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Panamá celebra com pompa seu novo Canal

Panamá, 25 Jun 2016 (AFP) - O Panamá inaugura com grande pompa neste domingo a bilionária ampliação de seu Canal, que permitirá ao país fazer bons negócios com o esperado aumento do comércio mundial e o trânsito de buques capazes de triplicar o número de contêineres.

O país centro-americano finaliza os preparativos para receber o buque chinês Cosco Shipping Panama, que inaugurará o novo Canal panamenho, por onde poderão passar navios mercantes com até 14.000 contêineres.

O porta-contêiner chinês, que já se encontra em águas panamenhas, será recebido por mais de 20.000 pessoas, que esgotaram em poucas horas os ingressos distribuídos gratuitamente pela Autoridade do Canal do Panamá (ACP) para o evento.

- Aumento do comércio -O projeto consistiu na construção de uma terceira via para novos jogos de esclusas, uma no Pacífico e outra Caribe, além de outras melhorias.

A reforma permitirá a passagem de embarcações neopanamax, com dimensões de até 49 metros de largura por 366 metros de comprimento, o equivalente a quatro campos de futebol.

Para especialistas, essa ampliação pode representar um aumento do comércio mundial, especialmente com os Estados Unidos e com a Ásia.

"Conseguir ter uma rota ampliada de barcos de maior calagem que podem passar pelo Canal do Panamá abre as portas a produtores e empresas com o mundo", disse à AFP Antonio Domínguez, diretor-geral para a Costa Leste da América do Sul da companhia de navegação dinamarquesa Maersk.

"As perspectivas são de maiores rotas, melhores tempos em trânsito e custos mais competitivos", acrescentou Domínguez.

O administrador da via panamenha, Jorge Quijano, disse à AFP que espera fazer "um bom negócio" com a ampliação, especialmente com o transporte de contêineres, gás liquefeito de petróleo e gás natural liquefeito.

"O que nós estimamos é que no primeiro ano passaríamos de quatro buques por dia, e que isso iria aumentando", disse Quijano. "Estamos muito satisfeitos porque já houve várias companhias de navegação que começaram a mudança de rota", completou.

Passam atualmente pelo Canal panamenho, cujos principais usuários são Estados Unidos, China e Chile, 5% do comércio marítimo mundial, sobretudo entre o país norte-americano e a Ásia.

Segundo as previsões, na próxima década passarão ali 600 milhões de toneladas de mercadoria por ano, o dobro da quantidade atual.

- Espetáculos e shows -Cerca de 250 artistas receberão o porta-contêiner chinês Cosco Shipping com um musical que relata a história do Canal, em um espetáculo de 30 minutos em cada uma das duas novas eclusas.

"O que se fez foi escrever um musical que conta a história desde que foi concebida a ideia de fazem um canal no século XVI até o momento atual, em que estamos inaugurando as obras de ampliação", disse a jornalistas o diretor artístico do musical, Ricky Ramírez.

Ao redor da eclusa de Cocolí, por onde o buque terminará seu trânsito inaugural, há várias grades e telões para acompanhar o espetáculo.

Mais de 11.000 pessoas cuidarão da segurança nos diferentes shows e espetáculos celebrados em todo o país pela inauguração.

"Já tenho uma boa história para contar a meus netos. Como artista e panamenho me sinto completamente tomado pela emoção", disse o cantor local Real Phantom, que participa do musical.

- Panama Papers -Para a inauguração, o Panamá convidou cerca de 70 governantes, entre eles o americano Barack Obama e o chinês Xi Jinpin, mas nenhum dos dois é esperado para o evento.

Entre os convidados estão os mandatários dos 35 principais países usuários do Canal e todos os da América Latina.

Apenas dez devem assistir os atos protocolares, entre eles as presidentes de Taiwan, Tsai Ing-wen, e do Chile, Michelle Bachelet, além de governantes centro-americanos e caribenhos.

Alguns analistas acreditam que o escândalo dos Panama Papers, que revelaram como um escritório de advogados do país criou diversas sociedades "off-shore" para evadir impostos no mundo todo, contribuiu para a fraca representação presidencial.

"As marcas do escândalo ainda estão bem frescas. Percebe-se que deixa o Panamá sem autoridade moral e os governantes se preservam muito", disse à AFP o professor universitário e especialista em Relações Internacionais Jorge Aparicio.

"O fato de não virem representações presidenciais de vários países importantes pode ter um significado político e não dissociado os Panama Papers", concordou Julio Yao, catedrático em Direito Internacional.

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