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Rompimento de barragem da Vale deixa sete mortos e 150 desaparecidos

25/01/2019 23h43

Rio de Janeiro, 26 Jan 2019 (AFP) - Uma barragem de contenção de resíduos da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira (25) na região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, deixando ao menos sete mortos e 150 desaparecidos, pouco mais de três anos depois do rompimento de outra represa em Minas Gerais provocar a pior tragédia ambiental do Brasil.

"Segundo dados confirmados pelo Corpo de Bombeiros, já foram encontrados sete corpos de vítimas", informou o governo de Minas Gerais, acrescentando que ainda há "cerca de 150 pessoas desaparecidas".

O total de vítimas pode ser muito maior, já que no momento do rompimento da barreira havia no local 300 funcionários e "não sabemos quantos foram acidentados porque houve o soterramento [do local]", explicou Fábio Schvartsman, presidente da mineradora Vale, responsável pela barragem.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, destacou que as autoridades "têm feito todo o possível para resgatar sobreviventes, mas sabemos que a partir de agora as chances são mínimas e, muito provavelmente, encontraremos apenas os corpos".

As autoridades detalharam que foram encontradas 270 das 427 pessoas que estavam na zona atingida pelos resíduos.

Em um sobrevoo de helicóptero do qual participou um fotógrafo da AFP, era possível ver várias casas, tratores e uma ponte soterrados sob a lama, bem como várias casas totalmente destruídas.

Os bombeiros tentavam retirar a terra dos tratores para verificar se havia pessoas em seu interior. Por motivos de segurança, vários acessos à cidade, de 39.000 habitantes, foram fechados.

Até agora, ignora-se a causa do acidente. Segundo o presidente da Vale, a represa não era usada há três anos e era verificada regularmente.

A tragédia remeteu ao rompimento, em novembro de 2015, da barragem de Fundão em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, a 125 km de Brumadinho, que deixou 19 mortos e provocou uma enxurrada de resíduos que contaminou terras e rios ao longo do Rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo, até chegar ao mar.

Aquela barragem pertencia à Samarco, empresa controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP-Billiton.

"É incrível: três anos e dois meses depois de Mariana, outro acidente na mesma região e com as mesmas características. Podemos dizer que não houve nenhum avanço com relação às medidas de governo, nem às práticas empresariais. E, no lugar disso, voltamos a discutir as licenças automáticas das obras", disse à AFP o diretor de campanha do Greenpeace Brasil, Nilo D'Avila.

Ele se referiu aos planos de agilização de projetos relacionados ao meio ambiente, impulsionados pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, o ultraliberal Paulo Guedes.

- Gabinete de crise -O presidente Jair Bolsonaro anunciou a formação de um gabinete de crise com ministros e autoridades estaduais.

Bolsonaro, que chegou ao Brasil pela manhã do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, informou que vai viajar na primeira hora de domingo a Minas para sobrevoar a região afetada e avaliar as "medidas cabíveis e possíveis para minorar o sofrimento dos familiares e possíveis vitimas".

"Eu não quero culpar os outros pelo que está acontecendo, mas algo está sendo feito errado ao longo dos tempos", disse o presidente a uma rádio de Brumadinho.

As autoridades locais enviaram vários helicópteros para auxiliar no resgate das vítimas. Em um vídeo divulgado por uma emissora de TV de Minas, era possível ver uma aeronave aproximando-se de duas pessoas presas na lama pela cintura.

A bolsa de São Paulo estava fechada nesta sexta-feira devido ao feriado pelo aniversário da cidade, mas as ações da Vale em Nova York chegaram a cair 10% no meio da tarde.

A localidade de Brumadinho fica a 16 km do museu a céu aberto de Inhotim, que foi evacuado preventivamente, informaram as autoridades locais.