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Tensas discusões entre França e EUA sobre Airbus

13/04/2019 00h03

Washington, 13 Abr 2019 (AFP) - As reuniões entre o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, e representantes do governo dos Estados Unidos nesta sexta-feira em Washington foram "tensas" devido às ameaças contra a Airbus e aos impostos sobre empresas digitais baseadas nos EUA, mas permitiram "esclarecer mal-entendidos", segundo uma fonte francesa.

"Foi construtiva e franca, mas também difícil e tensa", explicou à AFP esta fonte, após o encontro de Le Maire, e o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Robert Lighthizer, com o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, enquanto são realizadas as reuniões de primavera (no hemisfério norte) do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Estas entrevistas (também) foram úteis para esclarecer alguns mal-entendidos", disse a fonte, citando como exemplo o imposto cobrado às empresas que atuam com vendas na internet, como Google, Apple, Facebook e Amazon, que a Assembleia Nacional aprovou nesta semana e que faz da França um dos países pioneiros no assunto, para prejuízo dos Estados Unidos, que reagiram com força.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu na semana passada para Paris desistir da cobrança desse imposto digital, que seria de 3% sobre as vendas das empresas.

Apesar dos esclarecimentos, as reuniões não permitiram descartar os riscos de novas tarifas comerciais contra a União Europeia caso não retire os subsídios da Airbus. "Não está decidido", acrescentou a fonte, que mencionou uma "situação complicada".

Le Maire havia se reunido anteriormente com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, em um ambiente menos tenso.

"Se formos atingidos novamente por sanções americanas injustificadas, a Europa estará pronta para responder de maneira unida e forte", declarou o ministro após o encontro com Mnuchin.

- Represálias europeias -No início desta semana, o presidente Donald Trump ameaçou aplicar na União Europeia novas tarifas alfandegárias caso sejam mantidos os subsídios à Airbus, correndo assim o risco de romper uma frágil trégua comercial.

Este foi outro capítulo de conflito entre a Boeing e a Airbus que dura 14 anos, onde os EUA e a UE se acusam mutuamente na Organização Mundial do Comércio (OMC) de proporcionar ajuda estatal ilegal a suas respectivas gigantes da indústria aeronáutica.

Logo em seguida, a União Europeia divulgou que analisava a possibilidade de "adotar rapidamente medidas" de represália.

De acordo com fontes europeias, na próxima quarta-feira será divulgada uma lista de produtos americanos que podem ter que pagar cerca de 20 bilhões de euros em impostos.

Mas caberá a um árbitro designado pela OMC determinar o valor a ser cobrado em taxas como represália à ação americana, e estima-se que deverá ser menor que os 20 bilhões de euros informados.

"Tudo isto seria ruim para o crescimento e para a prosperidade americana e europeia, (...) e isto deve ser evitado", avaliou Le Mairie em Washington.

"Sobre a base das conclusões da OMC, me parece que a voz da sabedoria aponta que o caminho é um acordo amistoso entre Estados Unidos e Europa sobre uma resolução final do caso Airbus-Boeing", disse, acrescentando que esta contenda já se prolongou por muito tempo.

arz-arp/lc/jh/llu/gm/lb/lda

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