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EUA e China negociam de última hora para resolver disputa comercial

21/02/2019 18h19

Washington, 21 Fev 2019 (AFP) - A apenas oito dias do fim da trégua em sua guerra comercial, representantes dos Estados Unidos e da China iniciaram uma rodada de negociações de última hora nesta quinta-feira (21) para tentar resolver um confronto que preocupa mercados e industriais há quase um ano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu diversas vezes que as negociações vão "muito bem", mas não houve avanços concretos nos três meses desde que foi acordada uma pausa no confronto comercial com seu homólogo chinês.

O ministério do Comércio chinês informou nesta quinta que as duas partes dariam "mais um passo para aprofundar a comunicação.

Contudo, analisas indicam que, com tão pouco tempo restante, as diferenças entre Pequim e Washington dificilmente serão resolvidas antes de 1 de março, portanto o resultado pode ter anúncios menos ambiciosos que os esperados inicialmente por Trump.

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e, do lado chinês, o vice-primeiro-ministro, Liu He, vão protagonizar os dois dias da quarta rodada de negociações.

Depois de reconhecer que as discussões são "muito complexas", Trump disse que poderia modificar a data-limite de 1 de março na qual, caso não consiga as mudanças que deseja em sua relação comercial com a China, o governo americano prevê aumentar de 10% a 25% as tarifas sobre importações chinesas.

"Não é uma data mágica, porque podem acontecer muitas coisas", comentou Trump.

Os Estados Unidos exigem a redução do déficit comercial com a China, mas também mudanças "estruturais", como o fim da transferência obrigatória de tecnologias, o respeito aos direitos de propriedade intelectual, o fim da pirataria e o levantamento de barreiras tarifárias.

Desde julho, Washington e Pequim foram atacados pela imposição de tarifas, aplicadas a mais de US$ 360 bilhões em mercadorias no comércio bilateral, afetando setores industriais de ambos os lados.

- Oferta chinesa -Trump disse que qualquer acordo final será fechado em uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping.

"Tenho certeza de que isso terminará em algo que será mais do que cosmético, mas representará menos do que o pedido", disse William Reinsch, do centro da CSIS em Washington, subsecretário de Estado de Bill Clinton.

"Acho que os dois presidentes", Trump e Xi, "ordenaram aos negociadores que concluíssem um acordo", disse David Dollar, especialista em economia chinesa do Brookings Institution, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Washington.

Pequim poderia oferecer "comprar mais produtos americanos", como a soja, "o que certamente deixará o presidente Trump feliz", disse Dollar.

Segundo a Bloomberg, a China se ofereceu para aumentar a compra de produtos agrícolas americanos, como a soja, em 30 bilhões de dólares por ano.

Consultado sobre o assunto, o secretário de Agricultura americano, Sonny Perdue, disse que era "prematuro" discutir os detalhes.

Depois de considerar que o problema real são as reformas estruturais de propriedade intelectual, ele acrescentou: "Se pudéssemos obter esse tipo de garantias com relação à China levando a sério o roubo de propriedade intelectual, poderíamos ver um comércio agrícola renovado e expandido entre os dois países".

- Controle difícil -Sobre as reformas solicitadas em associações estrangeiras, o especialista da Brookings Institution disse que uma nova lei sobre investimentos estrangeiros na China deve ser apresentada no próximo Congresso Nacional Popular na China, que começará sua sessão em 5 de março.

Além disso, "será francamente difícil pensar em medidas para verificar a implementação" das reformas, analisou Dollar.

"Aqueles que mais podem verificar" a implementação das reformas estruturais "serão as empresas norte-americanas que mantêm negócios na China", sugere Hufbauer.

Reinsch é mais pessimista. "Acho que o Lighthizer insiste em um plano de implementação muito intrusivo, com o poder de os Estados Unidos manterem unilateralmente a possibilidade de restaurar tarifas suplementares, e eu não acho que os chineses façam tudo o que for pedido".

Para Dollar, o fato de os Estados Unidos pretenderem manter a carta da "ameaça das tarifas aduaneiras" pode prolongar a incerteza.

Se houver acordo, o governo dos EUA está considerando a possibilidade de uma cúpula entre Xi e Trump nas próximas semanas.