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Como você pode ganhar dinheiro com a inflação nos EUA, a maior desde 1981

Nos EUA, o reajuste nos preços nos últimos 12 meses encerrados em março chegou a 8,5%; como investir no país agora? - Getty Images
Nos EUA, o reajuste nos preços nos últimos 12 meses encerrados em março chegou a 8,5%; como investir no país agora? Imagem: Getty Images
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/04/2022 04h00

Por conta da pandemia de covid-19, dos desajustes nas cadeias de globais de produção e dos estímulos monetários concedidos pelos governos durante o isolamento social, diversos países se depararam com a disparada dos preços na retomada das atividades. No entanto, nos Estados Unidos a inflação tem crescido a níveis recordes.

Segundo dados do Departamento de Trabalho dos EUA, os preços registraram aumento de 1,2% em março e acumulam avanço de 8,5% em 12 meses, o maior nível desde dezembro de 1981. Mas, além de questões globais, a maior economia do mundo enfrenta aspectos particulares, como a dificuldade de empresas em contratarem colaboradores qualificados.

Diante desse cenário, como os investidores brasileiros podem ganhar dinheiro? É possível encontrar investimentos rentáveis e proteger o patrimônio diante da disparada da inflação nos EUA? Confira abaixo a opinião dos especialistas de mercado ouvidos pelo UOL.

Cenário incerto

Para conter os preços, o Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) elevou a taxa básica de juros do país de 0,25% para 0,50% em março. Na próxima reunião, marcada para maio, o reajuste pode ser ainda maior, de 0,50%.

O chefe de equity research e economia do PagBank, Márcio Loréga, afirma que diversos países viram uma retomada mais acentuada do que o esperado em alguns setores, o que causou um desalinhamento entre a oferta e demanda e prejudicou o mercado.

"No caso dos Estados Unidos, houve uma volta muito mais forte, com a aceleração da geração de empregos e evolução do PIB [Produto Interno Bruto]. A inflação vem subindo e atingindo níveis recordes, o que leva o país a adotar uma postura mais firme para segurar o avanço dos preços", diz Loréga.

Segundo o chefe de economia do PagBank, como no Brasil, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia foi um fator adicional que passou a pressionar a inflação, sobretudo com os reajustes nos combustíveis.

O economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, afirma que os EUA passaram por uma rápida recuperação da economia depois do período mais duro da pandemia. Até fevereiro eram mais de 11 milhões de vagas abertas.

Dessa forma, Olivares declara que deve levar entre dois a três anos para que a inflação volte para o centro da meta, estabelecido em 2% pelo Fed.

Com a inflação em alta e o mercado de trabalho tão apertado como agora, não devemos ver uma queda tão abrupta dos preços, mesmo com a ação incisiva do Banco Central.
Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management

Para o estrategista-chefe da casa de análises Levante Ideias de Investimento, Rafael Bevilacqua, outro fator que pesou para aprofundar o cenário negativo foi o excesso de dinheiro no mercado em um momento de baixo consumo.

"Houve um forte incentivo para a demanda e faltou oferta. Algumas cadeias têm muitas complexidades e levam tempo para serem restabelecidas, como eletrônicos e de veículos", diz Bevilacqua.

Mas como aproveitar a inflação dos EUA para lucrar?

De acordo com Loréga, do PagBank, o investidor pode buscar os títulos públicos do Tesouro americano para tirar proveito do processo inflacionário. As chamadas treasuries —semelhantes ao Tesouro Direto brasileiro— têm opções como as bills (títulos com prazo de pagamento de um ano), as notes (com tempo de retorno de até dez anos e juros semestrais) e as bonds (com prazo entre dez a 30 anos e também com juros semestrais).

Entretanto, o investidor precisa ficar atento. Diferentemente do Brasil, em que historicamente a Selic (taxa básica de juros) fica acima dos dois dígitos, a taxa básica de juros nos EUA é bem menor, o que pode frustrar quem procura uma opção de retorno acima da média.

O especialista declara, ainda, que as empresas do setor financeiro estão entre os ativos que podem se sobressair neste momento. Alguns exemplos são Citibank, JP Morgan, Goldman Sachs e Bank of America.

Mas não vale estar de olho apenas nos lucros ao escolher as ações. "A ponderação fica por conta do crescimento da inadimplência, que deve ser observada caso a caso. Será preciso mais critério na oferta de crédito. E quem tiver mais habilidade vai se sobressair", afirma Loréga.

Na opinião de Gino Olivares, da Azimut, as tensões políticas e turbulências nos mercados globais fazem com que os investidores tenham cautela. Ele acredita que é necessário pensar na proteção do patrimônio.

"Esse não é um momento para grandes apostas ou fazer a compra de ativos apenas a partir da comparação dos ativos com um passado recente. Vale manter posições bem pensadas, não exagerar na tomada de risco, e, principalmente, não pensar que é possível antecipar o ponto de inflexão", declara Olivares.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.