Mário Centeno, o 'CR7 das finanças' transformado em capitão do Eurogrupo

Lisboa, 4 dez 2017 (AFP) - O português Mário Centeno, eleito nesta segunda-feira (4) presidente do Eurogrupo somente dois anos após seu início na política, demonstrou seu valor dentro de um governo socialista que presume ter sabido conciliar crescimento e disciplina orçamentária.

As qualidades deste professor de Economia de 50 anos, um homem "culturalmente de esquerda", mas muitas vezes chamado de liberal, foram aplaudidas, inclusive pelo ex-ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble, líder da ortodoxia financeira europeia e que o descrevia em maio como "o Cristiano Ronaldo do Ecofin", o Conselho de Assuntos Econômicos e Financeiros na Europa.

A brincadeira, amplamente retomada pelos meios de comunicação, contribui para transformá-lo no rosto da recuperação de Portugal, um dos elos fracos da zona do euro que teve que recorrer a um resgate internacional para superar a crise da dívida.

Dois anos depois da chegada dos socialistas ao poder, graças a uma aliança inédita com a esquerda radical, o país apresenta o déficit público em seu nível mais baixo em 43 anos de democracia, seu maior crescimento desde 2000 e uma taxa de desemprego no nível de antes da crise.

"A experiência recente de Portugal mostra que é possível na Europa conciliar objetivos de ajuste orçamentário e de crescimento", afirmou Centeno na quinta-feira, anunciando sua candidatura para suceder o holandês Jeroen Dijsselbloem.

- 'Contribuir para o consenso' -Seu objetivo, acrescentou, é "contribuir para a criação dos consensos necessários para completar a União Econômica e Monetária" e fazer do euro "um instrumento de promoção de convergência econômica e social".

Filho de um funcionário de banco e de uma funcionária dos correios, este fã de rúgbi e de gastronomia cresceu na região de Algarve (sul) antes de se mudar para Lisboa com 15 anos para estudar.

Formado na prestigiosa Universidade de Harvard, este homem de cabelo grisalho e olheiras bem marcadas admite que esses anos de formação, durante os quais se interessou pela microeconomia, o marcaram.

"Me tornei muito mais sensível às relações entre a Economia e as pessoas", explica. "Às vezes, a macroeconomia esquece que há pessoas do outro lado", afirma.

De volta a Lisboa com sua esposa e seus três filhos, entrou como economista no Banco de Portugal, tornando-se depois subdiretor do Departamento de Estudos Econômicos.

"Era um jovem tranquilo, afável, inteligente e tecnicamente bem preparado", lembra Luis Campos e Cunha, ex-vice-governador do Banco Central.

- Ideologia 'de fusão' -Nada o predestinava a uma carreira política até que o atual primeiro-ministro, Antonio Costa, pediu que redigisse o programa econômico do Partido Socialista e se apresentasse às eleições legislativas de 2015, algo que fez sem renunciar a sua marca de independente.

Completamente desconhecido pelo público quando entrou no governo, Centeno era considerado um liberal nos círculos acadêmicos, devido aos seus posicionamentos favoráveis a uma maior flexibilidade do mercado de trabalho.

Mas ele se nega a se posicionar nas divisões ideológicas tradicionais e advoga por um pensamento econômico "de fusão".

"A única coisa que me define é a minha família e o Benfica", o time de futebol mais popular de Portugal, brinca.

Centeno, conciliador e pragmático, abandonou, por exemplo, a ideia de um contrato único, uma de suas medidas emblemáticas que recomendava para combater a precariedade nos empregos, a fim de não ofender os partidos de esquerda antiliberais, dos quais depende a sobrevivência do governo.

Capaz de corrigir rapidamente a sua falta de experiência política, se tornou um dos pilares do governo ao se mostrar capaz de reduzir os déficits enquanto "virava a página" da austeridade imposta pelo governo anterior de direita.

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