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FMI alerta que aumento da dívida torna economia global mais vulnerável

2019-04-10T15:04:00

10/04/2019 15h04

Washington, 10 Abr 2019 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira que o aumento dos níveis de endividamento das empresas e dos Estados e o forte aumento de empréstimos arriscados pode tornar a economia global mais vulnerável a outra recessão severa.

Embora essas preocupações "ainda não estejam disparando alarmes", os governos enfrentarão desafios para equilibrar a necessidade de reforçar a supervisão do setor financeiro, em um momento em que a economia mundial está desacelerando, disse Tobias Adrian, diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI.

"É hora de agir", diante do aumento de riscos, acrescentou. "Não devem reduzir nossos esforços".

O relatório semestral de Estabilidade Financeira Global do FMI publicado nesta quarta aponta para um aumento das debilidades nas economias de mercados avançados e emergentes. O texto reforça a necessidade de "combinação correta de políticas para sustentar o crescimento enquanto as vulnerabilidades se mantêm sob controle".

"Nos Estados Unidos, a proporção de dívida corporativa em relação ao PIB se encontra em níveis recorde. Em vários países europeus, os bancos estão sobrecarregados com títulos do governo", disse Adrian em coletiva de imprensa.

A vulnerabilidade do setor empresarial "parece forte em aproximadamente 70% dos países de importância sistêmica", detalhou.

As ações dos títulos de menos classificação (BBB) se quadriplicaram desde o último relatório de outubro, enquanto a quantidade de dívida mais arriscada, ou de "grau especulativo", duplicou, segundo o Fundo.

- Solvência degradada -Uma desaceleração econômica mais forte ou condições financeiras muito menos flexíveis poderiam "afetar a capacidade das empresas endividadas de quitar suas dívidas", especialmente porque a solvência dos prestamistas piorou significativamente, acrescentou Fabio Natalucci, diretor adjunto do departamento de mercados financeiros.

E na China, diz o relatório da agência, "as autoridades enfrentam uma decisão difícil entre apoiar o crescimento de curto prazo, neutralizar choques externos adversos e conter a alavancagem ('leverage') por meio do aperto regulatório".

Investidores podem se assustar rapidamente se houver uma desaceleração econômica maior do que a esperada, se os bancos centrais, como o Federal Reserve americano, decidir começar a aumentar os juros novamente, ou se houver um novo surto de tensões comerciais ou um Brexit sem acordo, que poderia empurrar a economia britânica para a recessão e levar a um crescimento mais lento na Europa, segundo o relatório.

O FMI pediu para os países tomarem medidas proativas, incluindo limitar o montante de créditos de risco, aumentar as reservas bancárias e reduzir a dívida pública na zona do euro, enquanto a China deve continuar tomando medidas contra o "banco de sombra" de credores não bancários.

"Os políticos (...) devem resistir à tentação de voltar atrás nas reformas" implementadas após a crise financeira para proteger o sistema", disse Adrian.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a lei Dodd-Frank, introduzida após a crise das hipotecas subprime que mergulhou o mundo em uma recessão em 2008-2009, fortaleceu consideravelmente a supervisão de grandes bancos com risco "sistêmico".

Mas o governo Trump encorajou uma ofensiva contra essas medidas, dizendo que elas prejudicam a atividade econômica.

As reservas de capital e os testes de estresse de cerca de 15 bancos e grandes instituições financeiras, como US Bancorp, Capital One, PNC Financial e SunTrust, foram flexibilizados.

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