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Grécia e UE se aproximam do fim da odisseia da crise da dívida

21/06/2018 14h56

Luxemburgo, 21 Jun 2018 (AFP) - Os ministros das Finanças da zona do euro discutem, nesta quinta-feira, a possibilidade de saída da Grécia de quase uma década de programas de resgate, embora continuem divididos sobre como aliviar a enorme dívida pública grega.

"Hoje será um momento histórico tanto para a Grécia quanto para a zona do euro", afirmou o comissário europeu de Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, na chegada à reunião dos 19 ministros da zona do euro em Luxemburgo.

As discussões sobre a dívida (cerca de 180% do PIB) são cruciais frente à volta da Grécia aos mercados no próximo 20 de agosto, especialmente quando seus credores querem demonstrar a credibilidade da economia grega após anos de duras reformas.

Em 2010, a Grécia não conseguiu continuar se financiando nos mercados internacionais e teve que recorrer ao financiamento de seus sócios europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que exigiram em troca um duro plano de austeridade.

O primeiro-ministro grego afirmou nesta quarta-feira estar perto de um acordo. "Estamos perto do momento de colher os frutos de anos de sacrifícios e esforços difíceis", destacou Alexis Tsipras, cujo país quase deixou a zona do euro em 2015.

Os ministros das principais economias da zona do euro - o alemão Olaf Scholz e o francês Bruno Le Maire - destacaram o "ótimo trabalho" de Atenas. E Mário Centeno, chefe do Eurogrupo, disse estar "otimista" para um acordo nesta quinta.

O crash financeiro mundial de 2008 se transformou em uma crise da dívida no bloco europeu, que impactou especialmente os países do sul da Europa, como Grécia, Chipre, Espanha ou Portugal. Suas consequências ainda são sentidas.

Apesar de um crescimento de 1,4% do PIB em 2017 e 1,9% estimado para este ano e de um excedente orçamentário de 0,8% (-15,1% em 2009), a Grécia continua a manter o nível da dívida mais elevado da zona do euro, bem como o (20,8% em fevereiro).

- Depois da odisseia -A Alemanha, principal credor dos 273 bilhões de euros de ajuda do qual a Grécia se beneficiou desde 2010, e os países do norte exigem agora, para acordar um alívio da dívida grega, um acompanhamento de perto da Grécia após os resgates.

A discussão sobre como reduzir a dívida grega gira em torno de estender o vencimento dos empréstimos existentes ou de comprar os mais caros, explicou Moscovici nesta quarta.

"Há outros elementos" e "finalmente, o acordo será baseado em uma boa articulação de todos eles", disse a ministra de Economia espanhola, Nadia Calviño, para quem um acordo permitirá fechar "o capítulo da crise".

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, que participa da reunião de Luxemburgo, também é partidária de aliviar a dívida, apesar de não participar do terceiro plano de resgate, por ter considerado a dívida insustentável a longo prazo.

Além da dívida, os europeus preveem acertar, nesta quinta-feira, os últimos detalhes sobre o terceiro programa de ajuda para a Grécia: 88 novas reformas em troca de um último desembolso em julho destinado a um "colchão financeiro".

Berlim pressionou para que o alívio da dívida a curto prazo para a Grécia, por seus credores, seja condicionado a continuar as últimas reformas.

De acordo com uma fonte da UE, "a principal inquietação da Grécia é evitar um quarto programa de resgate ou mostrar que não se trata de um quarto programa". "Mas há reformas que deverão ser objeto de um acompanhamento em profundidade", acrescentou.

O Eurogrupo, que celebra o 20º aniversário de sua criação destacando o "compromisso" no passado para "resistir à pior crise financeira e econômica desde a Grande Depressão", deve debater as propostas franco-alemãs de um orçamento da zona do euro.

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