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Crescimento dos EUA desacelera em 2019, a 2,3%

30/01/2020 17h26

Washington, 30 Jan 2020 (AFP) - O crescimento dos Estados Unidos caiu no ano passado, a um ritmo anual de 2,3% contra 2,9% de 2018, porque as empresas frearam os investimentos durante a guerra comercial com a China - aponta uma estimativa preliminar do Departamento do Comércio divulgada nesta quinta-feira (30).

O dado é positivo, sobretudo, se comparado aos grandes países europeus, mas está longe da meta dos 3% desejados pelo presidente americano, Donald Trump.

Além do freio nos investimentos das empresas (+2,1% contra 6,4% de 2018), a crise do 737 MAX da Boeing, um dos grandes nomes do comércio exterior, afetou as exportações americanas, que permaneceram inalteradas depois de crescerem 3% em 2018.

As agências de segurança aérea de todo mundo proíbem voos do principal modelo de avião da Boeing desde março de 2019, após dois acidentes fatais protagonizados pelo 737 MAX. Estes dois episódios deixaram 346 mortos.

"É uma economia fundamentalmente saudável", reagiu o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, no canal Fox News Business, onde lembrou que a taxa de desemprego dos Estados Unidos é a mais baixa desde há 50 anos.

Kudlow também lembrou que a greve histórica na General Motors impactou no crescimento e reconheceu que a guerra comercial trouxe incerteza, diminuindo a confiança das empresas.

- Ano eleitoral -Uma das boas notícias para o país é que o gasto das famílias, que representa 70% do PIB americano, permaneceu alto (+2,6%) em 2019, mas abaixo dos 3% de 2018.

A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da primeira economia mundial foi maior do que o previsto no último trimestre, situando-se em 2,1%, frente ao 1,8% antecipado pelos analistas.

O governo Trump informou que o cálculo da expansão do último trimestre foi feito com dados ainda incompletos e que uma segunda estimativa será publicada em 27 de fevereiro.

Estes dados serão estudados com muito interesse neste ano eleitoral nos Estados Unidos, em especial, levando-se em conta que a economia ainda é o maior trunfo do presidente republicano. Trump busca sua reeleição para um mandato de mais quatro anos.

Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) preveem uma desaceleração do crescimento americano em 2020, porque - como têm dito há algum tempo - os efeitos da reforma tributária votada no final de 2017 vão acabar se reduzindo.

Este 2020 começou bastante bem para a economia americana, já que Washington conseguiu uma trégua em sua disputa comercial com Pequim com a assinatura de um acordo.

E, nesta quarta (29), Trump assinou o novo acordo de livre-comércio entre EUA, Canadá e México (USMCA, na sigla em inglês).

"São mudanças claramente positivas", reagiu ontem o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Jerome Powell.

"Mas estes acordos precisam ser aplicados", frisou.

A China se comprometeu a comprar US$ 200 bilhões adicionais em produtos americanos no intervalo de dois anos. Isso foi antes, no entanto, da epidemia do novo coronavírus que já deixou 170 mortos na China, além de registrar 7.700 casos de contágio, conforme o último balanço divulgado pelo governo chinês.

Esse vírus é um "problema muito grave" que cria incerteza para a economia mundial, alertou Powell.