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Wall Street dividida entre o interesse e o nervosismo com o bitcoin

30/10/2018 07h19

Nova York, 30 Out 2018 (AFP) - Uma oportunidade fantástica de negócios? O futuro do bitcoin continua sendo incerto, mas isso não impede especulações com a divisa digital e os gigantes de Wall Street de preparar o terreno para investidores mais pesados.

O bitcoin não é negociado na forma de moedas ou notas que podem servir para comprar produtos, como o dólar, ou de metal que pode ser transformado em joias, como o outro. Tampouco é produzido por uma empresa cujas ações são negociadas na bolsa ou está vinculado à reputação de um Estado.

Mas é trocado por dinheiro.

Impulsionado pela euforia no fim de 2017, o bitcoin chegava a 20.000 dólares por unidade. Depois, caiu até chegar à faixa atual, de 6.400 dólares.

A queda pode parecer drástica, mas a volatilidade extrema da criptomoeda - para cima e para baixo - faz a alegria de alguns investidores que enriquecem gerando lucro a curto prazo.

Outros estimam sinceramente que o bitcoin vai se apreciar com o tempo. E, para isso, têm à sua disposição toda uma gama de ferramentas - mais ou menos arriscadas.

- Robô virtual -A forma mais direta é comprar um bitcoin (ou parte dele) nas plataformas especializadas. Os donos desses ativos se expõem ao risco de robôs virtuais, já que as plataformas são regularmente vítimas de pirataria digital.

A chegada, no fim de 2017, de contratos a prazo em várias plataformas de bolsa em direções como o Chicago Board Options Exchange (Cboe) lhe rendeu novo grau de legitimidade.

Esta solução, que consiste em apostar sobre o preço futuro do bitcoin, evita adquiri-los diretamente. Mas é usada sobretudo por investidores profissionais.

Também é possível colocar o dinheiro em carteiras de investimento compostas exclusivamente por bitcoins, como o Bitcoin Investment Trust administrado pela sociedade Grayscale. Mas este produto, reservado a uma determinada categoria de investidores, é negociado apenas diretamente e com custos elevados.

O Santo Graal esperado pelos partidários do bitcoin é a chegada de fundos negociados na Bolsa, replicando as evoluções da moeda digital, o 'bitcoins ETF'.

"Sua chegada é uma prioridade para os investidores institucionais", diz Michael Graham, analista especializado em novas tecnologias na Canaccord Genuity.

Esses investidores, que administram bilhões de dólares em contas de fundos de pensão ou de seguros, até agora relutam em investir dinheiro em um ativo potencialmente lucrativo, mas ainda muito arriscado.

Eles podem ser convencidos se as autoridades, dando sua aprovação aos bitcoins ETF, dão sua legitimidade à moeda virtual ainda associada aos traficantes e uma bolha pronta para explodir.

A Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC) não mostra muita agilidade.

Os irmãos Winklevoss, conhecidos por sua participação na fundação do Facebook, mas também por sua plataforma de criptomoedas, Gemini, tiveram duas recusas. Todos os outros ETFs apresentados tinham o mesmo destino.

A cada vez, a SEC indica que o bitcoin é trocado em plataformas que são na maior parte não regulamentadas e correm risco de serem manipuladas.

- Reputação -Com medo de não ser capaz de gerar muitos recursos em um ativo que ainda não é bem conhecido e mal controlado, atores financeiros tradicionais avançam aos poucos.

Jamie Dimon, diretor do maior banco norte-americano, JPMorgan Chase, se mostrou cético em várias ocasiões depois de considerá-la em 2017 uma "fraude".

Entre os grandes bancos de Wall Street, o Goldman Sachs oferece desde maio seus serviços de agentes de compensação, sem ainda propor seus próprios produtos ligados ao bitcoin.

Alguns foram mais longe.

O Fidelity Investment, um dos maiores gestores de ativos do mundo, lançou na semana passada serviços de corretagem de bitcoin e depósitos reservados para alguns investidores "sofisticados", como fundos hedge.

ICE, a sede da Bolsa de Valores de Nova York, deve lançar a plataforma Bakkt - dedicada aos ativos digitais - em novembro.

Mas os problemas nas plataformas persistem: falta de transparência, conflitos de interesse, ausência de firewalls.

"Como em tudo, leva tempo para atingir a maturidade, e com a chegada de investidores institucionais adicionais, acho que vamos chegar lá", disse Christopher Giancarlo, presidente da agência responsável pela regulamentação dos mercados de derivativos nos Estados Unidos, à emissora Fox Business

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