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Entre greves, lixo e inundações, França teme impacto nos turistas

Paris, 9 Jun 2016 (AFP) - Lixo nas ruas, trens parados por manifestantes, protestos violentos, inundações... Situações que podem prejudicar a imagem e a atração da França, mesmo que corra tudo bem na Eurocopa de futebol.

"É catastrófico. Os meios de comunicação internacionais mostram Paris incendiada e a França em conflito social permanente. E os estrangeiros que veem lixo acumulado na frente do Café de Flore imaginam que todo o país está nesse estado!", lamentou nesta quinta-feira em declarações à AFP Jean-Pierre Mas, presidente da entidade que reúne as agências de viagens.

Segundo Mas, "o verão já está esvaziado, pois estamos exatamente no período em que as pessoas reservam suas férias de verão, e não hesitarão em ir para outro lugar".

"Esperamos que em setembro a frequência volte a aumentar", disse Frédéric Valletoux, presidente do Comitê de Turismo da região parisiense.

No famoso café Les Deux Magots, em Saint-Germain-des-Prés, a poucos passos do Flore, o diretor, Serge Bonnin, admite que "não está tendo a mesma frequência neste mês de junho que era habitual nos outros anos".

A alguns metros dali, José Fernando Ogura e Fernanda Andreazza, turistas brasileiros que passaram por Londres, Lille (norte), Rennes (oeste) e pelo Monte Saint-Michel, consideram que "a situação em Paris não é tão catastrófica... É muito pior no Brasil!".

"Não nos sentimos nada inseguros, mas a cidade está muito suja se comparada a Londres", afirmam.

Para Cristoph Kujawa, que veio de San Francisco com sua esposa e filhos, "é pelo contrário o momento mais seguro para vir a Paris pois a segurança está no nível máximo".

"Globalmente, os turistas são muito pacientes e compreensivos, mas há uma decepção, pois quando estamos de férias, não queremos presenciar confusões", disse Denis Juillière, guia de turismo.

Isto sem contar com "as dificuldades que tenho que resolver diariamente: encontrar gasolina para os ônibus, buscar atividades alternativas quando os barcos do Sena estão parados e os museus estão fechados".

Além do turismo de lazer, os profissionais consideram que o turismo de negócios está se vendo afetado por um contexto desfavorável, e que o atrativo econômico da França poderia também estar prejudicado.

Todas as esperanças na EurocopaA Medef, principal organização de empregadores, lamenta que "a imagem caricatural que se transmite à nível internacional é de um país que está sempre em greve. Nos perguntam sempre 'por que o seu país está bloqueado?'. Isso pode melhorar, mas deve ser coerente e constante durante meses".

A diretora-geral Muriel Pénicaud, da Business France, agência encarregada de promover a França no exterior, considera que para os "investidores que ainda não aplicaram na França, é mais um freio psicológico. É preciso multiplicar a pedagogia para explicar, decodificar, pôr em perspectiva".

Se não se pode reparar os danos, a Eurocopa de futebol (10 junho a 10 de julho) poderia ser a ocasião para atenuar os impactos negativos.

"A Eurocopa pode gerar uma nova dinâmica, pois as partidas e o que acontecer ao redor delas darão segurança e uma boa imagem da França, e será possível voltar à falar sobre as coisas positivas", considera Christian Mantéi, da Atout France, órgão de promoção do turismo no país.

No caso de uma Eurocopa de sucesso, "a imagem do país será um pouco corrigida. Mas pode-se imaginar o que provocaria o fato de os times de futebol não poderem ser transportados por conta de uma greve?", disse com preocupação Jean-Pierre Mas.

Se a França foi em 2015 o primeiro destino turístico mundial com 84,7 milhões de estrangeiros recebidos, "o dano a longo prazo pode ser importante, pois competimos com outros países" para atrair os turistas, indica Marc Lhermitte, do escritório EY.

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