Fed desafia indicadores e se prepara para elevar os juros

Washington, 12 Jun 2017 (AFP) - Pela segunda vez no ano, o Federal Reserve (banco central americano) parece decidido a elevar a taxa de juros, apesar dos sinais de que a maior economia mundial não está em plena forma.

Recentes indicadores poderiam ter esfriado as intenções de subir os juros na reunião de política monetária de dois dias que o Fed dará início nesta terça-feira.

Entretanto, a expectativa é de que na quarta-feira seja anunciado um endurecimento da política monetária, o que poderia levantar dúvidas sobre os outros dois aumentos esperados para este ano.

Em sua reunião do mês passado, o Fed manteve seus juros entre 0,75% e 1,00%, e os membros do banco central disseram que esperavam ver se dados futuros sustentariam um novo aumento.

Indicaram que o baixo crescimento da economia no primeiro trimestre foi algo "provavelmente" transitório e que "em breve" os juros seriam elevados.

Essa visão gerou críticas de quem considera que os prognósticos dos membros do Fed não tomam decisões com base nos indicadores.

"Parecem mais comprometidos a chegar a uma versão do que consideram normal do que a seguir os números", disse à AFP Jared Bernstein, assessor econômico do ex-vice-presidente Joe Biden.

"Isso é um pouco desconcertante porque a presidente (do Fed Janet) Jellen e outros haviam dito que dependiam dos dados", acrescentou.

- Dados fracos -Desde a reunião de maio do Fed, a economia dos Estados Unidos não se mostrou muito melhor do que antes, especialmente em duas áreas-chave para a entidade: emprego e inflação.

Dados oficiais apontam uma queda na criação de empregos e uma redução da força de trabalho. A criação de empregos entre março e maio foi 40% menor do que a do trimestre anterior.

A inflação se encaminhava para a meta de 2%, com a taxa anual a 1,7% em abril.

O crescimento do PIB do primeiro trimestre foi revisado em alta, de 0,5% para 1,2%; mas continua sendo considerado baixo.

Diante desses dados fracos, o otimismo do Fed sobre a estabilização da inflação em 2% no médio prazo tem gerado críticas em alguns âmbitos.

Os economistas J. Bradford DeLong e Narayana Kocherlakota, acusaram nos últimos dias o Fed de exagerar sobre a força da economia americana e da inflação.

"A matemática elementar diz que as previsões verossímeis foram subestimadas na metade do tempo e não chegaram à meta", escreveu DeLong.

Apesar das dúvidas crescentes, os mercados estimam que existe 99% de chance de o Fed anunciar na quarta-feira um aumento dos juros. Mas os analistas estão divididos sobre o aumento dos juros no restante do ano.

"Apesar da inflação fraca, que poderia pressionar o Fed a dar uma pausa, as condições financeiras flexíveis estão dando espaço para que o Fed continue 'apertando'", disse Mickey Levy da Berenberg Capital Markets.

Joseph Gagnon, do instituto Peterson de Economia Internacional disse à AFP que redução na criação de postos de trabalho pode ser sintoma de pleno emprego.

"Muitos dizem que esse dado é fraco. Eu vejo de maneira oposta", disse, acrescentando que, para ele, há pouco espaço para o crescimento da força de trabalho.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos