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Compromisso renovado na COP13 tentará reverter perda da biodiversidade

Cancún, México, 4 dez 2016 (AFP) - Após anos de imobilidade dos governos para salvar seus ecossistemas, a 13ª Conferência da ONU sobre Biodiversidade definiu no sábado novas medidas que transcendem o turismo e a agricultura, em um grande esforço para reverter a perda iminente de espécies.

Os mais de 190 países que formam o Convênio sobre Diversidade Biológica (CDB) e que se reúnem na cidade caribenha mexicana de Cancún aprovaram em 2010 uma série de objetivos - chamados metas de Aichi - para frear a exploração excessiva dos ecossistemas, bem como reverter a poluição do ar e das águas, entre outras coisas.

Mas pouco foi feito para atingir estas metas, cujo prazo vence em 2020, e o estado da biodiversidade se degradou criticamente.

"A vida no planeta Terra e nosso futuro comum estão em jogo", reconheceram os países no sábado, em uma declaração aprovada por unanimidade em Cancún.

"É urgente tomar medidas contundentes de forma responsável para garantir a sobrevivência da riqueza biológica", assinalaram.

Segundo a ONG ambientalista World Wildlife Fund (WWF), em 2020 "é possível que o mundo seja testemunha de uma diminuição de dois terços da população da fauna mundial em apenas meio século".

Esta catástrofe iminente compromete necessidades básicas dos humanos, como garantir a saúde, o abastecimento de água limpa e a segurança alimentar, ao mesmo tempo em que elevaria as taxas de pobreza e a possibilidade de desastres naturais.

Diante deste panorama, o anfitrião México levou à mesa líderes dos setores agrícola, florestal, pesqueiro e turístico - que têm um impacto negativo sobre a biodiversidade - e a Declaração de Cancún se concentrou na ideia de integrar na agenda destes setores a importância de conservar a biodiversidade.

A declaração será enviada à Assembleia Geral da ONU e marcará a pauta do restante da conferência (COP13), que se estenderá até o próximo dia 17.

"Acredito que começamos a romper as barreiras da linguagem, e não falo daquelas entre nossas diferentes línguas maternas, mas daquelas entre os diferentes jargões que usamos em nossos respectivos setores", disse o secretário-executivo do CDB, Braulio de Souza.

- Resultados decepcionantes -A COP13 começou na sexta-feira entre pessimismo e pressa diante da evidência de que quase dois terços das metas de Aichi não serão alcançadas nos quatro anos que restam de prazo.

As pressões sobre a diversidade biológica "seguem presentes, em boa parte pela demora dos governos nacionais para adotar medidas efetivas para impulsionar a conservação", indica um comunicado dos organizadores.

O CDB emitiu um relatório no qual afirma que entre 6% e 44% dos documentos sobre as 20 diferentes metas "contêm informação que sugere que não ocorreu nenhuma mudança significativa, ou que o país está se afastando do cumprimento de uma determinada meta".

Assim, a nova Declaração de Cancún devolveu o entusiasmo a alguns líderes, que acreditam que a iminente catástrofe ainda pode ser revertida.

"É apenas questão de vontade política", disse à AFP Erick Solheim, diretor-executivo do Programa para o Meio Ambiente da ONU, apostando na "enorme capacidade de recuperação que a natureza tem".

- Boas notícias -Durante a sessão plenária, o Brasil anunciou um programa que deterá a extinção de várias espécies, enquanto a França defendeu a preservação dos recifes de corais, advertindo que 20% deles se perderam irremediavelmente e que outros estão em situação crítica.

A França convocou seus pares a proibir - como fez em agosto - as microesferas plásticas, utilizadas na indúistria cosmética e que contaminam enormemente as águas.

Na Declaração de Cancún, os países se comprometeram a criar políticas e orçamentos que "integrem de forma estruturada e coerente ações para a conservação e utilização sustentável" da biodiversidade, assim como aumentar a cooperação internacional e a transferência tecnológica.

Neste sentido, a Alemanha anunciou que continuará injetando 500 milhões de euros anuais em projetos ambientais no mundo.

O Convênio sobre Diversidade Biológica foi ratificado por todos os Estados membros da ONU, exceto os Estados Unidos, que acompanharam a reunião como país observador.

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