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Escolas de negócios na China: entre Marx e o dólar

18/12/2018 12h39

Pequim, 18 dez 2018 (AFP) - O que fazer quando trabalhadores decidem entrar em greve? "Chamar a polícia e reprimi-la", responde o professor de uma escola de negócios em Pequim - um reflexo da transformação da China nas últimas quatro décadas, quando completam 40 anos do início de sua transição do comunismo ao capitalismo autoritário.

Embora continue sendo oficialmente um país marxista, as autoridades chinesas favoreceram a criação de escolas de comércio para formar os diretores de suas milhares de grandes empresas, após a transformações econômica iniciada em 1978 para o capitalismo de Estado.

"Há 40 anos, a ideia de existir uma escola de comércio era praticamente inimaginável", lembra Mao Jiye, decano da Universidade Renmin, em Pequim, uma das mais prestigiadas do país.

A China atualmente conta com 300 escolas de negócios.

A desta universidade garante ser a primeira da China a oferecer cursos de MBA - mestrado de negócio que imita o modelo americano. Os alunos aprendem técnicas modernas de direção e gestão de empresas, mas adaptadas à complexidade da economia chinesa.

Todas as empresas estudadas são chinesas, desde a fabricante estatal de eletrodomésticos Haier até as gigantes do setor digital, como Alibaba ou Tencent.

"Aconselham que tenhamos grande imaginação [na aplicação da teoria econômica] porque o mercado está muito diversificado, internacionalizado e em plena mutação", explica Li Tangge, estudante do MBA.

- Proletários e milionários -Cerca de mil estudantes cursam os estudos desta renomada escola de comércio anualmente. Cem deles são estrangeiros.

Esses últimos "tentam conhecer melhor o contexto chinês e como a teoria ocidental se aplica na China", explica Mao Jiye.

Fruto da herança maoísta, as empresas públicas controlam setores estratégicos da economia.

Contudo, o número de bilionários não para de crescer. Segundo dados publicados em outubro, o país já conta com 600 ricos com fortuna superior a 1 bilhão de dólares.

As relações familiares e os contatos continuam sendo um fator crucial para o sucesso econômico em um país profundamente atravessado pela corrupção.

A chamada "economia de mercado socialista" não impede o aumento das desigualdades em um país oficialmente marxista e teoricamente dirigido pelo proletariado.

"Refletimos sobre como ajudar as empresas a aumentar sua produtividade e prosperar. Não acho que isso seja contraditório com os princípios socialistas", defende Mao Jiye.

Após sua nomeação no fim de 2012, o presidente chinês, Xi Jinping, tenta rejuvenescer o marxismo. O Partido Comunista Chinês dispõe de células em empresas privadas - mesmo as estrangeiras.

Contudo, grupos de estudantes universitários que reivindicavam o legado de Marx e enfrentaram as autoridades nas últimas semanas, após terem apoiado trabalhadores em greve no sul do país e defendido os direitos dos trabalhadores.

Um reflexo do nervosismo das autoridades: a palavra "greve" foi reiteradamente censurada nas redes sociais.

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