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OCDE aponta que crescimento mundial é prejudicado por tensões comerciais

06/03/2019 13h03

Paris, 6 Mar 2019 (AFP) - O crescimento da economia mundial atingirá apenas 3,3% em 2019, devido às tensões comerciais e à incerteza política, prevê a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em seu mais recente relatório, publicado nesta quarta-feira, após ter estimado uma expansão global de 3,5% em novembro.

Embora o organismo tenha reduzido em 0,2 ponto a previsão de crescimento para o Brasil neste ano em relação à estimativa de novembro - a 1,9% -, ele destaca que uma "recuperação moderada está em curso no país". Segundo a OCDE, a "maior confiança das empresas e a redução da incerteza política" são fatores que estimulam essa retomada.

Entretanto, "a implementação bem-sucedida da agenda reformista do novo governo, especialmente a reforma da Previdência Social, continua sendo crucial para uma recuperação mais forte do crescimento", explica o organismo.

Para 2020, a OCDE estima que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2,4%.

Já Argentina segue em recessão, com uma perspectiva menos preocupante (-1,5% vs. -1,9%).

- Incerteza política e tensões comerciais -A OCDE, com sede em Paris, explica essa nova desaceleração global "pelo aumento da incerteza política, tensões comerciais persistentes e uma diminuição contínua da confiança das empresas e dos consumidores".

O crescimento foi revisado para baixo em quase todas as economias do G20, particularmente na zona do euro, onde seria limitado a 1%, comparado a 1,8% projetado no último trimestre.

Para 2020, o crescimento na zona do euro deverá ser de 1,2%, o que representa mais uma queda de 0,4 ponto percentual em relação às últimas previsões.

Dentro da zona, a desaceleração é particularmente brutal este ano para a Alemanha (-0,9 ponto, para 0,7%) e Itália (-1,1 ponto, para -0,2%). A França sofre menos (-0,3 pontos, para 1,3%) porque sua economia é menos dependente das exportações.

- Brexit duro -Uma "menor demanda externa e menor confiança devem pesar sobre o investimento", enquanto que o "aumento dos salários e das políticas macroeconômicas vão sustentar o consumo das famílias" na zona do euro, aponta a OCDE.

Para a organização, os "governos da zona do euro deveriam fazer esforços coordenados a nível fiscal e estrutural", ou seja, baixar os impostos para sustentar a demanda nos países com finanças públicas sólidas e liberalizar seus mercados, em particular no setor de serviços, para aumentar a produtividade.

O Reino Unido vê sua previsão de crescimento reduzir a 0,8%, em comparação ao 1,4% previsto anteriormente. Mas, essa previsão, não leva em conta os efeitos de um VBrexit sem acordo, uma possibilidade cada vez mais real, tendo em vista a proximação do dia 29 de março, data prevista para a saída da UE.

A OCDE ressalta que, "se o Reino Unido e a União Europeia se divorciarem sem acordo, a perspectiva baixaria significativamente" para a Grã Bretanha: seu Produto Interno Bruto (PIB) cairia 2% nos próximos dois anos, por efeito da aplicação das tarifas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

- Risco chinês -Devido às tarifas adotadas especialmente pelos Estados Unidos, o comércio mundial já "desacelerou acentuadamente" e "novos pedidos em muitos países ainda estão em declínio", diz a OCDE.

As barreiras erguidas em 2018 "pesam sobre o crescimento, o investimento e os padrões de vida, particularmente das famílias de baixa renda".

A organização também observa que a atividade do planeta está particularmente vulnerável a uma desaceleração ainda mais acentuada do que o esperado na China, onde se espera um crescimento de 6,2% este ano (em comparação com 6,3% em novembro) e 6,0% em 2020 (sem alteração).

"As tensões comerciais pesam cada vez mais nas exportações e na produção industrial" na segunda economia mundial, afirma a OCDE.

A organização simulou o efeito sobre a economia mundial de uma desaceleração chinesa mais forte do que a esperada: uma queda de dois pontos no crescimento do PIB na China reduziria o crescimento mundial em 0,4 ponto percentual.

O Japão, outros países do Leste Asiático, os produtores de matérias-primas e a Alemanha seriam particularmente afetados.

A Índia, cujo crescimento deve chegar a 7,3% neste ano, a Indonésia (5,2%) e a África do Sul (1,7%) não foram revisados com relação às previsões de outono.

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