a 5 anos.
Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.