VW prepara mais dinheiro para enfrentar escândalo de motores a diesel

Frankfurt am Main, 20 Jul 2016 (AFP) - A Volkswagen constituiu provisões suplementares de 2,2 bilhões de euros para enfrentar o escândalo dos carros adulterados. Seus, lucros, entretanto, superaram as previsões e impulsionaram o grupo alemão na Bolsa de Frankfurt.

"O resultado operacional do grupo nos primeiros seis meses do ano foi de 7,5 bilhões de euros, apesar do impacto econômico do caso dos motores a diesel", indicou a Volkswagen (VW) de forma imprevista, antes da publicação de seu balanço semestral.

Esse lucro é maior do que o mesmo período do ano passado (de 6,99 bilhões de euros) e está igualmente acima dos 6,8 bilhões de euros previstos pelos analistas consultados pelo provedor de serviços financeiros Factset.

O lucro cai para EUR 5,3 bilhões, una vez descontados os EUR 2,2 bilhões para enfrentar os "riscos legais na América do Norte", afirmou o grupo.

A esse valor somam-se os 18,2 bilhões de dólares (16,2 bilhões de euros) já separados para enfrentar os custos do escândalo, que estourou no ano passado, de que a VW instalou em 11 milhões de veículos um programa que falsificava os resultados das emissões de gases poluentes.

Bolsa se entusiasmaO relatório foi recebido com entusiasmo pelos investidores. Às 13H30 GMT (10H30 horário de Brasília), a ação da VW subiu quase 6% na bolsa de Frankfurt.

"Os lucros do segundo trimestre nos surpreenderam. Apesar do 'Dieselgate', esse é o melhor resultado trimestral do VW", disse Michael Punzet, analista do DZ Bank.

"Mas com a ausência de outras informações, fica difícil para nós apreciar a consistência dos dados publicados nesta quarta-feira", acrescentou.

Por causa da crise, VW, dona de doze marcas (entre elas Volkswagen, Seat, Audi, Skoda e Porsche) registrou em 2015 seu primeiro exercício anual deficitário em mais de duas décadas, com perdas de 1,6 bilhão de euros.

Os especialistas estimavam que a provisão inicial seria insuficiente para pagar as indenizações e multas e custos judiciais relacionados com o caso. Alguns especialistas estimam que a firma deverá desembolsar de 20 bilhões para 30 bilhões de euros para acabar com o escândalo.

No fim de junho, o grupo, que tem um quadro de aproximadamente 600.000 funcionários no mundo todo, aceitou pagar 15 bilhões de dólares para evitar um processo civil nos Estados Unidos, onde também enfrenta uma investigação penal por fraudes em cerca de 100.000 veículos de três litros de cilindrada.

A empresa também é objeto de diversas denúncias em outros países, em particular na Europa e no Canadá.

Financeiramente, VW tem bases sólidas, com vendas anuais de cerca de 200 bilhões de euros. Suas linhas de crédito permite um desembolso de até 50 bilhões de euros sem abandonar projetos, segundo analistas.

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