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EUA e China retomam negociações, e Trump diz que acordo é possível

09/05/2019 18h58

Washington, 9 Mai 2019 (AFP) - Estados Unidos e China voltaram, nesta quinta-feira (9), à mesa de negociações em um contexto de hostilidade, embora o presidente Donald Trump tenha dito que considera possível chegar a um acordo para dar fim à guerra comercial entre as duas potências.

A delegação chinesa - que inclui o vice-primeiro-ministro, Liu He, foi recebida pelo representante comercial americano (USTR), Robert Lighthizer, e pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

Apesar da elevação a 25% das tarifas punitivas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses prevista para após a meia-noite local (1h de sexta-feira no horário de Brasília), o presidente Donald Trump afirmou mais cedo que chegar a um acordo ainda é "possível".

"É possível fazer isso", disse Trump à imprensa na Casa Branca. "Eu recebi ontem à noite uma carta muito linda do presidente Xi. Vamos trabalhar juntos e ver se conseguimos fazer alguma coisa", afirmou.

Mas Trump garantiu estar satisfeito em recorrer às tarifas para solucionar as questões com a China.

"Sou diferente de muita gente. Eu acho que as tarifas são muito poderosas para nosso país", afirmou.

Meses de aparente boa vontade e otimismo pareceram desaparecer nesta semana, quando autoridades norte-americanas acusaram a China de reverter pontos já acordados. Os chineses negam ter feito isso.

"Eles pegaram muitas partes do acordo e renegociaram. Não se pode fazer isso", disse Trump na quinta-feira.

Mais cedo, o Ministério do Comércio da China disse que não iria "capitular a qualquer pressão" e ameaçou retaliar depois de enfatizar a drástica deterioração das negociações.

"O lado chinês mantém suas promessas, e isso não mudou", disse o ministério, sem especificar o tipo de medidas que Pequim pode aplicar contra os Estados Unidos. No entanto, a pasta alertou que a China "está pronta para todas as situações possíveis".

Desde o ano passado, as duas potências aplicaram reciprocamente tarifas sobre US$ 360 bilhões em produtos, prejudicando a agricultura americana e os setores industriais de ambos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reiterou na quinta-feira que "as tensões entre os Estados Unidos e a China na esfera comercial são uma ameaça para a economia global".

- 'Mal-entendido fundamental' -O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que, em março, o déficit comercial com a China foi o menor em três anos, com o aumento das exportações e o declínio das importações, especialmente em itens como smartphones.

A efervescência repentina do conflito afetou os mercados e perturbou os exportadores dos EUA.

Mas a mensagem de Xi para Trump pareceu aliviar um pouco os nervos de Wall Street nesta quinta-feira, e o índice Dow Jones reduziu um pouco a queda da abertura da sessão, fechando com recuo de 0,5%

As praças da Europa e da Ásia caíram novamente.

Derek Scissors, especialista chinês do American Enterprise Institute, disse à AFP que as duas partes entraram em confronto sobre quanto do que foi acordado deve ser preservado no documento final.

"Houve um mal-entendido fundamental", disse ele em um e-mail. "Trump enfrenta uma batalha política para vender à China que o documento é valioso, por isso, ele precisa de um documento público com o que ele recebe para os Estados Unidos", disse Scissors.

"Mas o que a China quer tornar pública é menos, e ela quer manter a privacidade", explicou. "Ambos não perceberam que têm tolerância diferente para a transparência".

Scott Kennedy, especialista em comércio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que a China calculou mal o grau de ansiedade dos EUA em fechar um acordo a qualquer custo.

"Quando eles retiraram suas concessões da mesa, não imaginaram que o governo (de Trump) reagiria da mesma forma", disse ele à AFP.

Kennedy alertou que as chances de haver erros de cálculo em ambos os lados são "muito altas".