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Opep mantém produção sem adotar teto, nem cotas por país

Viena, 2 Jun 2016 (AFP) - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se absteve de fixar um teto para produção e cotas por país na reunião semestral celebrada nesta quinta-feira em Viena, ao estimar que o nível atual é "razoável" e que a oferta e a demanda estão convergindo.

Em sua reunião semestral em Viena, o cartel rejeitou a proposta iraniana de voltar ao sistema de cotas por país, e a iniciativa venezuelana de estabelecer um limite de produção para cada membro, formulada por seu ministro, Eulogio Del Pino.

O cartel de 13 países, que responde por um terço do petróleo mundial, escolheu como novo secretário-geral o nigeriano Mohammed Barkindo, que em 1º de agosto sucederá o líbio Abdallah El Badri, e aceitou o Gabão como seu 14º Estado membro a partir de 1º de julho.

O comunicado final do cartel não menciona teto e, segundo El Badri, o número atual de barris produzidos é razoável para o mercado. "O mercado está aceitando", afirmou.

"Continuaremos mantendo consultas (...) o mercado está caminhando na direção certa", comentou com jornalistas o saudita Jaled al Faleh, que participou pela primeira vez como ministro no encontro da Opep, após sua nomeação no mês passado.

A organização, que extraiu 32,3 milhões de barris diários (mbd) no primeiro trimestre do ano, cumpriu com os prognósticos do setor, que não esperava um corte nem um congelamento da produção após a forte alta dos últimos meses, de mais de 80%.

"Não há qualquer urgência para que o cartel atue", observou Christopher Dembik, analista de Saxobank.

"Não pode se falar em decepção, já que os investidores tinham poucas expectativas. Era evidente que a reunião da Opep não resultaria em qualquer decisão concreta, e menos ainda em um acordo sobre um teto de produção", acrescentou.

Compromisso de não produzir maisPressionados por um excedente da oferta e uma demanda fraca, os preços chegaram a cair para 26-27 dólares em janeiro e fevereiro deste ano.

Desde então, subiram mais de 80%, até aproximadamente 50 dólares o barril, à medida que a demanda mundial melhorou e que que a produção de países não membros da Opep caiu.

Segundo o comunicado final, esse aumento dos preços, somado ao fato de que "a oferta e a demanda estão convergindo", aponta para "o mercado em processo de reequilíbrio".

"A oferta de países não membros da Opep (...) chegou ao seu teto em 2015 e começou a declinar, e se espera que em 2016 sua produção caia em 740.000 barris diários", afirmou o comunicado final.

"Espera-se que a demanda mundial aumente em 1,2 mbd (em 2016), depois de aumentar em 1,5 mbd em 2015. Este aumento da demanda continua sendo relativamente saudável, considerando-se os desafios econômicos recentes", diz o comunicado final.

Desde o final de 2014, Riad tem conduzido uma política baseada na produção sem teto em sem cota, a fim de expulsar produtores de petróleo não convencionais (xisto, areias betuminosas, águas ultraprofundas) do mercado, por terem uma produção mais cara.

Os ministros do Irã e dos Emirados Árabes deixaram claro que os membros do cartel não têm a intenção de aumentar a produção.

"Não pretendemos aumentar nossa produção. A intenção da Opep é acompanhar de perto a situação e atuar com responsabilidade", afirmou Suhail al Mazruei, do Emirados Árabes.

"Não recebi sinais de nenhum país que queira aumentar sua produção. Me parece que todos os países são bastante conservadores em relação à estabilização do mercado", explicou o ministro iraniano, Bijan Namdar Zanganeh.

Seu país é uma exceção, já que tem a intenção declarada de recuperar o nível de produção anterior às sanções impostas durante uma década por causa de seu programa nuclear.

O novo secretário-geral do cartel será, a partir de 1 de agosto e por três anos, o nigeriano Mohammed Barkindo.

A próxima reunião ordinária será no dia 30 de novembro em Viena.

avl/lmm./cc/mvv

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