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FMI e Banco Mundial fazem novo alerta sobre protecionismo

Washington, 20 Abr 2017 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) iniciaram sua reunião semestral nesta quinta-feira (20) com um novo alerta sobre o crescente protecionismo e um governo americano hostil ao livre-comércio.

Na abertura formal das reuniões, os líderes das duas instituições, a francesa Christine Lagarde e o americano Jim Yong Kim, pediram que o comércio internacional não seja colocado em risco.

"O FMI não é uma instituição comercial, mas o comércio nos preocupa, porque é um motor importante para o crescimento e é um dos pilares da prosperidade", declarou Lagarde na coletiva de imprensa que marcou o início do encontro.

A diretora do FMI lembrou o elevado número de disputas comerciais causados por medidas protecionistas que chegaram até a Organização Mundial do Comércio (OMC) e, por essa razão, fez um apelo a "não colocar em risco o comércio, que tem apoiado o crescimento" econômico.

Kim ressaltou, por sua vez, que o comércio tem sido "fundamental na redução da pobreza nos últimos 30 anos".

Em um trecho antecipado do discurso que fará na reunião, o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, mencionou que "um sistema multilateral forte (...) proporciona a estabilidade necessária para que o comércio global funcione corretamente".

Em retrospectiva, disse Azevêdo, "em raiz da crise de 1930, uma escalada de protecionismo arrasou com dois terços do comércio global".

Primavera econômica com nuvens

Pela primeira vez em dois anos, banqueiros e ministros das Finanças de todo mundo começaram um encontro em um contexto econômico global mais otimista.

"Bem-vindos à reunião de primavera [boreal]. É conveniente, porque a primavera econômica chegou", afirmou Lagarde, ao abrir os trabalhos, enquanto garoava nas ruas da capital dos Estados Unidos.

Após dois anos de baixas expectativas, o FMI apontou uma tímida reação na economia global.

Em seu relatório semestral, o FMI reviu em alta sua previsão de crescimento global, de 3,4% para 3,5%, um passo modesto, mas que altera o perfil da expectativa.

Nesse novo cenário, espera-se que a reunião de ministros das Finanças do G20, que acontece nesta quinta e sexta-feira, gere discursos otimistas talvez pela primeira vez desde a grande crise de 2008.

Em relação à América Latina, no entanto, o FMI reviu ligeiramente em baixa sua previsão de crescimento, de 1,2% para 1,1%, seguindo um cenário marcado pela incerteza política e estagnação nos preços das commodities.

Apesar da revisão em baixa, Lagarde declarou nesta quinta-feira que o Brasil, maior economia da América Latina, parece estar "fazendo a curva", após dois anos de recessão severa, para começar uma recuperação tímida.

Mas uma nuvem escura paira claramente sobre a reunião.

Com o slogan "A América em primeiro lugar", o presidente dos EUA, Donald Trump, mantém a ameaça de imposição de barreiras comerciais às importações, e se distancia do livre fluxo de comércio e organismos, tais como a OMC.

Embora sem citar diretamente, Lagarde e Kim fizeram uma referência clara às ameaças de Trump.

Fator europeu

Ao mesmo tempo, a reunião começou, como ocorreu no ano passado, sob a incerteza que representa a saída do Reino Unido da União Europeia.

A reunião do FMI e do Banco Mundial no segundo semestre do ano passado aconteceu sob o choque do referendo que decidiu pelo Brexit. O encontro ocorre depois que Londres deu início, em 29 de março, ao árduo processo de saída do bloco.

Para agravar o clima de incerteza, o Parlamento britânico aprovou uma iniciativa da primeira-ministra Theresa May para convocar eleições antecipadas em 8 de junho.

Ao mesmo tempo, os franceses vão às urnas no domingo para votar no primeiro turno de uma eleição presidencial com vários candidatos que empregam uma retórica agressiva contra a integração europeia.

De acordo com Lagarde, uma eventual vitória da candidata da extrema direta Marine Le Pen pode causar "uma desordem grave" na UE.

A questão das barreiras comerciais pode se tornar o centro dos debates entre os líderes do G20. Em março, após forte pressão dos Estados Unidos, eles chegaram a emitir uma declaração sem o tradicional apelo para que medidas protecionistas sejam evitadas.

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