Ministro japonês acusado de receber dinheiro não declarado

Tóquio, 21 Jan 2016 (AFP) - O ministro japonês da Revitalização Econômica, Akira Amari, foi acusado pela imprensa de ter recebido quantias consideráveis de dinheiro não declarado, um tema que pode complicar a vida do primeiro-ministro Shinzo Abe antes das eleições ao Senado.

A revista Shukan Bunshun afirma que Amari, homem chave das negociações comerciais da equipe de Abe, foi retribuído, assim como suas secretárias, por serviços prestados a uma empresa do setor de construção do município de Chiba (leste de Tóquio).

"Vamos investigar para esclarecer o assunto", afirmou Amari a uma comissão do Senado, em uma sessão durante a qual foi bombardeado com perguntas da oposição.

"Ouvi sobre este assunto pela primeira vez ao ler o artigo, afirmo sinceramente", insistiu.

"Os políticos têm o dever explicar-se quando existem dúvidas sobre sua forma de obter recursos", afirmou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga.

A revista alega que o ministro recebeu pessoalmente ao menos um milhão de ienes (7.800 euros) em espécie. A publicação foi alertada por um diretor da empresa envolvida, que teria repassado diversos documentos, incluindo gravações de áudio que corroboram as denúncias.

No Japão, a lei sobre financiamento político, geralmente criticada por suas carências, autoriza as doações das empresas nipônicas que registram lucro e não recebem ajuda do Estado.

As quantias oferecidas a Amari e sua equipe em dinheiro ou como jantares e convites alcançaria 12 milhões de ienes (94.000 euros), dos quais cinco bilhões a um colaborador próximo, segundo o informante ouvido pela revista.

O ministro teria recebido o dinheiro após uma intervenção para resolver um litígio entre a empresa e um promotor público, UR, que administra residências de aluguel moderado. UR acabou pagando 220 milhões de ienes em perdas e danos à construtora.

Vários ministros dos governos sucessivos de Shinzo Abe foram obrigados a renunciar por denúncias em seu primeiro mandato, em 2006-2007, e em seu retorno ao poder, no fim de 2012.

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