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Cameron participa de última reunião como premiê britânico

Londres, 12 Jul 2016 (AFP) - David Cameron participou de sua última reunião de gabinete nesta terça-feira (12) após seis anos como primeiro-ministro britânico, com a chegada da nova premiê, Theresa May, que prepara a formação de um novo governo para realizar o Brexit.

No encontro, May homenageou Cameron, que foi descrito pelos ministros como "emotivo", e depois posou para fotos nos degraus da residência oficial, no número 10 da Downing Street.

O fim de Cameron chegou mais cedo do que o esperado após as dramáticas reviravoltas na escolha de quem iria substituí-lo, levando à sua rápida saída do poder em menos de três semanas após a votação da nação para deixar a União Europeia.

May já está sob pressão da liderança do bloco para estabelecer um prazo para o Brexit. Esses líderes alertam que uma demora poderia prolongar os prejuízos em um contexto de incerteza econômica.

"Isso é o que penso que muitas pessoas esperam, torcem e pedem", disse o chefe da Economia da Comissão Europeia, Pierre Moscovici, em Bruxelas.

Enquanto isso, o porta-voz de Jean-Claude Juncker insistia em que o chefe da Comissão Europeia "poderia lidar" com as negociações com May. No domingo, a premiê alertou que Juncker estava prestes a descobrir o quão "difícil" ela poderia ser.

Em uma visita à sede do governista Partido Conservador (centro-direita), que ela agora dirige, May fez um apelo por unidade na saída do Reino Unido do Brexit.

"Agora, mais do que nunca, precisamos trabalhar juntos para realizar o Brexit, para construir um país que trabalhe para todos e para realmente unir nosso partido e nossa nação", insistiu May.

Ela rejeitou uma convocação de eleições gerais antecipadas para assegurar seu mandato pessoal.

"Vamos redobrar nossos esforços. E vamos ter certeza de que faremos um bom uso desse tempo, para construir o suporte que precisamos para o nosso país em quatro anos, e não apenas vencer, mas conquistar uma grande vitória", disse.

Cameron anunciou que deixaria o cargo após a derrota da campanha pelo "Remain", que defendia a permanência do Reino Unido na UE, no plebiscito de 23 de junho.

A secretária de Estado Theresa May, ministra do Interior, foi declarada a nova líder dos Conservadores após a ministra júnior de Energia, Andrea Leadsom, sua única adversária para o cargo, ter retirado a candidatura.

May reflete sobre escolhas para gabineteMay se depara com questões enquanto planeja ativar o Artigo 50 - procedimento para formalizar a saída da UE - que pode levar até dois anos para completar as negociações de retirada.

Embora apoiasse a permanência da Grã-Bretanha no bloco, May manteve um baixo perfil, insistindo em que vai honrar a votação popular, declarando na segunda-feira: "Brexit significa Brexit".

Cameron terá uma reunião com os deputados no Parlamento na quarta-feira, na semana da sessão de perguntas ao primeiro-ministro, antes de se encontrar com a rainha Elizabeth II para confirmar sua renúncia.

A monarca convidará May, de 59, a líder da maioria do partido no Parlamento, para formar um novo governo. Ela será a segunda primeira-ministra britânica, após a conservadora Dama-de-Ferro, Margaret Thatcher.

Uma figura-chave que continuará em Downing Street, é Larry, o gato, confirmou o oficial do gabinete.

Enquanto Cameron visitava uma escola aberta por professores em 2012 para destacar uma das maiores reformas feitas por seu governo, um caminhão de mudança chegava a Downing Street.

Nos mercados, a libra aumentou em relação ao dólar, atingindo $1,30, ainda que esteja ligeiramente abaixo do valor de abertura nesta terça-feira.

Oposição trabalhista agitadaEnquanto isso, a terça-feira se tornou um dia marcante para o principal opositor, o Partido Trabalhista. Seu líder Jeremy Corbyn - muito popular entre os membros antigos - está enfrentando um desafio de liderança com Angela Eagle, após perder a confiança de pelo menos 75 de seus deputados.

O Comitê Executivo Nacional (NEC, em inglês) do partido estava decidindo a portas fechadas as incumbências de Corbyn, assim como Eagle, para assegurar o apoio de 20% dos deputados trabalhistas e membros do Parlamento Europeu para ter o nome dele na liderança da eleição.

As regras do partido são ambíguas, mas os advogados para o membro do NEC ameaçaram a Alta Corte, caso o nome de Corbyn não seja automaticamente colocado na disputa.

Eagled pediu a Corbyn que "controle" seus apoiadores, depois que um tijolo foi jogado contra a janela de seu gabinete. Corbyn pediu calma e condenou a violência e a intimidação na corrida pela liderança.

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