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Estas 10 ações desafiam a crise na Bolsa e estão subindo; vale investir?

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Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/07/2022 04h00

Dez ações do Ibovespa estão enfrentando uma prova de resistência bem maior que qualquer desafio de "reality show" de TV. Elas estão aguentando no azul a queda do Ibovespa, que vem despencando desde abril.

Nos três primeiros meses do ano, estava tudo bem, para todo mundo: o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, valorizou 14,48%, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro. Isso porque o real estava desvalorizado em relação ao dólar, o que significa que era mais vantajoso para os investidores internacionais colocarem o dinheiro no Brasil. Mas aí chegou abril e a maré virou. Veja o que aconteceu e quais são as ações que desafiam essa queda.

O que mudou? A alta da taxa básica de juros dos Estados Unidos, para tentar conter a inflação por lá, mudou o fluxo do dinheiro, que foi deixando a Bolsa de Valores de São Paulo para seguir para investimentos mais seguros nos EUA. Desde então, o Ibovespa já caiu mais de 21%. No ano, a queda é de pouco mais de 5%.

Quais são as ações que vão contra a maré? De todos os mais de 90 papéis do Ibovespa, índice que reúne as empresas mais importantes para a Bolsa, só dez permanecem no positivo desde que a Bolsa começou a cair, mais precisamente a partir de 4 de em abril, segundo a empresa provedora de informações financeiras TC/Economatica. São os ativos heróis da resistência.

Nesse conjunto, estão os seguintes papéis, com valorização de:

  1. Cielo (CIEL3) 24,85%
  2. Eletrobras (ELET6) 20,55%
  3. Eletrobras (ELET3) 13,76%
  4. Minerva (BEEF3) 6,20%
  5. Petrobras (PETR3) 8,91%
  6. Petrobras (PETR4) 8,69%
  7. CPFL Energia (CPFE3) 5,37%
  8. BB Seguridade (BBSE3) 4,69%
  9. Hypera (HYPE3) 4,68%
  10. Banco do Brasil (BBAS3) 3,43%

A variação foi contabilizada de 4 de abril a 20 de julho.

A Eletrobras aparece duas vezes na lista porque tem três tickers diferentes, ELET6, ELET5 e ELET3. Os ativos estão divididos em ações ordinárias (ELET3) e ações preferenciais do tipo A (ELET5) e do tipo B (ELET6). A Petrobras também está na lista duas vezes, por ter ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4) na Bolsa.

O que essas ações têm de diferente? Primeiro, a maioria delas é do setor de energia e financeiro. São empresas que não apanham tanto da inflação e por isso têm a preferências dos investidores. As empresas de energia, por exemplo, têm a tarifa reajustada muitas vezes acima da inflação oficial. As empresas de commodities, os produtos básicos, como petróleo e carne, no caso de Minerva, também se protegeram.

A Eletrobras passou por um processo de privatização, com vendas de ações no mercado. "A companhia vem melhorando e chamando atenção dos investidores, além de que, a longo prazo, esperamos que ela aumente sua eficiência em relação às despesas, principalmente em relação a pessoal", diz Gabriel Gracia, analista da Guide Investimentos. Depois da privatização, segundo ele, o caixa da empresa está mais fortalecido para novos investimentos.

No setor financeiro, chamam atenção Cielo e BB Seguridade. A empresa de meios de pagamento surpreende. Seu trunfo é que, mesmo que se venda menos, por conta da inflação, a Cielo ainda sai ganhando pois está cobrando taxas maiores. Para compensar a queda nas vendas, a empresa abriu um programa de recompra de ações, para adquirir até 13,34 milhões de unidades e vendeu uma empresa nos EUA. Além disso, o setor de meios de pagamento deve crescer aproximadamente 20% em 2022, conforme a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). E a Cielo tem cerca de 25% de participação nesse mercado.

Já a BB Seguridade teve resultado acelerado principalmente devido à Brasilprev, um dos seus principais segmentos. A Brasilprev se beneficia dos juros altos. Além disso, Gracia diz que a seguradora pode ter diminuição da sua sinistralidade, ou seja, vezes em que o seguro é acionado.

E quais vale a pena comprar?

CPFL e Eletrobras

São as queridinhas do momento. Elas oferecem proteção contra inflação. A Mirae Asset estipula preço alvo de R$ 39 para CPFL, o que é uma valorização de aproximadamente 20% e relação aos últimos fechamentos. ELET3 e ELET6 têm preço alvo de R$ 52,08 e R$ 51 e valorização de 17,4% e 12,4%, respectivamente.

Banco do Brasil

Para o BTG, o Banco do Brasil é a melhor ação entre as de bancos e instituições financeiras. O portfólio mais defensivo (e protegido) do Banco do Brasil contra eventuais aumentos na inadimplência é o que chama a atenção do BTG. A XP também recomenda compra. O preço alvo do BTG é de R$ 51, uma valorização em torno de 47% para os próximos 12 meses. A XP estipula preço alvo de R$ 57, com possível ganho de aproximadamente 74% em 12 meses.

Minerva

A processadora de carnes é voltada para o mercado internacional, por isso seu preço é atrelado ao dólar. Como existe a expectativa de a moeda americana continuar batendo no real, pelo menos até as eleições, é uma boa compra. O Safra tem recomendação de compra e preço alvo de R$ 17.

BB Seguridade

O Banco Safra revisou para baixo as estimativas para BB Seguridade (BBSE3), com redução do preço alvo até o final de 2022 para R$ 30,5 por ação. Antes era R$ 31. Mas manteve a recomendação de compra, devido ao perfil defensivo do papel.

Cielo e Petrobras

Por mais que estejam indo bem, boa parte das casas de análise classificaram as duas ações como neutras. A Petrobras por conta do risco de interferência do governo federal na estatal. O forte desempenho recente das ações da Cielo, segundo o Safra, pode já ter atingido seu pico.

Hypera

Desde o final de março, as ações da fabricante de medicamentos vêm aumentando de preço porque a companhia está em negociação com rivais para uma possível aquisição ou fusão, segundo informações do mercado. O BTG recomenda a compra, com preço alvo em R$ 43. Mas alerta que as condições macroeconômicas podem afetar negativamente a empresa. E as negociações podem não se concretizar.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.