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Fed se reúne para decidir sobre juros após críticas de Trump

30/07/2018 13h19

Washington, 30 Jul 2018 (AFP) - O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) conclui nesta quarta-feira (1º) uma reunião de política monetária na qual deve manter as taxas de juros inalteradas, mas confirmar sua intenção de voltar a aumentá-las ainda este ano, apesar do descontentamento de Donald Trump.

A reunião do Comitê Monetário do Fed (FOMC) começa nesta terça com um clima pesado, sem previsão de uma coletiva de imprensa do presidente da entidade, Jerome Powell, como normalmente acontece.

Na semana passada, o presidente Trump rompeu décadas de tradição de respeito à independência do banco central ao criticar abertamente o curso da política monetária.

Em entrevista, Trump disse: "Não estou satisfeito" com a política de aumentar gradualmente os juros. "Mas, ao mesmo tempo, deixo eles fazerem o que acharem que é melhor".

Na ocasião, o presidente tinha insinuado que o Fed estava impulsionando o dólar, criando, assim, um obstáculo à competitividade das exportações americanas.

Esta crítica da Casa Branca lembrou a pressão política sobre o Fed na época de Richard Nixon ou até de George Bush pai. Contudo, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, garantiu no domingo que Trump "respeita plenamente a independência do Fed".

- Crescimento 'sustentável' -O crescimento econômico Estados Unidos no segundo trimestre registrou alta de 4,1% em 12 meses, seu ritmo mais forte em quatro anos.

De acordo com Mnuchin, trata-se de uma expansão "sustentável". "Não acho que seja um fenômeno de dois ou três anos, acho que estamos em um período de quatro ou cinco anos de crescimento sustentável, de pelo menos 3%", disse o secretário do Tesouro.

As críticas de Trump repercutiram de diversas maneiras. Alan Blinder, ex-número dois do Fed e atual professor da Universidade de Princeton explicou à AFP: "Acho que, infelizmente, temos um presidente que não acredita na independência de ninguém, nem do poder judiciário, nem do Federal Reserva, nem do FBI".

Já Randall Kroszner, outro ex-membro do banco central americano, hoje professor da Universidade de Chicago, foi menos alarmista. "O presidente (do Fed) Jerome Powell disse várias vezes que ser apolítico está no DNA do Federal Reserve", que deve "ignorar estas pressões".

Por ora, a expectativa é que o Fed não aumente os juros, mantendo a taxa básica na faixa entre 1,75% e 2%.

O banco central espera elevar as taxas outras duas vezes neste ano, em um quarto de ponto, se a inflação se estabilizar em torno da meta de 2% (em maio, foi de 2,3%, segundo o índice PCE).

- Incerteza comercial -O Fed se mantém cauteloso devido à incerteza criada pelas tensões comerciais entre Washington e seus parceiros, especialmente China, Canadá, México e Europa.

"Por enquanto, quase não houve impacto macroeconômico das disputas comerciais", disse Kroszner.

Mas de acordo com o último Livro Bege do Fed - um relatório sobre as condições econômicas no país -, a preocupação com as tarifas aplicadas ao aço importado, que levam a um aumento de preços, está se espalhando entre os fabricantes nacionais.

Diante das represálias de Pequim à soja americana, o governo Trump já teve que subsidiar os agricultores. A promessa consiste em comprar 12 bilhões de dólares da sua produção, especialmente desta leguminosa, para compensar os prejuízos.

Para Jim O'Sullivan, da High Frequency Economics, "não há nenhuma razão para que o Fed envie, nesta semana, um sinal diferente" da mensagem de Powell no Congresso há duas semanas. Na ocasião, o presidente do Fed repetiu que um aumento gradual sempre esteve na agenda.