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Após Moody's e tensão com Bruxelas, Roma espera veredito da S&P

26/10/2018 14h06

Milão, 26 Out 2018 (AFP) - A Itália espera nesta sexta-feira o veredito da agência de classificação Standard & Poor's, que pode reduzir sua perspectiva, como fez a Moody's, quando protagoniza tensões com Bruxelas sobre seu orçamento.

A coalizão de governo, formada pela ultradireitista Liga e pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5E), optou contra o orçamento de austeridade, prevendo um déficit de 2,4% do PIB em 2019 - contra 0,8% prometido pelo governo anterior de centro-esquerda.

Bruxelas rejeitou o projecto de orçamento na terça-feira, denunciando "um claro desvio, líquido, aceito e até reivindicado" das normas europeias.

Observadores estão divididos sobre o que a S&P vai decidir.

Alguns, como o economista Erik Nielsen, da UniCredit, calculam um declínio da perspectiva com a manutenção da classificação BBB, enquanto outros, como Matthew Groues, encarregado da estratégia da Lazard Brothers Management, estimam que a S&P vai tomar a mesma decisão da Moody's.

Em 19 de outubro, preocupada com a lei orçamentária de Roma, a Moody's rebaixou a dívida soberana de Baa2 para Baa3.

- A um passo do alto risco -A Itália desceu para o último nível de categoria para o setor de investimentos, ou seja, emissores de nível médio, mas capazes de cumprir suas obrigações. No entanto, está a um passo da categoria especulativa, ou seja, títulos de alto risco.

A Moody's disse que a perspectiva é estável, o que significa que não vai ser rebaixado novamente nos próximos meses - uma decisão que foi recebida com alívio pelos mercados.

A agência de classificação revisiou 12 bancos italianos e instituições financeiras, incluindo a Unicredit e seis grupos, entre eles o gigante Eni.

"Ao propor um orçamento financiado em grande parte pelo déficit, gerou-se um conflito com a Comissão Europeia e com os mercados", disseram analistas do Fidelity International, Andrea e Alberto Iannelli Chiandetti.

Desde meados de maio, a data de início das negociações para a formação da coalizão Liga-M5E, a Bolsa de Milão recuou 22%, e a proporção entre as taxas de endividamento da Itália e da Alemanha mais do que duplicou - passando de 150 para 309 nesta quinta-feira.

O setor bancário, que tem 372 bilhões de euros de dívida soberana italiana em sua carteira, segundo o Banco Central, foi o mais afetado.

Os mercados e a Comissão Europeia estão preocupados com o orçamento italiano, porque o país tem uma enorme dívida de 2,3 trilhões de euros, o que corresponde a 131% do seu PIB, enquanto o resto da Europa estabeleceu o limite de 60%.

Roma tem até 13 de novembro para apresentar um orçamento revisado para Bruxelas, caso contrário, está sujeito a um "procedimento de déficit excessivo", o que poderia levar a sanções econômicas.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, anunciou na quinta-feira que "confia" na possibilidade de um acordo.

Por enquanto, Bruxelas rejeita todos os confrontos frontais. "É muito importante que o diálogo continue (...) e eu não vou ser a pessoa que interrompe esse diálogo", advertiu o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, na quarta-feira em declarações à AFP.

"Precisamos encontrar uma solução comum porque a Itália está no coração da zona do euro" e "não vejo a Itália sem a Europa", disse ele.

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