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Pescador em Gaza sobrevive com embarcação de garrafas de plástico

15/08/2018 21h03

Gaza, Territórios palestinos, 16 Ago 2018 (AFP) - Muath Abu Zeid juntou centenas de garrafas de plástico jogadas na costa de Rafah, na Faixa de Gaza, e fabricou um pequeno barco de pesca que lhe permite sobreviver.

Simples, mas eficiente. Este palestino de 35 anos, pai de quatro filhos, usou cola para juntar as 700 garrafas, antigas redes de pesca e uma tábua de madeira para dar forma à pequena embarcação, capaz de levar até oito pessoas, segundo conta.

Há duas semanas parte ao mar durante oito horas por dia e consegue pescar entre cinco e sete quilos de sardinhas, salmonetes e outros peixes pequenos que vende uma vez que pisa em terra firme, e assim consegue fazer entre 20 e 40 shekels (de 5 a 11 dólares) por dia.

Os dois irmãos mais novos de Muath Abu Zeid - Mohamed, de 23 anos, e Ashraf, de 20 - o acompanham no mar pela falta de emprego.

"Sou um pintor artesanal, mas devido à situação (em Gaza), estou desempregado", declara Muath, agora aprendiz de pescador.

"Este barco salvou a minha família e a mim", conta este descendente de refugiados de um povoado perto de Jafa, hoje em dia em Israel.

A Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islamita Hamas, está submetida há mais de uma década a um severo bloqueio terrestre e marítimo israelense. A taxa de desemprego chega a 45%, e 80% dos dois milhões de habitantes recebem algum tipo de ajuda, segundo cifras do Banco Mundial de 2017.

A crise da energia elétrica no enclave costeiro significa que as águas residuais, muitas vezes bombeadas diretamente no mar, deixam a sua linha costeira de 40 quilômetros altamente contaminada.

Muitas pessoas em Gaza dependem da pesca para ganhar a vida, apesar de Israel impor uma região de limitada a nove milhas náuticas no sul do enclave e a apenas seis milhas náuticas no norte, perto do Estado hebreu.

Muath tirou a ideia de sua embarcação do YouTube, onde viu amadores que desenham barcos com garrafas de plástico descartadas por turistas nas praias.

"Gostei da ideia e disse a mim mesmo: 'por que não preservar o meio ambiente e criar uma forma de vida para mim e para a minha família?' E foi isso o que aconteceu", relata sobre a sua criação, que lhe custou 150 dólares emprestados por seu pai.