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Caixas-pretas são indispensáveis para solucionar acidentes

Alexandre Zemlianichenko/AP Photo
A caixa-preta, na verdade, é laranja com faixas brancas fosforescentes Imagem: Alexandre Zemlianichenko/AP Photo

2019-03-14T14:21:00

14/03/2019 14h21

PARIS, 14 Mar 2019 (AFP) - As caixas-pretas, que registram todos os dados de um voo, incluindo as conversas na cabine de comando, são ferramentas indispensáveis para determinar as causas de um acidente aéreo.

A companhia Ethiopian Airlines enviou para Paris as caixas-pretas do Boeing 737 MAX 8, que caiu no domingo perto de Addis Ababa, matando 157 pessoas.

As caixas-pretas, danificadas pelo impacto do avião contra o solo, serão analisadas em Paris pelo Escritório de Investigação e Análise para a Segurança da Aviação Civil da França (BEA, por sua sigla em francês).

Segundo o BEA, órgão público, a operação e o uso das caixas são iguais em qualquer avião e qualquer que seja o modelo da caixa-preta.

Introduzidas na aviação a partir dos anos 60, as caixas-pretas têm um revestimento metálico muito sólido, concebido para resistir aos choques mais violentos, a fogos intensos e longas imersões em águas profundas.

Caixa-preta é laranja

Elas são, na verdade, de cor laranja e têm faixas brancas fosforescentes para ajudar no processo de localização. A palavra "preta" faz referência ao fato de que seu conteúdo é protegido e inacessível para as pessoas comuns.

Um avião comercial possui duas caixas pretas: o DFDR (Digital flight Data Recorder), que tem os parâmetros do voo, e o CVR (Cockpit Voice Recorder), onde ficam registradas as vozes e os ruídos da cabine dos pilotos.

O DFDR contém a gravação, segundo por segundo, de todos os parâmetros do voo (velocidade, altitude, trajetória...). O CVR inclui as conversas, mas também todos os sons e anúncios ouvidos na cabine dos pilotos. Uma análise acústica mais aprofundada permite até determinar como estavam funcionando os motores.

Graças a esses aparelhos, quase 90% dos acidentes aéreos podem ser explicados.

Equipamento fica dentro de cofre

As caixas-pretas são protegidas por um cofre de aço blindado de 7 kg, capaz de resistir a uma imersão de um mês a 6.000 metros de profundidade e a um incêndio de uma hora e temperatura de até 1.100 graus.

Elas são equipadas de uma baliza acionada em caso de imersão e que emite um sinal de ultrasom para permitir a localização do aparelho. O sinal é emitido a cada segundo durante pelo menos 30 dias seguidos, e pode ser detectado a 2 km de distância.

As do voo 447 da Air France entre Rio de Janeiro e Paris, que caiu em 1 de junho de 2009, foram encontradas 23 meses após o acidente, a 3.900 metros de profundidade no oceano Atlântico, e seus dados puderam ser integralmente extraídos.

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