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Veja que ações podem subir com volta do Minha Casa, Minha Vida

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/02/2023 04h00

O mercado acredita que o atual preço de algumas ações de construtoras pode valer o risco e o investimento - e até dobrar de valor ao longo de 2023 - com a retomada do Minha Casa, Minha Vida anunciada nesta semana pelo governo federal.

O que muda com o novo Minha Casa, Minha vida?

O programa vai contemplar famílias que moram em áreas urbanas e rurais que recebem até R$ 8.000 de renda bruta por mês e priorizar a população de baixa renda.

A principal mudança é o retorno da Faixa 1, que agora é voltada para famílias com renda bruta de até R$ 2.640. Anteriormente, a renda exigida era de R$ 1.800 nessa faixa.

Boa parte das obras deve se concentrar na Faixa 1. Metade das unidades financiadas e subsidiadas devem ser destinadas a esse público, segundo o governo.

Além disso, o governo vai bancar entre 85% e 95% do valor da casa da faixa mais baixa.

As outras faixas urbanas são a para renda bruta mensal familiar de R$ 2.640,01 até R$ 4.400 e a Faixa 3, que fica entre R$ 4.400,01 até R$ 8 mil. A intenção do governo é contratar 2 milhões de obras até 2026. De 2009 a 2019, o Minha Casa, Minha Vida beneficiou 5,5 milhões de famílias.

E que empresas podem subir na Bolsa com esse programa?

O mercado está otimista com o aumento da demanda das construtoras. Além das de 2 milhões de obras em quatro anos, o fato de o programa incorporar mais pessoas na Faixa 1, que tem mais benefícios, facilita o acesso da população, explica Leonardo Oliveira, analista da Lumi Research.

Acredito que as construtoras mais beneficiadas devem ser Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), que atuam nesse nicho de mercado.
André Fernandes, chefe de renda variável e sócio da A7 Capital

Por ampliar a Faixa 1, esse programa é grande e tem potencial para dobrar o preço atual das ações dessas empresas.
Gustavo Feldhaus Palú, da Allez Invest

MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Plano&Plano (PLPL3), segundo os analistas de mercado, também estão entre as que podem se beneficiar com o programa.

Outra companhia da Bolsa que deve ser beneficiada é a Lojas Quero-Quero (LJQQ3). "Eles vendem material de construção e são muito atuantes na baixa renda", diz Gustavo Feldhaus Palú, chefe de renda variável da Allez Invest, de Curitiba.

Quais são os riscos?

As empresas que estipulam preços alvo para as ações ainda não calcularam qual é o possível ganho que o MCMV pode provocar no mercado.

Isso porque ainda não há clareza sobre de onde vão sair os recursos necessários para o subsídio que o aumento da Faixa 1 vai demandar, segundo Luis Novaes, Analista da Terra Investimentos.

Outro problema são os possíveis atrasos nos repasses de valores que acontecem quando o governo é uma das partes envolvidas, diz Fernandes, da A7 Capital.

É importante avaliar que cada empresa tem suas características, gestão e estratégias próprias, sendo que parte delas atua também em outros segmentos de mercado, lembra Alberto Mattos de Souza, sócio do PMMF Advogados e especialista em negócios imobiliários.

"Por esta razão a avaliação do investidor não deve ser restrita apenas sob a ótica dos possíveis impactos do MCMV, mas também aos fundamentos de cada empresa", diz ele.

Como ficam as ações das construtoras?

  • O Safra recomenda compra da Plano & Plano (PLPL3), com preço alvo de R$ 8,50. O valor atual da ação é R$ 4,40, ou seja, alta de 93,18%.
  • Já a Tenda também é recomendada pelo Safra, com preço alvo R$ 23. A ação custa R$ 4,63, ou seja, pode valer cinco vezes mais.
  • A Direcional tem recomendação de compra pelo J.P.Morgan, com preço alvo de R$ 18. A ação está cotada a R$ 15,88.
  • A Tenda tem recomendação de compra pela Genial, com preço alvo de R$ 6, um potencial de valorização de 32,74% em cima do preço atual.
  • As Lojas Quero Quero são recomendadas pela XP, que acredita que as ações podem chegar a R$ 18 até o fim do ano, alta de 45,87% em relação à cotação atual.

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